O setor de serviços cresceu 2,3% no primeiro trimestre de 2026, mas, em março, perdeu ritmo frente ao fim do ano passado, enquanto os serviços cresceram entre 2,9% e 3,2% nas comparações anuais. O resultado, divulgado na Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que segmentos ligados à área da tecnologia passaram a concentrar parte relevante da expansão da economia brasileira.
A pesquisa do IBGE também mostra desaceleração em outras áreas econômicas, como transportes, logística e serviços corporativos tradicionais. Ao mesmo tempo em que software, publicidade digital e plataformas online ampliaram a participação no crescimento do setor.
Tecnologia passa a carregar crescimento do setor de serviços
Em março, setores de serviços ligados à economia digital lideraram os avanços mais relevantes do trimestre encerrado em março. As principais contribuições positivas vieram de:
- consultoria em tecnologia da informação;
- plataformas de e-commerce;
- publicidade digital;
- hospedagem e serviços de internet;
- desenvolvimento de software;
- tratamento de dados.
Os principais números do levantamento mostram o peso crescente da tecnologia dentro da expansão dos serviços:
- serviços de tecnologia da informação: +11,8%;
- informação e comunicação: +6,3%;
- serviços audiovisuais: +17,5% em uma das bases anuais analisadas.
O desempenho desses segmentos mostra que parte relevante do crescimento dos serviços ficou concentrada em atividades digitais de maior produtividade. A mudança amplia o peso econômico de empresas ligadas a software, computação em nuvem, automação corporativa, publicidade online e serviços baseados em plataformas digitais.
Ao mesmo tempo, o resultado sugere uma expansão menos distribuída entre os diferentes setores da economia, cenário que aumenta a dependência de nichos específicos para sustentar o avanço da atividade.
Transportes e logística mostram perda de força do setor de serviços em março
Enquanto tecnologia acelerou, segmentos mais ligados à circulação física da economia registraram desaceleração relevante. O IBGE apontou perda de ritmo em:
- transportes;
- logística de cargas;
- serviços administrativos;
- atividades auxiliares financeiras;
- gestão portuária;
- organização de eventos;
- correios.
Além disso, em março os números mostram deterioração relevante em setores de serviço tradicionalmente associados ao funcionamento mais amplo da economia:
- transportes: desaceleração de 1,6% para 0,3%;
- serviços profissionais e administrativos: queda de 2,7% para 1,7%;
- outros serviços: redução de 2,9% para 0,6%.
Esses segmentos costumam funcionar como termômetros mais amplos da atividade empresarial porque envolvem circulação de mercadorias, operação logística e contratação de serviços corporativos. Quando perdem força, o impacto tende a se espalhar por cadeias produtivas mais amplas da economia.
O enfraquecimento dessas áreas indica que o crescimento dos serviços continua existindo, mas ficou menos disseminado entre os setores tradicionais e mais dependente de nichos ligados à digitalização.
Crescimento dos serviços perde tração fora da economia digital
O relatório do IBGE mostra que a desaceleração não ocorreu de forma isolada. O crescimento do setor de serviços perdeu intensidade em março, mesmo com alguns segmentos ainda registrando expansão forte.
Regionalmente, os resultados ficaram divididos entre poucos polos de crescimento e vários estados em retração. Entre os destaques positivos aparecem:
- São Paulo;
- Rio de Janeiro;
- Distrito Federal.
Já entre as maiores perdas do período ficaram:
- Bahia;
- Ceará;
- Amazonas;
- Mato Grosso.
O quadro reforça uma mudança importante dentro do setor de serviços em março. A economia brasileira ainda apresenta crescimento nos serviços, mas parte relevante desse avanço passou a depender de tecnologia, software e plataformas digitais enquanto áreas tradicionais perderam capacidade de sustentar uma expansão mais ampla da atividade econômica.



