O lucro do PagBank chegou a R$ 575 milhões no primeiro trimestre de 2026 (1T26), alta anual de 4%, em um momento de juros elevados e inadimplência no maior nível desde 2017 no sistema financeiro brasileiro.
O banco digital ampliou crédito, depósitos e receitas, mesmo em um ambiente que já pressiona parte das instituições financeiras. O PagBank também elevou sua projeção para a Selic em 13,50% no fim do ano.
O resultado reforça uma estratégia de expansão do banking, enquanto parte do mercado desacelera concessões e endurece critérios de crédito diante do avanço do risco financeiro no país.
PagBank amplia lucro e receitas com avanço do banking no 1T26
A receita líquida do banco somou R$ 3,3 bilhões, crescimento anual de 6%, impulsionada pela aceleração da plataforma de banking e pelo aumento da movimentação financeira dentro do ecossistema da companhia.
O indicador de rentabilidade ROAE avançou para 15,8%, alta de 80 pontos-base em relação ao mesmo período do ano passado. O número indica melhora operacional mesmo em um cenário de custo financeiro elevado.
A base de clientes chegou a 34 milhões, avanço de 6%. O crescimento sustentou o aumento do volume de cash-in, que atingiu R$ 81 bilhões no trimestre.
Entre os principais indicadores do resultado:
- depósitos cresceram 23%, para R$ 42 bilhões;
- carteira de crédito avançou 36%, para R$ 5 bilhões;
- cash-in subiu 11%;
- lucro ficou levemente abaixo da projeção do mercado.
Analistas consultados pela LSEG esperavam lucro líquido de R$ 580 milhões.
Selic alta pressiona margem do PagBank mesmo com avanço do crédito
A mensagem mais relevante do balanço veio da avaliação do banco sobre o ambiente macroeconômico. A instituição agora trabalha com uma Selic próxima de 13,50% no fim do ano.
A revisão reforça a percepção de juros elevados por mais tempo, cenário que aumenta pressão sobre consumo, crédito e inadimplência.
Mesmo assim, o PagBank afirmou conseguir operar com estabilidade porque ainda possui uma carteira de crédito relativamente pequena quando comparada aos grandes bancos.
A companhia sinalizou que sabe navegar em ambientes de “alto grau de instabilidade e incerteza”, em uma tentativa de transmitir resiliência ao mercado financeiro.
O posicionamento ocorre em meio à deterioração do crédito no país. Dados do Banco Central mostram que a inadimplência em recursos livres atingiu 5,5% em fevereiro, maior patamar desde agosto de 2017.
Carteira de crédito cresce acima da projeção do banco
A expansão da carteira de crédito chamou atenção porque superou levemente o guidance divulgado anteriormente pela própria instituição financeira.
O banco projetava:
- crescimento entre 25% e 35% para o ano;
- expansão gradual do crédito;
- avanço controlado da operação financeira.
Mesmo em juros elevados, a carteira avançou 36%, alcançando R$ 5 bilhões.
A estratégia mostra que o PagBank tenta acelerar ganho de escala em serviços financeiros enquanto parte do setor reduz exposição a operações mais arriscadas.
O banco pontua que os efeitos da inadimplência ainda têm impacto limitado porque a operação de crédito continua em estágio inicial quando comparada aos grandes concorrentes do setor bancário.
Ainda assim, o avanço da carteira em um ambiente de Selic elevada aumenta a atenção do mercado sobre a capacidade de manter crescimento sem deterioração futura da qualidade do crédito.
Desenrola tem impacto reduzido sobre o resultado do PagBank
O banco também afirmou enxergar pouco impacto do Novo Desenrola sobre seus números.
Para o PagBank, o programa é positivo para estimular renegociação de dívidas e consumo, mas possui relevância limitada devido ao tamanho ainda reduzido da carteira de crédito da companhia.
O governo federal lançou uma nova etapa do programa prevendo:
- até R$ 15 bilhões em garantias da União;
- renegociação para famílias e pequenas empresas;
- impacto fiscal estimado em até R$ 5 bilhões.
Para bancos tradicionais, programas de renegociação costumam gerar efeitos maiores porque envolvem carteiras mais robustas e maior exposição ao crédito de varejo.
No caso do PagBank, o foco permanece na expansão gradual da operação bancária enquanto o banco tenta sustentar crescimento de receitas e clientes em um ambiente prolongado de juros altos.
O lucro do PagBank no 1T26 mostra que o banco digital ainda consegue expandir operação financeira mesmo sob pressão macroeconômica, mas o avanço acelerado do crédito em meio à Selic elevada passa a aumentar a atenção do mercado sobre os próximos trimestres.



