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Tecnologia evita freada maior do setor de serviços no Brasil após perda de força dos transportes

O avanço dos serviços em abril esconde uma mudança importante: tecnologia acelera, enquanto transportes deixam de puxar o crescimento. Entenda o que os dados do IBGE revelam sobre a economia.
Setor de serviços no Brasil: técnico realiza manutenção em torre de telecomunicações ao ar livre.
Tecnologia da informação e telecomunicações lideraram o crescimento do setor de serviços no Brasil no primeiro quadrimestre de 2026, segundo o IBGE. (Foto: Reprodução)

O setor de serviços no Brasil voltou a crescer em abril, mas os motores da expansão ficaram mais concentrados. Enquanto atividades ligadas à tecnologia, software, internet e telecomunicações ampliaram sua participação no crescimento, segmentos ligados ao transporte passaram a mostrar sinais de desaceleração.

Os dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (11/06), ajudam a explicar por que o setor continua avançando mesmo em um ambiente de juros elevados e atividade econômica menos aquecida.

A alta de 1,2% registrada em abril recuperou parte da queda de março, mas não eliminou um movimento mais amplo de perda de velocidade observado ao longo dos últimos meses.

Tecnologia concentra os principais vetores de crescimento do setor de serviços no Brasil

O desempenho mais forte continua vindo dos serviços ligados à transformação digital da economia.

No acumulado de janeiro a abril, os serviços de informação e comunicação cresceram 6,4%, liderando com folga entre os grandes grupos pesquisados pelo IBGE.

Dentro desse segmento, os destaques para o setor de serviços no Brasil foram:

  • Consultoria em tecnologia da informação;
  • Desenvolvimento e licenciamento de softwares;
  • Hospedagem e processamento de dados;
  • Plataformas digitais e e-commerce;
  • Telecomunicações;
  • Portais e provedores de conteúdo na internet.

O avanço desses serviços ajuda a explicar uma mudança estrutural na composição da atividade econômica. Além disso, empresas continuam ampliando investimentos em digitalização, automação e processamento de dados, mesmo em um cenário menos favorável para expansões mais dependentes de crédito.

Os números mostram isso com clareza. Os serviços de tecnologia da informação acumularam crescimento de 9,9% no ano, muito acima da média do setor.

Transportes deixam de liderar o ritmo da atividade

Apesar do crescimento do setor de serviços no Brasil, o contraste, no entanto, aparece mesmo no setor de transportes. Embora tenha registrado recuperação na comparação mensal, o segmento perdeu intensidade quando observado em períodos mais longos.

No acumulado do primeiro quadrimestre, o grupo de transportes, serviços auxiliares e correio apresentou variação de -0,1%, resultado bem inferior aos observados em 2025.

O próprio IBGE identifica uma mudança relevante no perfil do crescimento. Nesse contexto, entre as principais influências negativas do ano aparecem:

O dado chama atenção porque o transporte foi um dos principais impulsionadores da economia ao longo dos últimos anos. Agora, o setor enfrenta um ambiente mais desafiador, marcado por menor ritmo de expansão da atividade econômica e redução gradual do dinamismo observado após a pandemia.

O que os dados do IBGE revelam sobre a economia

A principal mensagem da pesquisa sobre o setor de serviços no Brasil não está apenas na alta mensal dos serviços. O dado mais relevante é que o crescimento passou a depender de uma quantidade menor de segmentos capazes de gerar expansão consistente.

O volume total de serviços acumulou alta de 2,2% nos quatro primeiros meses de 2026, mas esse resultado ficou abaixo dos três quadrimestres observados ao longo de 2025.

O gráfico de evolução setorial do próprio IBGE mostra que a desaceleração ocorreu principalmente em:

  • Transportes;
  • Serviços profissionais e administrativos;
  • Outros serviços.

Em sentido oposto, apenas dois grandes grupos aceleraram:

  • Serviços prestados às famílias;
  • Informação e comunicação.

Essa diferença ajuda a entender por que o setor continua crescendo sem apresentar uma recuperação homogênea. Grande parte da expansão recente vem de atividades ligadas à digitalização da economia, publicidade online, softwares, plataformas digitais e infraestrutura de dados.

O resultado é um setor de serviços no Brasil que permanece próximo dos maiores níveis já registrados pelo IBGE, mas com uma base de crescimento mais concentrada.

Se essa concentração continuar aumentando nos próximos meses, a tecnologia tende a ganhar ainda mais peso na sustentação da atividade, enquanto transportes e logística precisarão recuperar dinamismo para evitar uma desaceleração mais ampla do setor.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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