O resultado da Natura divulgado na segunda-feira (16/03) mostrou Ebitda recorrente de R$ 978 milhões no quarto trimestre, superando as projeções do mercado e marcando um avanço operacional relevante para a companhia.
Esse desempenho da Natura ficou acima da estimativa média de R$ 741 milhões, segundo dados da LSEG. A diferença reforça a leitura de que a empresa conseguiu elevar sua eficiência interna, mesmo em um ambiente de pressão sobre as receitas.
A melhora do indicador foi sustentada, sobretudo, pela redução superior a 20% nas despesas operacionais e nos custos com vendas. Com isso, a empresa ampliou sua margem operacional, evidenciando ganhos de produtividade após um ciclo recente de ajustes estratégicos.
Rentabilidade da empresa contrasta com queda de receita
Apesar do avanço no Ebitda, a receita líquida somou R$ 6,19 bilhões no período, uma retração de 12,1% na comparação anual. O número também ficou abaixo da expectativa do mercado, que projetava R$ 6,74 bilhões.
Esse descompasso entre rentabilidade e faturamento reforça uma leitura mais cautelosa sobre o desempenho comercial. Embora a companhia tenha melhorado sua eficiência, a pressão sobre as vendas ainda limita uma recuperação mais equilibrada.
Por outro lado, as vendas em mesmas lojas cresceram 1,4%, indicando estabilidade em parte da operação. Ainda assim, o desempenho foi impactado pelo modelo antigo de franquias, que segue em transição para um novo formato previsto para avançar ao longo de 2026.
Resultado da Natura reflete efeitos da reestruturação
O avanço operacional também aparece na linha final das contas. A companhia registrou lucro líquido de R$ 186 milhões nas operações continuadas, revertendo o prejuízo de R$ 227 milhões apurado no mesmo período anterior.
No consolidado da Natura, ainda houve prejuízo de R$ 321 milhões no trimestre, mas menor que os R$ 438 milhões registrados um ano antes. No acumulado anual, a empresa reduziu o prejuízo em 75,3%, para R$ 2,2 bilhões.
Ao considerar apenas operações continuadas, o lucro foi de R$ 463 milhões em 2025, mesmo com despesas de R$ 511 milhões relacionadas a desinvestimentos, incluindo ajustes ligados à venda da The Body Shop.
Esse conjunto de números indica que a reorganização do portfólio começa a se refletir nos indicadores operacionais. Segundo leitura de analistas, a empresa avança na separação entre resultados recorrentes e efeitos extraordinários, o que tende a dar maior transparência ao balanço.
Diante desse cenário, o resultado da Natura aponta uma companhia mais eficiente, mas ainda pressionada na frente comercial, o que deve manter o mercado atento aos próximos passos da estratégia de crescimento.





