Trump anuncia compra de 200 aviões da Boeing pela China, mas ações caem com incerteza do acordo

A China anunciou a compra de 200 aviões da Boeing após negociações conduzidas por Donald Trump, mas investidores reagiram mal ao tamanho do pedido e às dúvidas sobre a formalização do contrato.
Avião Boeing 737 Max em pista durante anúncio de possível compra de 200 aeronaves pela China
Boeing 737 Max volta ao centro das negociações entre Estados Unidos e China após Trump anunciar possível venda de 200 aviões ao mercado chinês (Foto: Reprodução)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (14/05) que a China aceitou comprar 200 aviões da Boeing, em um anúncio que pode marcar a retomada das grandes encomendas chinesas de aeronaves americanas após quase uma década.

Apesar do impacto político do acordo, o mercado reagiu negativamente. As ações da Boeing caíram quase 5% porque investidores esperavam um pedido maior e ainda enxergam incertezas sobre a confirmação oficial das compras.

A notícia recoloca a Boeing no centro das negociações comerciais entre Estados Unidos e China em um momento de disputa global por espaço na indústria aeronáutica.

China compra 200 aviões da Boeing, mas mercado esperava pedido maior

Apesar do tom positivo do anúncio, a reação negativa das ações mostrou que o mercado esperava algo mais robusto. Analistas trabalhavam com projeções acima de 300 aeronaves, enquanto parte do setor chegou até mesmo a especular encomendas próximas de 500 aviões, principalmente do modelo 737 Max.

O problema é que Trump anunciou que a China faria a compra dos 200 aviões antes da formalização dos contratos com a Boeing. A empresa, inclusive, não confirmou detalhes do pedido; as companhias chinesas ainda não divulgaram compras oficiais e sequer há definição pública sobre quais modelos exatamente seriam incluídos no acordo.

Sem assinatura definitiva das empresas aéreas, o mercado evita tratar o anúncio como receita garantida para a fabricante americana. Para investidores, a diferença entre expectativa política e carteira firme continua sendo decisiva na avaliação financeira da Boeing.

Boeing tenta recuperar espaço perdido para Airbus

A China reduziu fortemente as compras da Boeing nos últimos anos após a crise envolvendo o 737 Max.

O país foi o primeiro a suspender operações do modelo depois dos acidentes fatais registrados em 2018 e 2019. A autorização para retomada dos voos só aconteceu em 2023. Enquanto isso, a Airbus ampliou rapidamente sua presença no mercado chinês.

Desde 2022, companhias do país anunciaram ou assumiram compromisso de compra de cerca de 700 aeronaves da fabricante europeia.

Entre os movimentos recentes aparecem:

  • pedido de 137 aviões da China Southern Airlines;
  • expansão da linha Airbus A320neo;
  • além do crescimento industrial da Airbus dentro da China.

Ao mesmo tempo, Pequim acelerou o desenvolvimento do Comac C919, aeronave criada para competir diretamente com Boeing 737 e Airbus A320. O jato chinês já acumula mais de mil encomendas, principalmente de empresas estatais locais, embora a produção ainda avance lentamente.

Trump transforma Boeing em ativo político dos EUA

Com o acordo de compra de 200 aviões da Boeing feito pela China, Trump confirma que passou a usar contratos da Boeing como símbolo da capacidade americana de fechar acordos internacionais. Desde seu retorno à Casa Branca, vendas de aeronaves apareceram em negociações comerciais envolvendo Arábia Saudita, Catar e Coreia do Sul.

O presidente americano afirmou recentemente que ajudou a Boeing a vender mil aviões durante seu mandato.

A presença do CEO Kelly Ortberg na delegação americana durante as conversas com Xi Jinping reforçou o peso político do setor aeronáutico nas negociações entre Washington e Pequim.

Mesmo assim, investidores ainda tentam medir se a China compra 200 aviões da Boeing como parte de uma retomada estrutural das relações comerciais ou apenas como anúncio diplomático de curto prazo.

A fabricante americana depende da recuperação do mercado chinês para ampliar entregas, melhorar geração de caixa e reduzir pressões financeiras após anos de crise operacional e perda de espaço para Airbus e fabricantes chinesas.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

Mais lidas

Últimas notícias