O lucro da Caixa Econômica Federal caiu para R$ 3,5 bilhões no primeiro trimestre de 2026 (1T26) mesmo com crescimento da carteira de crédito, expansão do financiamento imobiliário e aumento das receitas de serviços. O resultado, divulgado nessa quinta-feira (14/05), expôs uma pressão mais intensa da inadimplência e do custo do risco dentro do banco público.
A deterioração apareceu principalmente nas provisões para perdas, que avançaram 211,5% em um ano. O movimento reduziu a rentabilidade da instituição e elevou a preocupação sobre a sustentabilidade do crescimento do crédito em um ambiente de juros ainda elevados.
Contudo, mesmo com a queda do lucro, a Caixa ampliou operações, ganhou participação no mercado imobiliário e expandiu ativos administrados. O contraste entre crescimento operacional e piora da qualidade da carteira passou a ser o principal sinal do balanço.
Inadimplência avança e pressiona resultado da Caixa
A inadimplência total da carteira subiu para 3,71%, alta de 1,22 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano passado. O avanço ocorreu em praticamente todas as linhas relevantes do banco e passou a pressionar o lucro da Caixa no 1T26.
O dado mais sensível apareceu no agronegócio. A inadimplência do segmento disparou para 18,29%, quase quatro vezes acima do registrado um ano antes.
O crédito para empresas também mostrou deterioração relevante:
- inadimplência PJ livre chegou a 13,2%;
- crédito imobiliário subiu para 1,60%;
- carteira PF livre avançou para 6,12%.
O avanço da inadimplência elevou diretamente as despesas de provisão para crédito de liquidação duvidosa (PCLD), que atingiram R$ 6,5 bilhões no trimestre.
A pressão ficou forte o suficiente para reduzir o ROE recorrente da Caixa para 9,31%, abaixo dos 12% registrados um ano antes.
Crédito imobiliário impede desaceleração maior da carteira
Mesmo com piora da inadimplência, a Caixa continuou expandindo sua carteira de crédito.
O saldo total alcançou R$ 1,410 trilhão, crescimento de 11,3% em 12 meses. Além disso, o crédito imobiliário permaneceu como principal motor do banco e ajudou a reduzir a pressão sobre o lucro da Caixa no 1T26.
A carteira imobiliária chegou a R$ 966,2 bilhões e passou a representar 68,5% de todo o crédito da instituição.
O banco também ampliou liderança no setor habitacional:
- market share imobiliário atingiu 68%;
- participação cresceu 1,3 ponto percentual em um ano;
- financiamentos do Minha Casa Minha Vida seguem concentrados na instituição.
As contratações imobiliárias totalizaram R$ 64,2 bilhões no trimestre, avanço de 30,6% sobre o 1T25. Já o crescimento do crédito ajudou a sustentar receitas de intermediação financeira, que avançaram 18,1% no período.
Ainda assim, o aumento das despesas financeiras e das provisões impediu que a expansão da carteira se transformasse em crescimento do lucro.
Nova regra contábil da Caixa mudou leitura do balanço de lucros no 1T26
Parte da deterioração do resultado veio da implementação da Resolução CMN 4.966, alinhada ao padrão internacional IFRS 9, que obrigou os bancos a anteciparem perdas esperadas nas carteiras de crédito mesmo antes da inadimplência efetiva acontecer.
A mudança elevou o volume de provisões da instituição e alterou a leitura histórica do balanço. A própria Caixa afirmou que a adoção da nova regra reduziu a comparabilidade com períodos anteriores por causa da reclassificação de operações e do novo modelo de risco.
Mesmo com o efeito regulatório, os indicadores mostram que a piora não ocorreu apenas por mudança contábil. O avanço da inadimplência em linhas como agronegócio, crédito PJ e operações livres também passou a pressionar diretamente o lucro da Caixa no 1T26.
Caixa amplia operação no primeiro trimestre enquanto lucro perde força
O balanço mostra um banco maior, mais digital e ainda dominante no crédito habitacional. Os ativos administrados ultrapassaram R$ 4 trilhões, enquanto as captações cresceram 13,7%.
A instituição também avançou em receitas de serviços:
- cartões cresceram 19,9%;
- fundos avançaram 17,2%;
- serviços de governo subiram 27,3%.
Ao mesmo tempo, a pressão sobre a rentabilidade ficou mais evidente. O índice de Basileia caiu para 15,1%, enquanto o retorno sobre patrimônio perdeu força mesmo com crescimento operacional relevante.
O resultado, portanto, mostra que a expansão da carteira deixou de ser suficiente para sustentar o lucro da Caixa no 1T26. Agora, a velocidade de deterioração da inadimplência passou a ser o principal fator capaz de limitar o desempenho da CAIXA nos próximos trimestres.



