A Petrobras (PETR3; PETR4) registrou lucro líquido de R$ 32,66 bilhões no primeiro trimestre de 2026 (1T26), resultado alinhado às projeções do mercado. Apesar do petróleo mais caro no período, o balanço mostrou piora na geração de caixa e avanço da dívida da estatal.
O resultado reforçou uma mudança importante na leitura dos investidores sobre a companhia. O lucro segue elevado, mas o mercado começou a concentrar atenção na qualidade financeira da operação, principalmente após a forte queda do fluxo de caixa livre.
Mesmo com Brent acima de US$ 80, a Petrobras ainda não capturou integralmente essa alta nas receitas do trimestre, segundo a própria companhia.
Fluxo de caixa da Petrobras preocupa investidores no 1T26
O principal ponto de atenção do balanço foi o fluxo de caixa livre, que caiu 22,9%, para R$ 20 bilhões. No mesmo período do ano passado, o indicador havia somado R$ 26 bilhões.
O fluxo de caixa operacional também recuou 10,9%, para R$ 44 bilhões.
Segundo a Petrobras, a piora ocorreu principalmente por efeitos ligados ao capital de giro. Entre os fatores citados pela companhia estão:
- aumento de estoques;
- exportações ainda em andamento;
- crescimento de despesas com fornecedores;
- avanço das contas a receber;
- impacto da subvenção do diesel.
A estatal informou ainda que os valores a receber do governo federal ligados ao programa do diesel chegaram a R$ 741 milhões no fechamento de março.
Pelo funcionamento do programa, as empresas vendem combustível dentro dos parâmetros definidos pelo governo e aguardam ressarcimento posterior após comprovação dos descontos aplicados.
A deterioração do caixa ganhou peso porque ocorreu justamente em um trimestre de petróleo mais valorizado, cenário que normalmente amplia a geração de recursos para petroleiras exportadoras.
Petrobras explica por que petróleo caro ainda não entrou totalmente no resultado
O Brent médio ficou em US$ 80,61 por barril no trimestre, alta de 6,5% sobre o mesmo período de 2025. Ainda assim, a Petrobras afirmou que o avanço recente do petróleo praticamente não apareceu nas receitas do primeiro trimestre.
Segundo a companhia, existe uma defasagem natural entre o embarque do petróleo e o reconhecimento contábil das vendas internacionais.
Em mercados como o asiático, por exemplo, os contratos utilizam preços médios do mês anterior à chegada da carga ao destino. Isso reduz o impacto imediato da alta do Brent nos resultados trimestrais.
A estatal também afirmou que o recorde recente de produção ainda não foi totalmente refletido nas receitas pela mesma lógica operacional.
O mercado passou a olhar esse ponto com atenção porque ele pode mudar os números do segundo trimestre caso o petróleo permaneça em patamares elevados.
Lucro da Petrobras esconde avanço da dívida no 1T26
Embora o lucro tenha vindo dentro das expectativas, alguns indicadores financeiros mostraram deterioração na Petrobras.
O Ebitda ajustado ficou em R$ 59,6 bilhões, leve queda de 2,4% na comparação anual. Sem ajustes, o indicador teria atingido R$ 62,88 bilhões, alta de 1,4%.
Os ajustes feitos pela Petrobras incluem:
- participação em investimentos;
- impairment;
- acordos de coparticipação;
- alienação de ativos.
A Petrobras também destacou que o lucro sem eventos exclusivos no 1T26 ficou praticamente estável em R$ 32,7 bilhões.
Mesmo assim, a dívida líquida avançou para US$ 62 bilhões, crescimento de 10,8% em relação ao primeiro trimestre de 2025.
A alavancagem ficou em 1,43 vez dívida líquida sobre Ebitda ajustado, abaixo do registrado um ano antes.
No trimestre, os investimentos da Petrobras somaram US$ 5,1 bilhões, alta anual de 25,6%. O segmento de Exploração e Produção concentrou 87,4% do total investido.
A receita de vendas atingiu R$ 123,86 bilhões, avanço de 0,4%.
O que muda para dividendos e ações PETR4 após o resultado
A queda do fluxo de caixa tende a aumentar a cautela do mercado sobre a capacidade da Petrobras de sustentar dividendos extraordinários elevados nos próximos trimestres.
O caixa mais pressionado também amplia o monitoramento sobre o crescimento da dívida, especialmente em um cenário de investimentos mais altos e maior interferência em políticas de combustíveis.
Por outro lado, investidores seguem atentos ao potencial efeito positivo do petróleo mais caro sobre os resultados do segundo trimestre.
Caso o Brent elevado finalmente entre nas receitas das exportações, a Petrobras poderá recuperar parte da geração de caixa perdida no início de 2026.
Isso pode aliviar a pressão sobre a dívida e melhorar novamente as expectativas para distribuição de dividendos, ponto que segue no centro das atenções dos acionistas da Petrobras.



