O Brasil fechou acordo com o Vietnã para exportar miúdos bovinos, ampliando a presença do agronegócio brasileiro em um dos mercados que mais crescem na Ásia. A abertura inclui produtos como coração, fígado e rins e reforça a estratégia de expansão para destinos fora dos eixos tradicionais.
O movimento ocorre em um momento em que o país asiático já figura entre os principais compradores do agro brasileiro. Em 2025, o Vietnã importou mais de US$ 3,5 bilhões em produtos do Brasil, com destaque para milho, soja, fibras e têxteis.
Mais do que ampliar volume, o acordo aumenta a diversidade da pauta exportadora e aprofunda a relação comercial entre os dois países.
Por que o Vietnã se tornou estratégico para o Brasil
O Vietnã ganhou relevância nas exportações brasileiras por combinar crescimento econômico, aumento do consumo e maior demanda por proteína animal. Na prática, isso transforma o país em um destino importante para expansão do agronegócio, especialmente em produtos que têm menor valor no mercado interno, mas encontram maior aceitação na Ásia.
Além disso, o Vietnã já ocupa posição entre os principais parceiros comerciais do agro brasileiro, o que amplia o impacto de cada novo acordo firmado.
Miúdos bovinos aumentam valor da cadeia sem elevar produção
A exportação de miúdos bovinos tem um efeito direto na rentabilidade da cadeia pecuária.
Produtos como fígado, coração e rins têm menor valor no Brasil, mas ganham mercado em países asiáticos. Isso permite:
- Aumentar a receita por animal abatido;
- Reduzir desperdício;
- Ampliar margens sem elevar produção.
Na prática, o acordo melhora a eficiência econômica do setor sem exigir expansão da oferta.
Abertura faz parte de estratégia mais ampla
O anúncio ocorre poucos dias após o Vietnã também liberar a entrada de pés e miúdos suínos brasileiros, indicando uma ampliação consistente da presença do Brasil no mercado local.
Com isso, o agronegócio brasileiro chega a 592 aberturas de mercado desde o início da atual gestão, segundo o Ministério da Agricultura. Esse número reflete uma estratégia ativa de diversificação de destinos e redução de barreiras comerciais.
Ásia se consolida como eixo de crescimento do agro
O avanço no Vietnã para além do habitual produto, o café, reforça um movimento maior: a Ásia se tornou o principal vetor de crescimento para exportações brasileiras de alimentos.
Com população elevada, urbanização crescente e aumento de renda, a região demanda mais proteína animal e produtos agropecuários.
Para o Brasil, isso significa uma oportunidade de ampliar participação global e reduzir dependência de mercados tradicionais.
O que muda para o Brasil no comércio global
A entrada de novos produtos no Vietnã fortalece a posição do Brasil como fornecedor global de alimentos e amplia sua capacidade de negociação internacional. Mais do que vender mais, o país passa a vender melhor, com maior aproveitamento da produção e diversificação de receitas.
No fim, o acordo mostra que o avanço do agronegócio brasileiro não depende apenas de volume, mas de estratégia — e a Ásia está no centro desse movimento.



