IPCA de abril desacelera, mas inflação de comida e remédios amplia pressão no consumo em 2026

O IPCA de abril de 2026 perdeu força no índice geral, mas alimentos, medicamentos, gás e energia continuaram pressionando o custo essencial das famílias.
Carrinho de supermercado com alimentos e produtos básicos em corredor de mercado, em cenário que representa a pressão da inflação sobre despesas essenciais.
Alta de alimentos, medicamentos e energia manteve pressão sobre o custo de vida mesmo com desaceleração do IPCA em abril. (Foto: Ilustrativa)

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril de 2026 subiu 0,67%, abaixo dos 0,88% registrados em março, segundo divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (12/05). Mesmo com a desaceleração mensal, a inflação acumulada em 12 meses avançou para 4,39%.

A perda de força do índice geral não reduziu a pressão sobre despesas recorrentes. Alimentos, medicamentos, combustíveis, gás de cozinha e energia continuaram entre os principais focos de alta no consumo doméstico.

A desaceleração ocorreu em meio à queda de 14,45% nas passagens aéreas e à redução de tarifas do transporte público em algumas capitais. Sem esses recuos, o índice teria encerrado abril mais próximo do patamar observado em março. Atuando como o índice oficial de inflação do Brasil, o IPCA, mede a variação de preços de uma cesta de produtos e serviços consumida pelas famílias, indicando se o custo de vida aumentou ou diminuiu

Alimentos voltam ao centro da inflação em 2026 no IPCA de abril

O grupo Alimentação e bebidas avançou 1,34% em abril e respondeu pelo maior impacto do índice, com 0,29 ponto percentual. No acumulado do ano, a alta do grupo chegou a 3,44%.

A alimentação no domicílio subiu 1,64%, puxada pela disparada de produtos básicos:

  • Cenoura: 26,63%
  • Leite longa vida: 13,66%
  • Cebola: 11,76%
  • Tomate: 6,13%
  • Carnes: 1,59%

O avanço dos alimentos ampliou a pressão sobre itens menos substituíveis dentro do orçamento. A inflação voltou a atingir produtos consumidos diariamente, cenário que reduz o efeito prático da desaceleração do IPCA cheio.

Gasolina e energia seguem pressionando despesas essenciais

O grupo Transportes desacelerou de 1,64% em março para 0,06% em abril. Mesmo assim, a gasolina continuou como o principal impacto individual do IPCA de abril com alta de 1,86% em 2026.

Outros combustíveis também avançaram:

  • Óleo diesel: 4,46%
  • Etanol: 0,62%
  • Gás veicular: -1,24%

Na habitação, o gás de botijão subiu 3,74%, enquanto a energia elétrica residencial avançou 0,72% após reajustes em concessionárias do Rio de Janeiro, Salvador, Recife e Campo Grande.

Medicamentos aceleram inflação da saúde

O grupo Saúde e cuidados pessoais subiu 1,16% em abril e registrou o segundo maior impacto no índice geral, com 0,16 ponto percentual.

Os produtos farmacêuticos avançaram 1,77% após a autorização do reajuste de até 3,81% nos medicamentos a partir de abril. Produtos de higiene pessoal também aceleraram no mês.

A inflação da saúde ampliou a pressão sobre gastos recorrentes em um momento de encarecimento simultâneo da alimentação e da habitação. O movimento aumentou o peso dos custos essenciais dentro do orçamento doméstico.

Diferença regional mostra inflação mais espalhada

Segundo o IPCA, Goiânia foi a região brasileira que registrou a maior inflação do país em abril, com alta de 1,12%, pressionada principalmente pela gasolina em 2026 e pela taxa de água e esgoto. Por outro lado, Brasília teve a menor variação, com 0,16%.

Entre as capitais e regiões pesquisadas, também tiveram altas acima da média nacional:

  • São Luís: 1,09%
  • Belém: 1,08%
  • Campo Grande: 1,02%

O avanço regional mostra que a inflação permaneceu disseminada mesmo com a desaceleração do índice agregado. A pressão deixou de se concentrar apenas em combustíveis e passou a atingir diferentes grupos essenciais de consumo.

Desaceleração do IPCA de abril não reduz pressão sobre consumo em 2026

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação das famílias de renda mais baixa, subiu 0,81% em abril e acumulou uma alta de 4,11% em 12 meses.

Os dados mostram que a desaceleração do IPCA ocorreu mais por fatores pontuais do que por um alívio amplo nos preços essenciais. Alimentação, saúde, energia e combustíveis continuaram avançando acima do índice geral.

O IPCA de abril indicou perda de força no indicador agregado em 2026, mas manteve elevada a pressão sobre despesas recorrentes. O cenário amplia a dificuldade de redução mais consistente da inflação nos próximos meses.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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