A União Europeia (UE) suspendeu a autorização para exportações brasileiras de carne e produtos de origem animal a partir de 3 de setembro (03/09), alegando que o país não atende às novas exigências sobre o uso de antimicrobianos na pecuária.
A decisão pressiona um mercado que movimentou US$ 1,8 bilhão em vendas brasileiras no último ano e amplia a vantagem competitiva de Argentina, Paraguai e Uruguai, mantidos na lista de exportadores autorizados pela UE.
A exclusão brasileira acontece poucos dias após a entrada em vigor do acordo Mercosul-União Europeia. O movimento aumenta a pressão sobre frigoríficos brasileiros voltados ao mercado premium europeu.
Por que a UE suspendeu carne brasileira
A Comissão Europeia afirma que o Brasil não comprovou conformidade total com as novas regras sanitárias sobre antimicrobianos usados na pecuária. Esses produtos incluem antibióticos aplicados para prevenir doenças ou acelerar o crescimento dos animais durante a produção.
A União Europeia endureceu as exigências porque autoridades sanitárias do bloco avaliam que o uso excessivo desses medicamentos pode aumentar a resistência de bactérias a antibióticos usados em humanos, reduzindo a eficácia de tratamentos médicos contra infecções.
Pelas regras europeias, substâncias consideradas essenciais para a medicina humana não podem ser utilizadas na produção animal destinada ao mercado europeu sem controle rigoroso e rastreabilidade completa da cadeia produtiva.
Portanto, a suspensão da UE a exportação da carne brasileira atinge também os principais segmentos da agropecuária nacional, entre eles:
- bovinos
- aves
- equinos
- ovos
- produtos de aquicultura
Até 2025, o Brasil exportava carne bovina, frango, mel e pescado ao mercado europeu. Com a nova diretriz, os embarques podem ser interrompidos caso auditorias técnicas não validem todas as etapas de criação, alimentação, tratamento veterinário e processamento dos animais.
A porta-voz da Comissão Europeia para a Saúde, Eva Hrncirova, afirmou que o bloco mantém diálogo com autoridades brasileiras para solucionar as pendências sanitárias e permitir uma eventual retomada das exportações.
Rivais do Mercosul ganham espaço no mercado europeu
A decisão da UE de suspender a carne brasileira pode alterar o equilíbrio competitivo dentro do Mercosul. Isso porque, enquanto o Brasil perde autorização, Argentina, Paraguai e Uruguai permanecem aptos a vender carne para a Europa.
O cenário, portanto, cria vantagem comercial para frigoríficos desses países em um mercado considerado mais rentável para proteínas premium e produtos com maior valor agregado.
A pressão política dentro da Europa também influenciou o ambiente regulatório. Agricultores europeus, especialmente franceses, já criticaram o acordo Mercosul-UE e cobraram regras sanitárias mais rígidas para produtos importados.
Nesse contexto, o embargo europeu à carne brasileira ganha peso além da área sanitária e passa a funcionar como barreira comercial indireta ao agro brasileiro.
Frigoríficos brasileiros enfrentam pressão sobre exportações
A União Europeia foi o segundo principal destino das exportações brasileiras de carne no último ano, atrás apenas da China, segundo dados do Ministério da Agricultura.
O mercado europeu concentrou:
- US$ 1,8 bilhão em exportações
- cortes bovinos premium
- vendas de frango processado
- produtos com maior margem para frigoríficos
Com a possível suspensão da carne brasileira pela UE, empresas exportadoras agora enfrentam:
- custo maior de adequação sanitária
- necessidade de rastreabilidade ampliada
- revisão de protocolos veterinários
- risco de perda de contratos internacionais
O comissário europeu para Agricultura, Christophe Hansen, afirmou que países exportadores precisam seguir os mesmos padrões sanitários exigidos dos produtores europeus.
Agora, a retomada das exportações dependerá da validação técnica das garantias sanitárias apresentadas pelo governo brasileiro. Até lá, a suspensão da carne brasileira pela UE deve ampliar a vantagem regional dos concorrentes do Mercosul e pressionar um dos mercados mais valiosos da exportação agropecuária do país.



