A Petrobras volta aos fertilizantes ao aprovar a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-3), em Três Lagoas (MS). O projeto envolve investimento de US$ 1 bilhão. A decisão saiu do Conselho de Administração em 13/04. Além disso, a estatal prevê iniciar a operação comercial em 2029.
Com isso, a empresa muda sua estratégia. Até então, havia deixado o setor há quase uma década. Agora, volta a atuar em uma área diretamente ligada ao agronegócio e à segurança de abastecimento.
Ao mesmo tempo, a retomada das obras, prevista para o primeiro semestre de 2026, mostra uma virada de posicionamento. A Petrobras passa a tratar os fertilizantes como prioridade dentro do plano de negócios.
Antes disso, a companhia havia saído desse mercado. A partir de 2017, vendeu ativos e concentrou esforços em petróleo e gás, com foco no pré-sal. Agora, porém, revisa essa estratégia.
Petrobras volta aos fertilizantes após anos fora do setor
Nesse cenário, a decisão de que a Petrobras volta aos fertilizantes marca uma inflexão clara.
Entre 2017 e 2018, a estatal colocou ativos à venda. Entre eles estavam a própria UFN-3 e a Araucária Nitrogenados (ANSA). Na época, a empresa buscava reduzir dívidas e priorizar áreas mais rentáveis.
Naquele momento, o setor de fertilizantes perdeu espaço no portfólio. Agora, no entanto, volta ao centro da estratégia.
Além disso, o contexto global mudou. Hoje, a dependência de insumos importados pesa mais. Crises recentes expuseram falhas nas cadeias de suprimento. Por isso, fertilizantes ganharam importância econômica e geopolítica.
Retomada da UFN-3 revela nova leitura econômica
A UFN-3 teve obras interrompidas em 2014. Na época, a Petrobras encerrou o contrato com o consórcio responsável por descumprimento.
Depois disso, o projeto ficou parado por anos. Chegou, inclusive, a entrar na lista de venda. Agora, porém, a empresa retoma a obra após nova análise. Essa avaliação confirmou a viabilidade técnica e econômica.
Quando entrar em operação, a unidade produzirá cerca de 1,2 milhão de toneladas de ureia por ano. Também gerará aproximadamente 70 mil toneladas de amônia.
Enquanto isso, o Brasil segue dependente de importações. A ureia, principal fertilizante nitrogenado, tem consumo entre 7 e 8 milhões de toneladas anuais. A maior parte ainda vem do exterior.
Impacto vai além da estatal e atinge o agronegócio
Nesse contexto, o fato de que a Petrobras volta aos fertilizantes afeta diretamente o agronegócio.
Hoje, o país depende fortemente do mercado externo. Isso expõe produtores à volatilidade de preços e a riscos de oferta. Atualmente, o Brasil importa a maior parte dos fertilizantes que consome, o que aumenta a exposição a oscilações internacionais. Nesse cenário, a produção local ganha relevância para reduzir vulnerabilidades e dar mais previsibilidade ao setor.
Por outro lado, a entrada da UFN-3 pode mudar esse cenário. A Petrobras passa a atuar em um ponto crítico da cadeia. Assim, pode ampliar a oferta interna e reduzir parte da dependência ao longo do tempo. Na prática, isso tende a diminuir a exposição do agronegócio a choques externos e a oscilações de preços no mercado internacional.
Além disso, a localização da fábrica favorece o setor. Três Lagoas (MS) fica próxima de grandes polos agrícolas. Entre eles estão Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo.
Com isso, a logística tende a melhorar. Consequentemente, os custos de distribuição podem cair.
Movimento indica estratégia mais ampla
Por fim, o fato de que a Petrobras volta aos fertilizantes sinaliza uma estratégia mais ampla.
A empresa não se limita mais ao petróleo. Agora, também reforça presença em setores que impactam a economia real. É o caso dos insumos para o agronegócio. Além disso, a estatal busca diversificar sua atuação. Com isso, reduz a dependência do mercado de óleo e gás. Ao mesmo tempo, aproxima-se de temas estruturais. Entre eles estão segurança alimentar e autonomia produtiva.
Até recentemente, o Brasil dependia quase exclusivamente de fornecedores externos para esse tipo de insumo, o que tornou o setor mais sensível a crises globais. Nesse contexto, a decisão da Petrobras reforça uma tentativa de reduzir essa dependência ao longo dos próximos anos.
Assim, ao retomar a UFN-3, a Petrobras reposiciona seu papel. A empresa volta a um setor estratégico. E, com isso, pode influenciar não apenas sua própria estratégia, mas também toda a cadeia agrícola no Brasil.





