Pagamento por aproximação no transporte de SP impulsiona Autopass sob pressão do TCE

A Autopass alcançou 110 milhões de transações por aproximação no transporte paulista, movimentando quase R$ 5 bilhões. O crescimento amplia a digitalização da bilhetagem e mantém pressão do TCE sobre contrato.
Passageiro usa celular para pagamento por aproximação em bloqueio do transporte público de São Paulo
Pagamento por aproximação avança no transporte paulista e amplia uso de cartões bancários e dispositivos móveis nos sistemas de ônibus e trilhos (Foto: Reprodução)

O pagamento por aproximação no transporte úblico de São Paulo (SP) acelerou a expansão da Autopass na bilhetagem paulista e levou a empresa a 110 milhões de transações desde 2020. A operação, inclusive, consolidou quase R$ 5 bilhões movimentados no sistema estadual de transporte público.

O crescimento ocorreu principalmente nos ônibus intermunicipais paulistas, mas avançou recentemente nos trilhos metropolitanos operados por Metrô, Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e Motiva. A expansão amplia a presença da empresa dentro da arrecadação do transporte estadual.

A mudança aproxima a mobilidade urbana do sistema bancário digital. O embarque deixa de depender apenas de cartões exclusivos do transporte e passa a incorporar cartões bancários e dispositivos móveis dentro da mesma infraestrutura operacional.

Ônibus concentram avanço do pagamento por aproximação em SP

Mais de 102 milhões das transações registradas pela Autopass ocorreram nos ônibus intermunicipais paulistas. Nos trilhos metropolitanos, o volume ficou próximo de 4 milhões, número que ainda reflete fase inicial de adoção da tecnologia pelos passageiros.

O sistema permite pagamento por aproximação com cartões bancários e celulares sem necessidade de recarga prévia. A operação permanece integrada ao cartão TOP, Bilhete Único e QR Code dentro da mesma estrutura de validação do transporte público.

Segundo Bruno Berezin, CEO da Autopass, a interoperabilidade passou a ser requisito operacional da mobilidade urbana. O executivo afirmou que diferentes meios de pagamento tendem a coexistir no transporte coletivo, acompanhando hábitos digitais já consolidados em bancos e aplicativos financeiros.

Expansão da Autopass amplia peso financeiro da bilhetagem

A ampliação do cartão por aproximação no Metrô SP acelerou a integração entre transporte público e pagamentos digitais. O avanço reduz dependência de cartões físicos exclusivos e amplia o fluxo operacional baseado em meios bancários tradicionais.

A empresa também iniciou campanhas de orientação sobre uso da tecnologia nos validadores e bloqueios. A medida tenta acelerar a adaptação de passageiros que ainda não utilizam pagamento por aproximação no transporte público.

Berezin afirmou que a companhia ampliou atuação em outras regiões do país, incluindo Barretos, Embu das Artes e Belém. No Rio de Janeiro, a empresa opera um modelo baseado em conta digital que foi finalista do Transport Ticketing Global, premiação internacional realizada em Londres.

O crescimento da bilhetagem digital amplia o peso econômico das empresas responsáveis pela arrecadação do transporte urbano. A expansão da Autopass ocorre em um ambiente de migração acelerada da mobilidade para sistemas financeiros digitais.

Contratação sem licitação mantém pressão do TCE sobre empresa

Apesar do crescimento forte, a expansão operacional da Autopass no sistema de pagamento por aproximação dos transportes públicos de SP ocorre enquanto o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) mantém questionamentos sobre o modelo de contratação adotado na bilhetagem paulista desde 2020.

A empresa foi escolhida pela Associação de Apoio e Estudo da Bilhetagem e Arrecadação nos Serviços Públicos de Transporte Coletivo de Passageiros do Estado de São Paulo (Abasp), entidade criada por Metrô, CPTM e Consórcio Metropolitano de Transportes.

O tribunal questionou a ausência de licitação no processo após identificar vínculos entre dirigentes da Abasp e estruturas ligadas à Autopass. O empresário Fernando Mendes Nogueira, que presidia a associação e atuava no Consórcio Metropolitano de Transportes, também integrava um fundo associado à empresa.

O governo Tarcísio de Freitas afirmou que o modelo possui respaldo técnico e jurídico e declarou que a estrutura gera vantagens operacionais para o sistema estadual. Segundo o portal BRAZIL ECONOMY, a Autopass afirmou que a contratação ocorreu dentro dos critérios aplicáveis ao modelo vigente no Estado.

Pagamento por aproximação amplia pressão sobre controle do transporte público de SP

O avanço do pagamento por aproximação no transporte em SP acelera uma mudança estrutural na mobilidade urbana paulista. A bilhetagem deixa de funcionar apenas como sistema de acesso ao transporte e passa a operar como infraestrutura financeira integrada ao fluxo bancário digital.

A expansão da Autopass ocorre em um momento de maior dependência tecnológica dos operadores públicos. O crescimento amplia a pressão sobre transparência, governança e concentração da infraestrutura digital responsável pela arrecadação do transporte paulista.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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