Lucro do Nubank no 1T26 decepciona analistas e derruba ações na NYSE

O lucro do Nubank no 1T26 ficou abaixo das projeções após alta das provisões para crédito. O resultado elevou pressão sobre ações, risco da carteira e sustentabilidade do crescimento do banco digital.
Imagem da fachada do Nubank para ilustrar uma matéria jornalística sobre o Lucro do Nubank no 1T26.
Nubank decepciona mercado e ações caem após provisões maiores. (Imagem: divulgação/Nubank)

O lucro do Nubank no 1º trimestre de 2026 (1T26) mostrou que o mercado passou a cobrar da fintech o mesmo rigor aplicado aos grandes bancos tradicionais. Mesmo com receita recorde e crescimento acelerado da base de clientes, o aumento das provisões para crédito pressionou o resultado e derrubou as ações da companhia na NYSE.

Os papéis do Nu chegaram a cair mais de 10% no after market após investidores interpretarem o balanço como sinal de aumento do risco na expansão do crédito sem garantia. A reação ocorreu mesmo com o banco ultrapassando US$ 5 bilhões de receita trimestral pela primeira vez.

A mudança mais importante do trimestre não apareceu apenas no lucro abaixo do consenso. O resultado mostrou que crescimento acelerado já não basta para sustentar o valuation do Nubank quando inadimplência, provisões e qualidade da carteira começam a ganhar peso na análise do mercado.

Provisões do Nubank cresceram mais que a carteira de crédito

O Nubank registrou lucro líquido de US$ 871,4 milhões no 1T26. O valor ficou abaixo da projeção média do mercado, que apontava aproximadamente US$ 918 milhões.

Ao mesmo tempo, a fintech apresentou forte crescimento de receita e expansão operacional:

  • receita acima de US$ 5 bilhões pela primeira vez;
  • receita líquida de juros de US$ 3,25 bilhões;
  • carteira de crédito de US$ 37,2 bilhões;
  • base global de 135,2 milhões de clientes.

O principal ponto de pressão apareceu nas provisões para perdas com crédito, que avançaram 33% no trimestre, chegando a R$ 1,79 bilhão.

O mercado interpretou o movimento como sinal de aumento do custo de risco, justamente num momento em que o Nu acelera o crescimento dos empréstimos pessoais sem garantia.

Ações do Nubank caem após mercado revisar percepção de risco

As ações do Nubank sofreram forte pressão após o balanço porque investidores passaram a questionar a sustentabilidade da expansão do crédito.

Durante anos, a fintech foi avaliada principalmente pela capacidade de crescer rapidamente, ganhar clientes e ampliar participação no sistema financeiro brasileiro. Agora, o mercado começou a priorizar métricas típicas dos grandes bancos:

  • qualidade da carteira;
  • inadimplência;
  • custo do crédito;
  • provisões;
  • rentabilidade;
  • controle de risco.

A rentabilidade anualizada (ROE) caiu para 29%, abaixo dos 33% registrados no quarto trimestre de 2025.

Os atrasos entre 15 e 90 dias subiram de 4,11% para 5%, enquanto a inadimplência acima de 90 dias recuou para 6,5%.

Analistas do Citi afirmaram que as provisões cresceram acima da expansão da carteira, elevando dúvidas sobre a pressão futura do crédito sem garantia sobre os resultados do Nu.

O mercado também passou a comparar o Nubank de forma mais direta com bancos tradicionais, que possuem participação maior de linhas colateralizadas, como crédito imobiliário e financiamento com garantia.

Empréstimo pessoal virou o principal foco de atenção do mercado

Para o banco, o aumento das provisões ocorreu por mudança no mix da carteira, com maior peso do empréstimo pessoal, e não por deterioração da qualidade do crédito.

Hoje, a carteira do Nu está distribuída da seguinte forma:

  • cartões: US$ 24,3 bilhões;
  • empréstimos sem garantia: cerca de US$ 10 bilhões;
  • crédito com garantia: aproximadamente US$ 3 bilhões.

O avanço mais acelerado nas linhas sem garantia ampliou a percepção de risco entre investidores porque esse segmento tende a sofrer mais em cenários de desaceleração econômica, juros elevados e aumento da inadimplência.

A carteira possui duração média curta:

  • três meses no Brasil;
  • dois meses no México.

Isso permite reação rápida caso a qualidade do crédito apresente deterioração.

Mesmo assim, o mercado continua atento porque o índice de empréstimos sobre depósitos subiu para 58,3%, acima dos 49,1% registrados no trimestre anterior.

Nubank domina clientes no Brasil, mas ainda busca lucro dos bancões

O Nubank ultrapassou 115 milhões de clientes no Brasil e se consolidou como a maior instituição financeira privada do país em número de usuários.

Apesar disso, a companhia afirma possuir apenas cerca de 7% do pool de lucro potencial do sistema financeiro brasileiro, estimado em mais de US$ 100 bilhões anuais.

A leitura da administração é que ainda existe espaço relevante para monetização e ganho de mercado. O problema é que investidores passaram a questionar quanto risco será necessário assumir para capturar essa expansão.

O trimestre mostrou que o Nu entrou numa nova fase. A fintech continua crescendo acima da média do setor, mas agora enfrenta cobrança crescente sobre qualidade do lucro, disciplina de crédito e sustentabilidade das margens.

México vira aposta estratégica para sustentar crescimento do Nu

Enquanto o mercado monitora a pressão do crédito no Brasil, o México começou a ganhar importância dentro da operação global do Nubank.

O banco superou 15 milhões de clientes mexicanos e atingiu equilíbrio financeiro no país pela primeira vez desde o início das operações em 2021.

A companhia vê potencial elevado porque:

  • a bancarização mexicana gira perto de 50%;
  • o crédito formal alcança apenas 15% a 18% da população;
  • o mercado financeiro possui baixa penetração.

O avanço internacional ajuda o Nubank a preservar a narrativa de crescimento estrutural mesmo diante do aumento da pressão sobre risco e provisões no Brasil.

No fim do 1T26, o lucro do Nubank mostrou que a fintech segue expandindo receita, clientes e crédito em ritmo acelerado. A diferença é que o mercado deixou de enxergar o Nu apenas como empresa de crescimento e passou a tratá-lo como um grande banco exposto aos mesmos desafios de inadimplência, risco e rentabilidade do sistema financeiro tradicional.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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