O Terminal Portuário de Vila Velha entrou em uma nova fase de expansão com a inauguração da Retroárea Penedo, estrutura que amplia em cerca de 40% sua capacidade operacional. O investimento de R$ 35 milhões busca atender ao crescimento da movimentação de cargas e reduzir limitações que vinham afetando a operação logística no Espírito Santo.
A nova área possui aproximadamente 65 mil metros quadrados e permitirá ao terminal receber cerca de 8 mil contêineres por mês. A entrega ocorre em um momento de aumento das importações, expansão do comércio exterior e crescimento da movimentação de veículos eletrificados.
Mais do que ampliar espaço, a obra busca resolver um problema que afeta empresas de diversos setores: a necessidade de deslocar cargas para outros estados quando a capacidade operacional se aproxima do limite.
Por que cargas estavam migrando para portos de outros estados
Quando um terminal não possui espaço suficiente para armazenagem e movimentação, exportadores e importadores precisam buscar alternativas para cumprir prazos e evitar atrasos.
Segundo a Log-In Logística Integrada, administradora do terminal, parte das cargas acabava seguindo para estruturas localizadas fora do Espírito Santo em momentos de maior demanda.
A situação atingia principalmente empresas localizadas no interior do estado, que precisavam transportar mercadorias para portos mais distantes.
Esse deslocamento gera despesas adicionais com:
- transporte rodoviário;
- armazenagem;
- combustível;
- tempo de operação;
- contratação de serviços logísticos.
Com a entrada em operação da Retroárea Penedo, a expectativa é ampliar a capacidade disponível e reduzir a necessidade desse tipo de transferência.
Como o TVV virou a principal porta de entrada dos carros elétricos
O crescimento do terminal ocorre com a expansão do mercado de veículos eletrificados no Brasil.
Segundo dados do Sindicato do Comércio de Exportação e Importação do Espírito Santo (Sindiex), cerca de 90% das importações brasileiras de carros elétricos e híbridos entram pelo litoral capixaba, em sua maioria utilizando a estrutura do Terminal Portuário de Vila Velha .
O avanço transformou o porto em uma referência nacional para montadoras e importadores que atuam nesse segmento.
Além dos veículos eletrificados, a ampliação abre espaço para novas operações ligadas a:
- offshore;
- siderurgia;
- carga geral;
- contêineres;
- comércio exterior.
A nova capacidade amplia as possibilidades de atração de empresas que dependem de infraestrutura portuária para importar insumos e exportar produtos.
O que muda para a competitividade logística
A eficiência logística influencia diretamente o custo de circulação de mercadorias no país.
Segundo a Log-In, aproximadamente 16% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro é consumido por custos logísticos. Parte dessas despesas está ligada ao transporte, armazenagem e movimentação de cargas.
Quando um terminal opera com mais agilidade, empresas conseguem reduzir etapas intermediárias e diminuir gastos associados ao deslocamento de mercadorias.
Os benefícios esperados incluem:
- menor tempo de permanência das cargas;
- redução de gargalos operacionais;
- mais previsibilidade para exportadores;
- melhor utilização da infraestrutura existente;
- aumento da competitividade das exportações.
Nos últimos 12 meses, o TVV movimentou cerca de 217 mil contêineres. Em 2025, a carga geral alcançou 929,7 mil toneladas, volume 30% superior ao registrado no período anterior.
A expansão também trouxe efeitos para o mercado de trabalho. Segundo a empresa, aproximadamente 100 profissionais foram contratados para atuar diretamente na nova operação, além das oportunidades geradas para prestadores de serviço ligados à atividade portuária.
A inauguração da Retroárea Penedo encerra um ciclo de R$ 205 milhões em investimentos realizados pela Log-In desde 2021 no terminal. A concessionária informou ainda que pretende aplicar mais de R$ 500 milhões até 2048, ampliando a estrutura e a capacidade operacional do complexo.
Com a nova área em funcionamento, o Terminal Portuário de Vila Velha busca consolidar sua posição entre os principais polos logísticos do país, ampliar a movimentação de cargas e fortalecer o papel do Espírito Santo nas cadeias nacionais de importação e exportação.





