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Reabertura do Estreito de Ormuz pode aliviar custos globais com trégua entre EUA e Irã

A reabertura do Estreito de Ormuz pode reduzir pressões sobre energia, logística e alimentos. Entenda os efeitos para o Brasil e para a economia global.
Vista espacial do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de exportação do mundo, que liga o Golfo de Omã ao Golfo Pérsico
Vista espacial do Estreito de Ormuz, reabertura da rota marítima está marcada para a próxima sexta-feira (19/06) (Foto: NASA Johnson)

A reabertura do Estreito de Ormuz passou a ser o principal desdobramento econômico do acordo anunciado entre os Estados Unidos e o Irã nesse domingo (14/06) para encerrar o conflito iniciado no fim de fevereiro. Após quase quatro meses de bloqueio, a expectativa do mercado é de retomada gradual de uma das rotas marítimas mais importantes do planeta.

A mudança tem potencial para afetar preços muito além do petróleo. Gás natural, fertilizantes, frete marítimo, produtos químicos e até alimentos foram impactados pelo fechamento da passagem que conecta o Golfo Pérsico ao restante do mundo.

A assinatura formal do acordo está prevista para sexta-feira (19/06). Até lá, os dois países afirmam que será realizada a remoção de minas instaladas na região, etapa considerada necessária para restaurar a navegação comercial.

O efeito mais imediato esperado pelo mercado é a redução do risco logístico que pressionou cadeias globais de abastecimento desde fevereiro.

Reabertura do Estreito de Ormuz pode aliviar preços da energia

A importância da reabertura do Estreito de Ormuz começa pelo petróleo. Afinal, cerca de um quinto de toda a produção mundial transportada por via marítima passa pelo canal, utilizado por produtores como:

  • Irã,
  • Iraque,
  • Kuwait,
  • Catar,
  • Bahrein,
  • Arábia Saudita
  • e Emirados Árabes Unidos.

O bloqueio provocou uma forte reação do mercado energético. Os contratos do Brent saltaram de US$ 72,4 para US$ 118,3 durante as semanas seguintes ao fechamento da rota, refletindo o temor de escassez e interrupções prolongadas no fornecimento global.

Porém, a reativação da passagem não implica retorno imediato aos preços anteriores ao conflito. Ainda assim, ela reduz um dos principais fatores de risco que sustentaram a alta das cotações nos últimos meses.

Além do petróleo, a rota responde por mais de 20% do comércio mundial de gás natural liquefeito (GNL), insumo utilizado por indústrias e sistemas de geração elétrica em diversos países.

Fertilizantes e alimentos podem sentir os efeitos primeiro

O impacto econômico da reabertura do Estreito de Ormuz não se limita ao setor energético. Isso porque uma parcela relevante dos fertilizantes consumidos globalmente depende da passagem por Ormuz. O fluxo inclui produtos químicos essenciais para a produção agrícola, especialmente fertilizantes à base de enxofre.

A vulnerabilidade é ainda maior no Brasil. O país importa aproximadamente 85% dos fertilizantes utilizados no agronegócio, o que transforma qualquer interrupção logística prolongada em um fator de pressão sobre custos agrícolas.

Durante o período de bloqueio, aumentaram as preocupações de organismos internacionais sobre possíveis efeitos no abastecimento global de alimentos.

Entre os setores mais expostos estão:

  • Fertilizantes agrícolas;
  • Produtos químicos industriais;
  • Plásticos e derivados;
  • Grãos destinados aos países do Golfo;
  • Cadeias globais de alimentos.

A normalização do fluxo comercial tende a reduzir incertezas que vinham afetando custos de produção em diferentes regiões do mundo.

Como a reabertura do Estreito de Ormuz reduz riscos para o Brasil

A reabertura do Estreito de Ormuz beneficia o Brasil por dois caminhos: reduz o risco de alta em insumos importados e melhora a segurança logística de mercados que compram produtos brasileiros.

O primeiro efeito aparece nos custos. O país importa cerca de 85% dos fertilizantes usados no agronegócio, e parte relevante desses fluxos depende de rotas ligadas ao Golfo. Com a navegação normalizada, diminui a pressão sobre frete, prazos e abastecimento.

O segundo efeito está nas exportações. Países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Catar, Bahrein, Iraque e Irã compram 23,4% do frango exportado pelo Brasil. Menos risco logístico ajuda a preservar embarques, contratos e previsibilidade para frigoríficos.

O alívio, porém, não é automático. O acordo ainda depende da assinatura formal, da retirada de minas e da verificação dos compromissos assumidos pelos Estados Unidos. Por isso, a normalização da rota reduz o risco imediato, mas não elimina a incerteza geopolítica.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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