Reserva vira alvo de disputa judicial entre donos da Arezzo e Soma após fusão que criou Azzas 2154 

A disputa pela Reserva levou ao campo judicial o desgaste entre Alexandre Birman e Roberto Jatahy na Azzas 2154. O conflito pressiona a integração da fusão e amplia dúvidas sobre a estrutura do grupo.
Fachada de loja da Arezzo em shopping center; disputa entre controladores da Azzas 2154 pressiona integração após fusão entre Arezzo&Co e Grupo Soma.
Disputa entre Alexandre Birman e Roberto Jatahy elevou tensão dentro da Azzas 2154 (Foto: Divulgação/Salvador Shopping)

Uma batalha pela marca de roupas Reserva abriu uma nova crise, dessa vez a mais delicada, desde a fusão entre Arezzo&Co e Grupo Soma, que criou a Azzas 2154 em 2024. O conflito entre Alexandre Birman, fundador da Arezzo&Co, e Roberto Jatahy, criador do Grupo Soma, saiu dos bastidores e passou a atingir a reorganização da gigante do varejo de moda.

A ação cautelar movida por Jatahy tenta impedir a retirada da marca masculina da unidade carioca sob seu comando. O episódio rompeu uma barreira relevante dentro da Azzas 2154: as divergências entre os principais acionistas chegaram oficialmente ao campo judicial.

Segundo fontes próximas à companhia, o processo de reorganização durou cerca de dez meses e tinha sido concluído havia apenas três. O plano já previa efeito de R$ 80 milhões no Ebitda deste ano e impacto recorrente estimado em R$ 116 milhões a partir de 2027.

Mudança na Reserva aprofundou disputa dentro da Azzas 2154

O estopim do conflito foi a possibilidade de aproximar a operação da Reserva da estrutura da Hering no Sul do país. A mudança teria sido discutida às vésperas de uma reunião do conselho após a saída de Ruy Kameyama, em abril.

Kameyama ocupava uma posição importante no equilíbrio político da empresa. Próximo de Jatahy, o executivo funcionava como uma espécie de intermediador entre os grupos que vieram de Arezzo e do Soma.

Sua saída, no entanto, alterou a dinâmica interna justamente quando a companhia ainda tentava estabilizar a nova estrutura de gestão. Além disso, a reorganização da Reserva carregava peso simbólico dentro desse processo, porque a Azzas 2154 transformou a marca em uma das verticais centrais da operação após a fusão entre Arezzo&Co e Grupo Soma.

O projeto, que estava em discussão desde 2021, também atravessou mudanças relevantes de liderança. Rony Meisler, fundador da Reserva, deixou a companhia durante o processo de integração. Thiago Hering também saiu da operação após a união das empresas.

Relação entre Birman e Jatahy só se deteriorou após a fusão

As divergências entre Alexandre Birman e Roberto Jatahy cresceram nos meses seguintes à fusão entre Arezzo&Co e Grupo Soma. Executivos próximos à companhia relatam dificuldade para conciliar estilos de gestão diferentes em uma estrutura que ainda tentava integrar marcas, lideranças e operações espalhadas pelo país.

Birman manteve influência direta sobre decisões estratégicas e operacionais da companhia, enquanto Jatahy preservou espaço relevante dentro do núcleo carioca ligado às marcas herdadas do Soma. A disputa pela Reserva ampliou o desgaste na no interior da Azzas 2154 porque passou a envolver autonomia de gestão e controle sobre áreas consideradas centrais na nova estrutura.

A tensão interna já havia levado a companhia a discutir alternativas para reduzir o atrito entre os grupos. Uma das propostas analisadas previa uma reorganização inspirada na Itaúsa, com operações separadas por perfil de negócio, culturas independentes e modelos próprios de remuneração, embora os resultados permanecessem consolidados dentro da holding.

O desenho criaria, na prática, duas estruturas com maior autonomia: de um lado Arezzo e Hering; de outro, marcas femininas e masculinas ligadas ao antigo Soma. A saída de Ruy Kameyama, porém, interrompeu parte das discussões antes que o projeto avançasse.

Queda das ações amplia pressão sobre a Azzas 2154

A disputa ocorre em um momento no qual investidores já demonstravam desconforto com a execução da fusão entre Arezzo&Co e Grupo Soma. As ações da Azzas 2154 caíram 3,2% nesta terça-feira, para R$ 19,40, e acumulam desvalorização de 61,5% desde agosto de 2024, quando passaram a negociar sob o novo nome.

Em comunicado, a companhia afirmou ter sido surpreendida pela ação cautelar apresentada por Roberto Jatahy . Além disso, declarou que decisões sobre a unidade masculina cabem ao CEO, segundo o estatuto social.

Mesmo sem impacto operacional imediato, a disputa pela Reserva ampliou dúvidas sobre a integração da Azzas 2154. O conflito expôs dificuldades para conciliar culturas diferentes, mudanças de comando e disputas internas por espaço desde a fusão.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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