Americanas vende lojas da Natural da Terra e acelera corte de operações deficitárias

A Americanas vendeu 10 lojas da Natural da Terra ao Oba Hortifruti por R$ 69,3 milhões. O negócio mostra como a crise mudou a estratégia da varejista, que agora reduz ativos e operações deficitárias.
Fachada de loja da Natural da Terra, rede vendida parcialmente pela Americanas ao Oba Hortifruti em São Paulo
Americanas vendeu ativos de 10 lojas deficitárias da Natural da Terra ao Oba Hortifruti por R$ 69,3 milhões (Foto: reprodução)

A Americanas confirmou a venda das lojas da Natural da Terra em um movimento que expõe a mudança radical da companhia após a crise contábil bilionária. A rede acertou a transferência dos ativos usados em dez unidades deficitárias ao Oba Hortifruti por R$ 69,3 milhões.

A operação mostra uma inversão da estratégia adotada antes da recuperação judicial. O que era tratado como expansão em alimentos frescos passou a representar necessidade de corte de perdas, preservação de caixa e redução da estrutura operacional.

A venda também revela como a companhia começou a desmontar parte de ativos incorporados antes da descoberta das inconsistências contábeis superiores a R$ 40 bilhões.

Venda lojas da Natural da Terra ao Oba marca nova fase da Americanas

O acordo envolve dez lojas da Hortifruti Natural da Terra localizadas em São Paulo. O Oba pagará R$ 10,4 milhões à vista no fechamento da operação e quitará o restante em 24 parcelas corrigidas pelo CDI.

No entanto, a transação ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Mas, se aprovada, será realizada com transferência de ativos feito de forma gradual.

Em seu balanço de resultados trimestrais, divulgado na última quarta-feira (13/05), a Americanas informou que a alienação está prevista dentro do plano da recuperação judicial e ocorre no curso normal dos negócios.

O movimento indica que a varejista passou a priorizar liquidez e redução de despesas operacionais. Além disso, a estratégia atual busca aliviar pressão financeira em vez de ampliar presença em novas categorias.

Crise mudou aposta da Natural da Terra

A Hortifruti Natural da Terra foi incorporada pela Americanas em 2021, antes da revelação da fraude contábil que levou a companhia à recuperação judicial em janeiro de 2023 e, eventualmente, à venda das lojas para Oba Hortifruti.

Naquele momento, a Americanas tratava os alimentos frescos como uma forma de elevar a recorrência de compras, aumentar a frequência de consumo e integrar a operação ao e-commerce.

Porém, o cenário mudou após o colapso financeiro da empresa. A venda parcial da Natural da Terra mostra que ativos considerados estratégicos antes da crise passaram a ser avaliados pela capacidade de gerar caixa imediato e reduzir perdas recorrentes.

O movimento amplia a percepção de que as etapas finais da recuperação da empresa dependem de cortes seletivos e desmobilização gradual de operações menos rentáveis.

Oba ganha espaço em região mais disputada do varejo

Para o Oba Hortifruti, a aquisição amplia a presença em São Paulo, principal mercado consumidor do país e da região, marcado pela disputa entre redes alimentares voltadas ao público de maior renda.

O grupo já possui atuação consolidada no segmento de frutas, legumes, verduras e perecíveis, com posicionamento mais próximo do varejo especializado. A compra das lojas, portanto, oferece vantagens operacionais relevantes, tais como:

  • expansão em áreas já maduras
  • aumento de escala logística
  • captura de consumidores recorrentes
  • fortalecimento em bairros de maior renda

O acordo ocorre em um ambiente de competição crescente entre supermercados premium, varejistas especializados e atacarejos que passaram a disputar consumidores de tíquete médio mais elevado.

Enquanto o Oba amplia presença, a Americanas vende lojas da Natural da Terra para acelerar o enxugamento operacional iniciado após a crise. A operação reforça que a reorganização financeira da companhia segue baseada na redução de ativos considerados deficitários ou menos alinhados à nova estratégia.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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