Fim da taxa das blusinhas não zera imposto; veja quanto cada estado ainda cobra

O fim da taxa das blusinhas zerou o imposto federal sobre compras internacionais até US$ 50, mas o ICMS estadual continua sendo cobrado em todo o Brasil.
Imagem de uma loja da Shein para ilustrar uma matéria jornalística sobre o Fim das taxas das blusinhas e quando cada estado do Brasil cobra de impostos.
Fim da taxa das blusinhas reduz imposto, mas ICMS continua nos estados. (Imagem: divulgação/Shein)

O fim da taxa das blusinhas, anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na terça-feira (12), reduz a tributação sobre compras internacionais de até US$ 50, mas não elimina totalmente os impostos cobrados de consumidores que compram em plataformas como Shein, Shopee e AliExpress. Abaixo, confira quanto cada estado continuará cobrando de ICMS após a revogação da taxa federal.

Mesmo sem a taxa federal de 20%, os estados continuam cobrando ICMS entre 17% e 20% sobre remessas internacionais. O preço final cai, mas as compras seguem tributadas em todo o país.

Uma encomenda de R$ 200 para consumidores de estados com ICMS de 17%, por exemplo, continuará pagando cerca de R$ 34 em imposto estadual mesmo após a revogação da cobrança federal.

Veja quanto cada estado cobra após o fim da taxa das blusinhas

O imposto federal criado em 2024 dentro do Programa Remessa Conforme (PRC) foi zerado por medida provisória assinada pelo governo Lula. O ICMS estadual, porém, segue em vigor.

Confira as alíquotas estaduais cobradas sobre compras internacionais:

EstadoICMS atual
Acre20%
Alagoas20%
Amazonas17%
Amapá18%
Bahia20%
Ceará20%
Distrito Federal17%
Espírito Santo17%
Goiás17%
Maranhão17%
Minas Gerais17%
Mato Grosso do Sul17%
Mato Grosso17%
Pará17% até 2025
Paraíba20%
Pernambuco17%
Piauí20%
Paraná17%
Rio de Janeiro17%
Rio Grande do Norte20%
Rondônia17%
Roraima20%
Rio Grande do Sul17%
Santa Catarina17%
Sergipe20%
São Paulo17%
Tocantins17%

O Pará já aprovou aumento para 19% a partir de janeiro de 2026.

Dez estados elevaram a alíquota de 17% para 20% em abril de 2025 após decisão do Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda (Comsefaz).

Quanto fica mais barato após a retirada do imposto federal

A principal mudança no fim do imposto sobre as blusinhas está na retirada da taxa federal de 20% criada em 2024. O consumidor continuará pagando ICMS estadual nas plataformas cadastradas no programa da Receita Federal.

Veja a diferença prática no valor final:

Valor da compraAntes da revogação*Agora
R$ 200R$ 274R$ 234
R$ 300R$ 411R$ 351
R$ 500R$ 685R$ 585

*Simulação considerando imposto federal de 20% mais ICMS de 17%.

A redução existe, mas não representa volta ao cenário anterior à criação da tributação sobre compras internacionais.

Consumidores de estados com ICMS de 20% continuarão pagando valores ainda mais altos.

Governo tenta reduzir desgaste político antes das eleições

A cobrança criada em agosto de 2024 virou uma das medidas mais rejeitadas do governo Lula. O imposto atingiu consumidores acostumados a comprar produtos baratos em marketplaces estrangeiros.

Pesquisa Atlas Intel divulgada em março mostrou que 62% dos brasileiros consideravam a “taxa das blusinhas” um erro do governo.

Nos bastidores, integrantes do Palácio do Planalto divergiam sobre manter ou revogar a cobrança. O desgaste político ganhou peso com a aproximação das eleições de 2026.

Lula chegou a afirmar que considerava “irracional” taxar consumidores que fazem pequenas compras online enquanto viajantes internacionais mantêm benefícios tributários em compras feitas no exterior.

O Ministério da Fazenda sustenta que o programa cumpriu parte dos objetivos originais:

  • redução do contrabando;
  • regularização das plataformas;
  • maior controle fiscal;
  • cobrança antecipada de impostos;
  • redução do tempo de retenção alfandegária.

Segundo a Receita Federal, 45 empresas aderiram ao sistema de certificação do programa.

Indústria reage ao fim da taxa das blusinhas e teme avanço das plataformas chinesas

O fim da cobrança federal desagradou entidades industriais que defendiam a tributação como forma de proteger o varejo nacional. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou que a medida amplia a vantagem competitiva de fabricantes estrangeiros sobre empresas brasileiras, principalmente pequenos negócios.

Dados usados pela entidade apontam que a tributação teria produzido efeitos econômicos relevantes:

  • R$ 4,5 bilhões em importações evitadas;
  • preservação estimada de 135,8 mil empregos;
  • maior circulação de consumo interno;
  • estímulo à produção nacional.

Já empresas ligadas ao comércio eletrônico comemoraram a decisão. A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) afirmou que a medida reduz custos para consumidores e plataformas digitais.

Mesmo com o fim da taxa das blusinhas, consumidores continuarão pagando ICMS nas compras internacionais. O imposto federal caiu, mas a tributação estadual mantém parte da cobrança ativa em todo o Brasil.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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