A alta dos estados com maior desemprego no Brasil no primeiro trimestre de 2026 mostrou que a melhora do mercado de trabalho segue desigual entre as regiões. A taxa nacional ficou em 6,1%, segundo o IBGE, mas o dado esconde diferenças profundas entre estados.
Enquanto Santa Catarina registrou desemprego de 2,7%, Amapá, Bahia, Alagoas e Pernambuco fecharam o trimestre acima de 9%. O avanço da desocupação em 15 unidades da federação aumentou a pressão sobre renda, consumo e atividade econômica regional.
Os estados com maior desemprego no Brasil no primeiro trimestre de 2026 foram:
- Amapá: 10%
- Bahia: 9,2%
- Alagoas: 9,2%
- Pernambuco: 9,2%
Mesmo com a taxa nacional em nível historicamente baixo para o período, Norte e Nordeste continuam concentrando os indicadores mais frágeis do mercado de trabalho brasileiro.
Estados com maior desemprego no Brasil em 2026 concentram baixa industrialização
Os estados com pior desempenho seguem concentrados em regiões com menor presença industrial, renda média mais baixa e maior dependência de empregos informais.
Na outra ponta, os menores índices do país ficaram em:
- Santa Catarina: 2,7%
- Mato Grosso: 3,1%
- Espírito Santo: 3,2%
O contraste amplia a distância econômica entre regiões mais industrializadas e estados ainda dependentes do setor público, comércio informal e ocupações de baixa produtividade.
Segundo o IBGE, unidades da federação com maior escolaridade média e maior participação industrial tendem a registrar mercados de trabalho mais estruturados e menor volatilidade nas contratações.
Alta do desemprego em 15 estados mostra desaceleração regional
Mesmo com o desemprego nacional abaixo da média histórica, os dados mostram perda de ritmo na geração de vagas em parte do país.
As maiores altas trimestrais ocorreram em:
- Ceará: +2,3 pontos percentuais
- Acre: +1,8 p.p.
- Tocantins: +1,6 p.p.
Os menores avanços ficaram em:
- Rondônia: +1,1 p.p.
- Espírito Santo: +0,8 p.p.
- Santa Catarina: +0,5 p.p.
O movimento sugere desaceleração mais intensa em economias regionais dependentes do consumo local e do setor de serviços.
A deterioração também aumenta o risco de crescimento da ocupação precária. Em parte dos estados, a redução do desemprego nos últimos anos ocorreu acompanhada pelo avanço da informalidade.
Informalidade amplia divisão do mercado de trabalho brasileiro
O retrato do trabalho no país vai além da taxa oficial de desemprego. O IBGE mostrou que 37,3% da população ocupada segue trabalhando na informalidade.
Os maiores índices apareceram em:
- Maranhão: 57,6%
- Pará: 56,5%
- Amazonas: 53,2%
As menores taxas ficaram em:
- Santa Catarina: 25,4%
- Distrito Federal: 28,1%
- Mato Grosso do Sul: 29,8%
O dado ajuda a explicar por que estados com desemprego relativamente menor ainda convivem com renda baixa e instabilidade econômica.
Outro sinal de fragilidade aparece na subutilização da força de trabalho, indicador que reúne desempregados, subocupados e pessoas disponíveis para trabalhar.
Os maiores índices foram registrados em:
- Piauí: 30,4%
- Bahia: 26,3%
- Alagoas: 26,1%
O percentual de desalentados também segue elevado em parte do Nordeste. Maranhão liderou o país, com 10,3% da força de trabalho ampliada formada por pessoas que desistiram de procurar emprego.
Escolaridade amplia diferença entre regiões mais e menos desenvolvidas
Os dados do IBGE reforçam o peso da educação sobre a empregabilidade no país.
A maior taxa de desemprego apareceu entre trabalhadores com ensino médio incompleto:
- 10,8%
Entre pessoas com ensino superior completo:
- 3,7%
A diferença evidencia como estados com menor escolarização média enfrentam mais dificuldade para atrair investimentos privados e ampliar empregos formais.
O cenário ajuda a explicar a liderança do Sul e parte do Centro-Oeste nos indicadores de formalização.
No primeiro trimestre, 74,7% dos empregados do setor privado tinham carteira assinada no Brasil. Santa Catarina liderou o ranking nacional, com 86,7%, seguida por São Paulo e Rio Grande do Sul.
O avanço da formalização em estados mais ricos cria um ciclo econômico mais forte, sustentado por renda, consumo e arrecadação maiores.
Os estados com maior desemprego no Brasil mostram que o país ainda opera com dois mercados de trabalho distintos: um sustentado por emprego formal e produtividade maior, e outro marcado por informalidade elevada, baixa qualificação e crescimento econômico mais frágil.



