O lucro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no primeiro trimestre de 2026 atingiu R$ 3,1 bilhões, resultado que veio acompanhado de expansão da carteira de crédito, aumento dos desembolsos e inadimplência abaixo da média registrada no sistema financeiro.
O desempenho amplia o peso do BNDES no financiamento de longo prazo. Infraestrutura, agropecuária e indústria passaram a concentrar uma parcela maior dos recursos liberados pelo banco.
A expansão ocorre em um ambiente de juros ainda elevados e crédito privado mais seletivo para operações de longo prazo. Nesse cenário, o avanço do BNDES amplia a pressão sobre bancos privados e mercado de capitais no financiamento de grandes investimentos.
Com lucro trimestral, carteira do BNDES cresce e banco amplia espaço no crédito corporativo
A carteira de crédito do banco chegou a R$ 678,2 bilhões no primeiro trimestre, alta de 14% em um ano. O avanço aproxima o BNDES de R$ 1 trilhão em ativos e amplia o peso da instituição no financiamento corporativo.
O banco informou inadimplência de 0,046% na carteira. O índice ficou abaixo do percentual de 0,60% registrado pelo Banco Central em operações com atraso superior a 90 dias entre grandes empresas.
O presidente do banco, Aloizio Mercadante, afirmou que o crescimento ocorre “com qualidade”. A declaração acerca do lucro do BNDES tenta sustentar a expansão da carteira sem aumento relevante do risco de crédito.
Os desembolsos ficaram concentrados em quatro segmentos:
- Infraestrutura: R$ 13,4 bilhões, alta de 51%;
- Agropecuária: R$ 9,1 bilhões, avanço de 40%;
- Indústria: R$ 8 bilhões, crescimento de 67%;
- Comércio e serviços: R$ 5,7 bilhões, alta de 15%.
O avanço da indústria ganhou peso no trimestre porque coincide com a tentativa do governo de ampliar investimentos produtivos. Infraestrutura também passou a absorver mais recursos em projetos de energia, logística e saneamento.
Desembolsos do BNDES aceleram demanda por financiamento de longo prazo
A procura por crédito no banco disparou no início de 2026 e passou a sustentar o avanço do lucro do BNDES. As consultas de empresas interessadas em financiamento cresceram 65% e chegaram a R$ 84,4 bilhões no trimestre, sinal de pressão maior por recursos de longo prazo em um ambiente ainda marcado por juros elevados.
O avanço da demanda começou a se converter em operações efetivas. As aprovações somaram R$ 45,7 bilhões, alta de 37%, enquanto os desembolsos atingiram R$ 36,2 bilhões, avanço de 44% sobre o mesmo período do ano passado.
O movimento mostra um banco mais agressivo na liberação de recursos para infraestrutura, indústria e expansão produtiva. Nesse espaço, o crédito privado ainda opera com custo elevado e maior seletividade para projetos de maturação longa.
Com o aumento da procura, o BNDES passou até a preparar uma oficina para orientar empresas interessadas em acessar financiamento. Mercadante afirmou que o objetivo é ampliar o alcance das linhas de crédito em meio ao crescimento da demanda.
A aceleração das operações também melhora a rentabilidade da instituição e ajuda a explicar o avanço do lucro do BNDES no primeiro trimestre. O ROE recorrente ficou em 8,2%, alta de 0,6 ponto percentual em um ano.
Minerais críticos e inteligência artificial entram na nova agenda do banco
O banco passou a ampliar o foco em inovação, inteligência artificial e minerais críticos. A estratégia busca posicionar o BNDES em cadeias ligadas à transição energética e à indústria tecnológica.
Segundo Mercadante, existe demanda potencial de R$ 50 bilhões em empréstimos para investimentos em minerais críticos. O setor ganhou importância devido ao uso desses materiais em motores elétricos e baterias.
Além disso, o BNDES também vem concentrando recursos no Plano Safra e em linhas voltadas à inovação empresarial. A estratégia ocorre em meio à busca de empresas por produtividade e modernização tecnológica.
Nesse cenário, o lucro do BNDES deixa de representar apenas um resultado financeiro positivo. O desempenho mostra um banco público ampliando participação no financiamento de infraestrutura, indústria e projetos de longo prazo em um momento de crédito mais restritivo no mercado privado



