A carteira de crédito PagBank passou a ocupar o centro da estratégia da fintech no primeiro trimestre de 2026. A operação cresceu 35,9% em um ano e atingiu R$ 5 bilhões, impulsionada principalmente pela expansão das linhas de capital de giro para pequenos negócios.
O avanço aconteceu enquanto o negócio tradicional de pagamentos perdeu força relativa dentro da companhia. O volume movimentado pelas maquininhas ficou praticamente estável, mas a receita da divisão bancária avançou 40,6%, ampliando o peso de crédito, depósitos e serviços financeiros no resultado.
A aceleração da carteira de crédito PagBank também aumentou exposição da fintech ao ambiente de juros elevados, que encarece a operação de crédito e pressiona margem financeira.
Carteira de crédito PagBank acelera empréstimos para pequenos negócios
Parte relevante da expansão da carteira de crédito PagBank, revelado no balanço trimestral 1T26 veio das linhas voltadas para pequenos e médios empreendedores, segmento que concentra grande parte da base de comerciantes da fintech. O crescimento mais forte apareceu nas operações de capital de giro e nos empréstimos sem garantia.
Os números do trimestre mostram:
- capital de giro e outras linhas: +190,6%;
- crédito sem garantia: +90,9%;
- linhas sem garantia passaram a representar 21,1% da carteira.
O PagBank usa dados de vendas, movimentação financeira e histórico das contas digitais para liberar crédito a lojistas que já operam dentro da plataforma. O modelo amplia a geração de receita sem depender apenas da adquirência.
As operações para PMEs costumam gerar rentabilidade maior do que o negócio tradicional de pagamentos. Ao mesmo tempo, aumentam exposição da companhia à inadimplência, ao custo de captação e à necessidade de provisões para perdas.
A inadimplência acima de 90 dias subiu para 3,05% no trimestre, acompanhando o avanço mais acelerado das linhas sem garantia dentro da carteira de crédito PagBank.
Selic alta reduz margem e aumenta custo da expansão
O crescimento da operação bancária ainda enfrenta pressão do ambiente de juros elevados. Os custos financeiros avançaram 13,8% no trimestre e atingiram R$ 1,34 bilhão. Segundo a companhia, o impacto veio da taxa Selic média, maior patamar desde 2006.
Ao mesmo tempo:
- provisões para perdas cresceram 46,1%;
- despesas ligadas ao crédito avançaram mais de 100%;
- margem bruta caiu 3,1 pontos percentuais.
O cenário mostra um desafio para o PagBank. Quanto maior a expansão da carteira, maior também a necessidade de capital e de recursos para financiar crescimento sem deteriorar rentabilidade.
Mesmo assim, o lucro recorrente da companhia, indicador usado pelo mercado para medir desempenho operacional sem efeitos contábeis extraordinários, somou R$ 575 milhões no trimestre, alta de 3,8%.
Banking cresce enquanto adquirência perde espaço no resultado
O trimestre mostrou uma mudança importante dentro do PagBank. A divisão bancária passou a representar 25% da receita líquida da companhia, acima dos 19% registrados um ano antes.
Enquanto crédito e serviços financeiros ganharam espaço, a adquirência perdeu força relativa. A receita da divisão de pagamentos caiu 1,4%, enquanto o lucro bruto da operação recuou 11,3%, pressionado pelo custo financeiro e pelo ambiente de juros elevados.
O PagBank também ampliou sua base de depósitos. Os recursos captados dentro da própria plataforma cresceram 32,3%, ajudando a financiar a expansão da carteira de crédito PagBank e reduzindo dependência de captação externa.
O resultado mostra uma fintech menos dependente das maquininhas e mais próxima do modelo de banco digital, no qual crescimento e rentabilidade passam a depender cada vez mais da capacidade de expandir crédito sem pressionar margem e inadimplência.



