Preço dos fertilizantes sobe com guerra no Oriente Médio e pressiona custos do agro

A guerra no Oriente Médio pressiona o preço dos fertilizantes no mercado global. Como o Brasil importa até 90% desses insumos, o custo do agronegócio sobe e pode impactar a inflação dos alimentos nos próximos meses.
Preço dos fertilizantes sobe com guerra no Oriente Médio
Preço dos fertilizantes sobe com guerra no Oriente Médio. Imagem: Canva

O preço dos fertilizantes já começa a subir no mercado global com a escalada da guerra no Oriente Médio, elevando o custo de produção do agronegócio brasileiro. Como o país depende fortemente da importação desses insumos, o impacto tende a ser direto no campo e pode pressionar os preços agrícolas nas próximas safras.

Dados recentes do mercado internacional mostram que os fertilizantes nitrogenados já registram alta relevante nas últimas semanas, com a ureia reagindo às tensões no Oriente Médio e ao risco logístico na região.

O movimento ocorre em um momento crítico. Produtores precisam comprar agora os fertilizantes da safra do segundo semestre, o que faz com que custos mais altos hoje já afetem a produção futura.

Por que o preço dos fertilizantes está subindo

A alta está diretamente ligada à instabilidade no Oriente Médio, responsável por cerca de 20% da oferta global de fertilizantes, como ureia, amônia e enxofre.

Esses produtos são fabricados a partir do gás natural, principal matéria-prima da região. Com a escalada do conflito e o risco logístico no Estreito de Ormuz, uma das rotas comerciais mais importantes do mundo, o fornecimento global fica mais caro e incerto.

Esse cenário já provoca reação nos preços internacionais dos fertilizantes.

Estreito de Ormuz eleva risco de alta ainda maior

O Estreito de Ormuz concentra um dos principais gargalos da crise. A rota é essencial para o escoamento de energia e fertilizantes produzidos no Golfo Pérsico.

Se houver bloqueio prolongado, o impacto pode ir além da alta de preços e atingir o volume disponível no mercado. Nesse caso, o custo tende a subir ainda mais diante da possível escassez de insumos.

Se a passagem for normalizada até maio, a tendência é de preços elevados, mas sem falta de produto. Caso contrário, o cenário se agrava.

Brasil sente mais o impacto

O Brasil está entre os países mais expostos à alta do preço dos fertilizantes. O país importa entre 85% e 90% dos insumos agrícolas que utiliza.

Isso significa que qualquer oscilação externa é rapidamente repassada ao campo. Cerca de 40% do custo de produção agrícola depende de fertilizantes, o que significa que qualquer alta relevante nesses insumos tem impacto direto na rentabilidade do produtor.

O cenário atual repete, em parte, o que ocorreu após o início da guerra na Ucrânia, quando os fertilizantes dispararam no mercado global e elevaram significativamente os custos do agronegócio. A diferença agora é que o mercado já opera mais ajustado, o que reduz a margem de reação. 

Mercado global já pressionado amplia a alta

O cenário atual se soma a um mercado que já vinha tensionado. Após a guerra na Ucrânia, o Brasil buscou novos fornecedores, mas o equilíbrio segue frágil.

Além disso, a China, um dos principais exportadores, restringiu suas vendas externas, reduzindo ainda mais a oferta global. Com menos produto disponível, os preços dos fertilizantes sobem em todo o mundo.

Impacto direto na próxima safra

A alta do preço dos fertilizantes chega em um momento decisivo. A compra dos insumos ocorre agora, e o custo maior será incorporado à safra do segundo semestre. Em muitos casos, a única alternativa é absorver o aumento de custos. Esse movimento reduz margens e pressiona toda a cadeia agrícola.

Na prática, isso significa que o produtor pode gastar mais para plantar a mesma área ou reduzir o uso de fertilizantes, o que compromete a produtividade e o volume colhido.

Consequência vai além do campo

O repasse desses custos ao longo da cadeia não é imediato e costuma levar alguns meses, acompanhando o ciclo de produção agrícola até chegar ao mercado.

Com custos mais elevados, o agronegócio perde eficiência e pode pressionar os preços agrícolas. Esse efeito, com o tempo, chega ao consumidor. A intensidade dependerá da duração da guerra e da normalização do mercado global de fertilizantes.

Dependência estrutural expõe fragilidade

A crise evidencia um problema estrutural. O Brasil, mesmo sendo potência agrícola, não produz fertilizantes suficientes para sua própria demanda. Essa dependência externa torna o país vulnerável a crises internacionais. Sempre que há instabilidade global, o custo do agro sobe rapidamente.

A guerra no Oriente Médio já provoca uma alta no preço dos fertilizantes e pressiona o agronegócio brasileiro em um momento decisivo do calendário agrícola.

O impacto ainda está em formação, mas segue um caminho claro: custos mais altos no campo e pressão sobre toda a cadeia produtiva. Enquanto o Brasil depender de importações, continuará exposto a choques externos que começam longe, mas impactam diretamente o custo da produção agrícola e a economia do país.

Foto de Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino é jornalista formada pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção jornalística e em conteúdos analíticos sobre negócios, investimentos e tecnologia aplicada às empresas, além de experiência em coberturas digitais e projetos editoriais.

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