A inflação dos alimentos continuou pressionando o supermercado em abril, mesmo com desaceleração do IPCA. Carne, leite e hortaliças seguiram em alta e mantiveram a comida entre os principais pesos no orçamento das famílias, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O grupo Alimentação e bebidas subiu 1,34% no mês e respondeu sozinho por 0,29 ponto percentual do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que avançou 0,67% em abril. Mesmo abaixo da alta registrada em março, o custo da alimentação segue pressionando as compras básicas.
O avanço dos alimentos continua sendo o principal foco inflacionário percebido pelas famílias, especialmente dentro de casa, onde os preços subiram mais que a inflação geral.
Carne, leite e hortaliças mantiveram pressão no supermercado
Os alimentos consumidos no domicílio ficaram 1,64% mais caros em abril. A alta atingiu itens essenciais da cesta de compras e ampliou a percepção de encarecimento no supermercado.
As maiores altas do mês foram:
- Cenoura: 26,63%
- Morango: 17,35%
- Leite longa vida: 13,66%
- Cebola: 11,76%
- Tomate: 6,13%
- Carnes: 1,59%
A alta da carne bovina voltou a preocupar porque tende a continuar ao longo do ano. A oferta menor de animais disponíveis para abate começou a reduzir a disponibilidade no mercado após um período de produção recorde em 2025.
O leite longa vida também ampliou a pressão sobre produtos considerados básicos no consumo doméstico. Quando proteínas, hortaliças e derivados sobem ao mesmo tempo, o impacto se espalha rapidamente pela cesta alimentar.
Café e frango ficaram mais baratos, mas alívio ainda é limitado
Alguns produtos registraram queda em abril e ajudaram a reduzir parte da pressão sobre o IPCA. O café moído caiu 2,30% depois de meses seguidos de forte alta.
Também tiveram redução de preços:
- Frango em pedaços: -2,14%
- Maçã: -3,25%
- Abobrinha: -7,36%
- Banana-maçã: -7,85%
- Laranja-lima: -7,96%
A expectativa do mercado é que o café continue desacelerando nos próximos meses por causa da previsão de safra maior no Brasil. O aumento da oferta tende a aliviar parte da pressão inflacionária sobre o produto.
Mesmo assim, economistas avaliam que o café dificilmente voltará aos preços observados antes da disparada recente. O produto ainda acumula forte valorização nos últimos anos.
A queda pontual de alguns itens não mudou a percepção geral do consumidor. A comida continua cara porque os aumentos atingem produtos básicos consumidos diariamente nas compras do mês.
Diesel mais caro virou fator invisível da inflação dos alimentos
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou dois fatores centrais para a alta dos alimentos:
- menor oferta agrícola;
- aumento do custo do transporte.
Segundo Fernando Gonçalves, gerente do IPCA no instituto, o encarecimento dos combustíveis aumentou o custo do frete no país. Como grande parte da produção agrícola depende de caminhões, o diesel mais caro passou a pressionar o preço final dos alimentos.
Os combustíveis subiram 1,80% em abril. O diesel avançou 4,46% no período.
O efeito é mais intenso em produtos perecíveis, como tomate, cebola e hortaliças, que dependem de transporte rápido entre regiões produtoras e centros urbanos.
A combinação entre frete elevado e oferta reduzida cria risco de pressão mais persistente sobre os preços da comida nos próximos meses, mesmo com desaceleração parcial do IPCA.
Inflação perto do teto amplia pressão sobre juros e consumo
Nos últimos 12 meses, o IPCA acumulado passou de 4,14% para 4,39%, aproximando-se novamente do teto da meta contínua definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
A meta oficial é de 3%, com limite máximo de 4,5%.
Além da alimentação, o grupo Saúde e cuidados pessoais também pressionou a inflação em abril, com alta de 1,16%. Juntos, os dois segmentos responderam por cerca de 67% do resultado mensal do índice.
A persistência da inflação dos alimentos aumenta a pressão sobre juros, crédito e consumo no Brasil. Mesmo com desaceleração em alguns produtos, carne, leite e hortaliças continuam sustentando a percepção de comida cara no supermercado brasileiro.



