O que explica o prejuízo da Natura no 1T26 e a queda das margens

A Natura ampliou o prejuízo no primeiro trimestre após queda nas vendas, retração do Ebitda e pressão operacional da Avon. A desaceleração do consumo no Nordeste e a perda de produtividade das consultoras afetaram margens e resultado da companhia.
Imagem da loja da Natura para ilustrar uma matéria jornalística sobre o Prejuízo da Natura.
Natura amplia prejuízo no 1T26 com queda nas vendas e margens. (Imagem: divulgação/Natura)

A Natura (NTCO3) registrou prejuízo líquido de R$ 445 milhões no primeiro trimestre de 2026 (1T26), resultado quase três vezes maior que as perdas do mesmo período do ano passado. O balanço também mostrou queda nas vendas, retração operacional e pressão crescente sobre margens.

A receita líquida caiu 7,7%, para R$ 4,75 bilhões, enquanto o Ebitda recorrente recuou 55,7%, somando R$ 346 milhões. O resultado veio abaixo das expectativas do mercado e aumentou a pressão sobre a recuperação operacional da companhia.

As ações da Natura fecharam o dia em queda de 1,8%, refletindo preocupações com desaceleração do consumo, desempenho fraco da Avon e perda de produtividade no modelo de venda direta.

Resultado da Natura fica abaixo das expectativas do mercado

Analistas esperavam Ebitda de R$ 430 milhões no trimestre, segundo dados da LSEG. A receita líquida veio acima das projeções médias, mas a rentabilidade decepcionou investidores.

A companhia atribuiu parte da piora a mudanças no modelo operacional e redução de receita durante o trimestre.

O resultado expôs uma combinação de pressões:

  • desaceleração do consumo;
  • menor atividade de consultoras;
  • fraqueza da Avon no Brasil;
  • margens menores;
  • retomada lenta na América Latina.

O mercado acompanha o balanço com atenção porque a Natura tenta reorganizar sua estrutura operacional enquanto busca recuperar crescimento e rentabilidade após anos de integração da Avon.

Queda nas vendas no Nordeste pressiona resultado da Natura

A companhia afirmou que o sell-in da marca Natura ficou abaixo das expectativas devido à desaceleração do consumo no Nordeste.

A região tem peso relevante para a empresa porque concentra forte presença da venda direta e maior penetração de consultoras.

Segundo a Natura, houve:

  • redução do número de consultoras menos produtivas;
  • queda na atividade comercial;
  • menor ritmo de pedidos;
  • pressão sobre o volume vendido.

O dado chama atenção porque o modelo da Natura depende diretamente da produtividade da rede de consultoras para sustentar escala e margem operacional.

Quando o ritmo de vendas desacelera, os impactos aparecem rapidamente em:

  • rentabilidade;
  • diluição de custos;
  • geração de caixa;
  • crescimento das receitas.

A desaceleração no Nordeste amplia o sinal de alerta porque a região historicamente sustenta parte relevante do desempenho comercial da companhia.

Avon e margens menores aumentam pressão sobre a Natura

O balanço também mostrou fraqueza das marcas Natura e Avon no Brasil durante o trimestre.

Embora o relançamento da Avon tenha começado em março, a operação ainda não conseguiu compensar a deterioração das margens e a perda de ritmo das vendas.

Na América Latina, excluindo Brasil e Argentina, a companhia afirmou que a retomada segue lenta.

Os dados regionais reforçaram a pressão operacional:

  • receita caiu 5,5% no Brasil;
  • região hispânica recuou 1,1%;
  • margens pioraram nas duas operações.

A Avon continua sendo um dos principais desafios estratégicos da Natura desde a integração das marcas.

Investidores monitoram principalmente:

  • recuperação das margens;
  • retomada da produtividade comercial;
  • geração de caixa;
  • capacidade de crescimento sustentável.

Até agora, os resultados ainda mostram recuperação lenta e custos elevados para reorganizar a operação.

Natura vê sinais de melhora, mas mercado ainda reage com cautela

Apesar do prejuízo elevado, a Natura afirmou que surgiram sinais positivos no fim do 1T26.

Segundo a companhia, o sell-out da marca Natura voltou a ganhar participação de mercado e registrou crescimento sequencial no encerramento do período.

A empresa também afirmou que:

  • métricas da Avon começaram a melhorar;
  • novos produtos venderam acima das expectativas;
  • indicadores operacionais evoluíram no fim do trimestre.

O discurso busca sustentar a narrativa de recuperação gradual após meses de pressão operacional.

Ainda assim, investidores seguem cautelosos porque a companhia precisa demonstrar melhora consistente em vendas, margens e geração de resultado nos próximos trimestres.

O balanço amplia as dúvidas sobre a velocidade da recuperação operacional da empresa e mostra que o ambiente de consumo mais fraco continua pressionando o desempenho da Natura.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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