O Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) de maio desacelerou para 0,89% após registrar 2,94% em abril. O indicador da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado nesta segunda-feira (18/05), mede a inflação entre os dias 11 do mês anterior e 10 do mês de referência e funciona como um dos principais termômetros de preços da economia, acompanhando atacado, consumo e construção civil.
O movimento alivia parte dos custos da indústria e da cadeia produtiva depois de meses de choque forte em matérias-primas. Mesmo assim, a desaceleração ainda não representa inflação controlada porque setores intermediários seguem pressionando empresas e serviços.
A principal mudança veio do IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo), que saiu de 3,81% para 0,95% em maio. O grupo de matérias-primas brutas praticamente zerou a inflação ao desacelerar de 7,01% para apenas 0,06%.
Os produtos que mais aliviaram pressão sobre o índice foram:
- minério de ferro;
- álcool etílico anidro;
- cana-de-açúcar;
- café em grão;
- suínos.
O movimento interrompe parte do choque de commodities que vinha pressionando custos industriais visto no mês anterior e desde o início do ano.
IGP-10 desacelera em maio, mas bens intermediários ainda pressionam a indústria
Apesar da queda nas matérias-primas, a inflação intermediária da indústria continuou acelerando. O grupo de bens intermediários avançou 2,41% em maio, acima dos 1,95% registrados no mês anterior.
O dado mostra que parte importante da cadeia produtiva ainda opera sob pressão de custos. Embalagens, componentes industriais e itens usados na produção continuam subindo mesmo após o enfraquecimento das commodities básicas.
A desaceleração do IGP-10 de maio ficou concentrada em setores específicos, enquanto parte da indústria ainda enfrenta aumento em:
- insumos intermediários;
- materiais industriais;
- produtos processados;
- itens usados na manufatura;
- custos de distribuição.
O núcleo de bens intermediários sem combustíveis e lubrificantes acelerou de 1,19% para 1,98%, reduzindo a percepção de um alívio inflacionário amplo dentro da economia.
Inflação ao consumidor perde força sem aliviar setores essenciais
O IPC (Índice de Preços ao Consumidor) desacelerou de 0,88% para 0,68% em maio, influenciado principalmente por transportes, alimentação e vestuário.
Mesmo assim, setores importantes do orçamento doméstico continuam acelerando. Habitação passou de 0,35% para 0,71%, enquanto Saúde e Cuidados Pessoais avançou de 0,31% para 1%.
Entre os itens que mais pressionaram o consumidor no IGP-10 de maio aparecem:
- leite longa vida;
- tarifa de energia elétrica;
- gasolina;
- gás de cozinha;
- perfumes.
Ao mesmo tempo, alguns produtos ajudaram a reduzir parte da pressão inflacionária:
- café em pó;
- etanol;
- maçã;
- tarifa de ônibus urbano;
- aparelhos celulares.
Construção desacelera pouco e mantém custo elevado no setor imobiliário
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) registrou alta de 0,86% em maio, levemente abaixo dos 0,88% observados em abril. A desaceleração foi limitada e manteve pressão relevante sobre o setor imobiliário.
Os custos da construção continuam pressionados principalmente em:
- mão de obra;
- cimento;
- tubos e conexões;
- massa de concreto;
- estruturas metálicas.
A mão de obra acumula alta de 8,70% em 12 meses, enquanto materiais, equipamentos e serviços avançam mais de 5% no período.
O cenário mantém pressão sobre aluguel, imóveis novos, reformas e obras corporativas. Mesmo com o enfraquecimento das commodities, a construção civil ainda opera sob custo elevado em serviços e materiais industriais.
O economista Matheus Dias, do FGV IBRE, afirmou que o principal fator para a desaceleração do IGP-10 de maio foi a perda de ritmo das matérias-primas brutas, embora bens intermediários e produtos industriais ainda mantenham pressão sobre a inflação.
Queda das commodities do IGP-10 de maio reduz choque inicial, mas inflação ainda segue espalhada
A desaceleração do IGP-10 de maio mostra que o pico recente de pressão das commodities perdeu força dentro da economia brasileira. O enfraquecimento das matérias-primas interrompe parte do choque que vinha pressionando indústria, alimentos e cadeia produtiva desde o início do ano.
O movimento, porém, ainda não representa um cenário amplo de alívio inflacionário. A aceleração dos bens intermediários indica que os custos continuam circulando entre fabricantes, distribuidores e setores de serviços, mesmo após a queda das commodities agrícolas e minerais.
Esse comportamento mantém pressão relevante sobre produção industrial, construção civil, contratos indexados ao IGP-10 de maio e parte dos preços ao consumidor. O resultado, portanto, reduz a intensidade do choque inflacionário, mas ainda não elimina o ambiente de custos elevados dentro da economia.



