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A verdade sobre as demissões por inteligência artificial: só 9% das empresas substituíram funções

Pesquisa revela que muitas empresas usam a inteligência artificial para justificar demissões, embora poucas tenham substituído funções pela tecnologia.
Imagem da IA para ilustrar uma matéria jornalística sobre as Demissões na Inteligência artificial.
Empresas usam IA para justificar demissões, revela pesquisa. (Imagem: Milad Fakurian/Unsplash)

A inteligência artificial (IA) passou a ocupar um papel cada vez maior nas explicações dadas por empresas para demissões e congelamento de vagas. Porém, uma pesquisa realizada nos Estados Unidos indica que a tecnologia nem sempre é a verdadeira responsável pelos cortes.

O levantamento da Resume Templates revelou que 59% das empresas admitem mencionar a inteligência artificial ao justificar reduções de pessoal, porque essa explicação costuma ser melhor aceita do que dificuldades financeiras. Ao mesmo tempo, apenas 9% afirmam ter substituído completamente determinadas funções por IA.

A diferença entre os dois números levanta uma questão cada vez mais presente no mercado de trabalho. Se a inteligência artificial realmente estivesse eliminando empregos em larga escala, a proporção de funções substituídas seria muito maior.

Antes mesmo de analisar os cortes, os dados mostram que a principal transformação pode estar na forma como empresas comunicam decisões difíceis para funcionários, investidores e mercado.

A IA está realmente substituindo trabalhadores?

Os resultados da pesquisa indicam que a substituição direta de profissionais ainda ocorre de forma limitada na maior parte das empresas.

Entre os gestores entrevistados:

  • 9% disseram que funções foram totalmente substituídas por IA
  • 45% relataram redução parcial da necessidade de contratar
  • 45% informaram pouco ou nenhum efeito sobre o tamanho das equipes

Os números sugerem que a inteligência artificial tem sido usada com mais frequência para aumentar a produtividade e reduzir futuras contratações do que para eliminar cargos já existentes.

Em muitos casos, a tecnologia permite executar tarefas com menos recursos, mas não elimina necessariamente a necessidade de trabalhadores. Essa diferença ajuda a explicar por que o discurso sobre automação avança mais rápido do que a substituição efetiva de profissionais.

Por que empresas usam a inteligência artificial para justificar as demissões

Segundo a pesquisa, a inteligência artificial se tornou uma explicação mais confortável para cortes de pessoal do que problemas ligados ao orçamento ou ao desempenho financeiro.

Os dados mostram que:

  • 17% utilizam diretamente a IA como justificativa
  • 42% fazem isso parcialmente
  • 59% adotam essa estratégia de alguma forma

Para a Resume Templates, a tecnologia costuma transmitir uma imagem associada à modernização e eficiência.

Já cortes atribuídos a restrições financeiras podem gerar questionamentos sobre crescimento, resultados e capacidade de investimento.

Na prática, a IA passou a funcionar como uma justificativa para demissões que tende a provocar menos desgaste institucional do que admitir dificuldades econômicas.

O problema surge quando funcionários não percebem mudanças reais ligadas à tecnologia dentro da empresa.

Nessas situações, a explicação pode gerar dúvidas sobre os motivos reais dos cortes e comprometer a confiança na liderança.

Os verdadeiros motivos por trás das demissões

Embora a inteligência artificial apareça com frequência nas comunicações corporativas, ela não é o único fator envolvido nas reduções de pessoal.

Entre os principais motivos citados pelos gestores estão:

  • Impacto da IA: 44%
  • Reestruturações organizacionais: 42%
  • Restrições orçamentárias: 39%

Os percentuais mostram que fatores financeiros e mudanças internas continuam desempenhando papel semelhante ao da tecnologia nas decisões de corte.

Isso ajuda a entender por que muitas empresas falam sobre inteligência artificial ao anunciar demissões, mesmo quando os ajustes envolvem questões mais amplas de gestão, custos ou reorganização operacional.

Empresas seguem contratando apesar dos cortes

Outro dado chama atenção no levantamento.

Embora 55% das empresas planejem realizar demissões em 2026, 92% afirmam que pretendem contratar novos funcionários.

O resultado mostra uma reorganização das equipes, e não uma simples redução da força de trabalho.

As empresas estão retirando recursos de determinadas áreas enquanto ampliam investimentos em funções consideradas prioritárias para crescimento e eficiência.

A pesquisa também revela quais competências continuam sendo mais procuradas:

  • Resolução de problemas: 54%
  • Aprendizado rápido de novas tecnologias: 44%
  • Comunicação: 43%
  • Adaptabilidade: 39%
  • Trabalho em equipe: 36%

A familiaridade com ferramentas de inteligência artificial aparece em seguida, com 31% das citações. O dado mostra que habilidades humanas continuam ocupando posição relevante nas decisões de contratação.

A pesquisa sugere que a discussão sobre as demissões devido à inteligência artificial exige uma análise mais cuidadosa. A tecnologia já influencia decisões corporativas, mas os números indicam que muitas empresas ainda utilizam a IA como explicação para cortes que também envolvem orçamento, reestruturações e mudanças de prioridades internas.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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