O comércio cearense reagiu ao fim da cobrança federal sobre compras internacionais de até US$ 50. Em nota divulgada nesta quinta-feira (15), o Sindicato do Comércio Varejista e Lojista de Fortaleza (Sindilojas Fortaleza) e a Federação das Associações do Comércio, Indústria, Serviços e Agropecuária do Ceará (FACIC) afirmaram que o fim da taxa das blusinhas cria desequilíbrio competitivo contra lojas físicas. Além disso, prejudica confecções e empresas locais.
As entidades afirmam que os efeitos atingem diretamente lojas de tecidos, confecções, aviamentos e pequenos varejistas. Segundo o posicionamento assinado por Cid Alves, presidente do Sindilojas Fortaleza e da FACIC, a mudança ocorre em um momento de juros elevados. Há também instabilidade nos preços dos combustíveis e aumento dos custos operacionais enfrentados pelo setor produtivo nacional.
O caso desloca a discussão pública da redução de preços para o consumidor para o impacto sobre empresas que mantêm operação física no Brasil. Para Cid Alves, a medida cria vantagem para plataformas internacionais em prejuízo da cadeia produtiva brasileira.
“É injustificável a concessão de benefícios tributários a plataformas internacionais de comércio eletrônico em detrimento da cadeia produtiva local”, destacou o presidente das instituições.
A reação empresarial coloca em choque dois efeitos da medida: alívio imediato para quem compra online e pressão adicional sobre segmentos que concentram mão de obra e circulação econômica no Ceará.
Fim da taxa das blusinhas pesa sobre lojas físicas
Na avaliação do Sindilojas Fortaleza e da FACIC, a retirada do imposto sobre pequenas importações amplia a pressão sobre setores tradicionais do comércio cearense. O impacto é maior principalmente nos setores ligados à moda, confecção e comércio popular.
A nota afirma que a medida impacta diretamente “a indústria nacional, o comércio varejista, as lojas de tecidos, confecções, aviamentos e milhares de empresas que geram empregos, renda e arrecadação tributária no país”.
Entre os segmentos citados pelas entidades estão:
- lojas de tecidos;
- confecções;
- comércio de aviamentos;
- varejo de moda;
- pequenas empresas ligadas à produção local.
O setor argumenta que a concorrência deixa de ocorrer apenas pelo preço do produto e passa a envolver diferenças estruturais entre empresas brasileiras e plataformas internacionais. Segundo o Novo Caged, o comércio abriu 6.127 vagas formais em fevereiro de 2026 no país. Isso ocorreu dentro de um mercado que registrou 2,38 milhões de admissões no mês.
Comércio cearense vê importados além do consumo
A decisão do governo federal foi recebida positivamente por consumidores e plataformas de e-commerce internacional porque reduz o custo final de compras de pequeno valor. A medida derrubou a cobrança federal criada em 2024 sobre remessas internacionais de até US$ 50.
Mesmo com a retirada do imposto federal, permanece a incidência do ICMS sobre as compras internacionais. Ainda assim, entidades empresariais afirmam que a mudança reduz a capacidade de competição de empresas instaladas no Brasil.
O dado de emprego dá peso econômico à crítica das entidades. O comércio foi o quinto setor com saldo positivo em fevereiro. Atrás de serviços, indústria, construção e agropecuária, manteve resultado líquido de contratações em meio à pressão de custos e crédito caro.
Entidades defendem concorrência equilibrada
Na nota, Cid Alves afirma que plataformas internacionais beneficiadas pela mudança não têm peso equivalente ao das empresas brasileiras na geração de empregos. Além disso, são inferiores na circulação de renda e recolhimento de tributos.
“As plataformas de e-commerce beneficiadas por essa flexibilização tributária não possuem capacidade de geração de empregos, circulação de renda e recolhimento de tributos equivalente à promovida pelas empresas industriais e comerciais brasileiras”, destacou Alves.
O Sindilojas Fortaleza e a FACIC também defendem a valorização da produção nacional. Além disso, defendem a livre concorrência equilibrada e a manutenção de políticas de apoio ao comércio e à indústria locais.
“Defendemos a valorização da produção nacional, da livre concorrência equilibrada e da manutenção de políticas que fortaleçam o comércio e a indústria locais.”
A manifestação do comércio cearense insere um componente regional em uma discussão que vinha concentrada principalmente no impacto da medida para consumidores e marketplaces internacionais.



