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Recuperação judicial da Americanas avança com pedido de encerramento após venda de ativos

A recuperação judicial da Americanas entra na fase final após pedido de encerramento. Após fraude bilionária e aporte de acionistas, empresa reduz operação e inicia novo ciclo fora da Justiça.
recuperação judicial da Americanas e pedido de encerramento
Empresa pede fim da recuperação após ajuste estrutural e venda de ativos (Foto: Divulgação/Americanas)

A recuperação judicial da Americanas entrou na etapa final na noite dessa quarta-feira (25/03), quando a companhia pediu à Justiça o encerramento do processo iniciado após a revelação de uma fraude contábil bilionária em 2023. O movimento veio acompanhado da venda da Uni.Co, dona de Imaginarium e Puket, por R$ 152,9 milhões.

Segundo a empresa, o pedido foi protocolado após o cumprimento das obrigações previstas no plano aprovado pelos credores. A análise agora fica com a 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, responsável por validar a saída do processo.

Recuperação judicial da Americanas: o que levou ao pedido

O caso começou em janeiro de 2023, quando a Americanas revelou inconsistências contábeis e expôs um rombo de cerca de R$ 25 bilhões. Em poucos dias, a companhia perdeu acesso a crédito e entrou em colapso de liquidez.

A dívida total ultrapassava R$ 40 bilhões e envolvia bancos e milhares de fornecedores, o que deu ao processo uma dimensão sistêmica dentro do varejo e do mercado financeiro.

A virada veio com o plano aprovado no fim de 2023, que combinou renegociação pesada com credores, conversão de dívida em ações e um aporte bilionário liderado pelos acionistas de referência: Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira.

Corte de estrutura e venda de ativos

Portanto, para viabilizar o plano de recuperação judicial, a Americanas reduziu drasticamente sua operação. Mais de 300 lojas foram fechadas, e a rede passou a operar com 1.551 unidades, muitas delas menores e com novo formato.

Além disso, o quadro de funcionários caiu de 43.123 para 29.562 pessoas, uma redução de 31% que acompanhou o esforço de ajuste de custos e preservação de caixa.

Nesse contexto, a venda da Uni.Co aparece como mais um passo na estratégia de simplificação da companhia. Ao se desfazer de ativos fora do foco principal, a Americanas reforça a execução do plano acordado com credores.

O que está em jogo agora na recuperação judicial da Americanas

Com o pedido apresentado, a recuperação judicial da Americanas entra na fase final de validação judicial. Se aprovado, o encerramento retira a empresa do regime de supervisão e marca o fim formal do processo.

Ainda assim, a velocidade dessa recuperação chama atenção. Diferentemente de outros casos de recuperação judicial no Brasil, que se arrastam por anos, a Americanas avança para encerrar o processo pouco mais de dois anos após o pedido inicial. Portanto, um resultado diretamente ligado ao volume de capital injetado e à capacidade de negociar com credores.

O próximo teste será fora da Justiça. A empresa sai menor, com estrutura ajustada e governança sob escrutínio mais rígido. A recuperação judicial da Americanas pode estar perto do fim no papel, mas a reconstrução da confiança no mercado ainda está em curso.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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