A Copa do Mundo 2026 pode transformar milhões de residências em centros temporários de consumo, impulsionando gastos com alimentação, delivery, streaming e pagamentos digitais. O movimento ocorre mesmo sem o Brasil sediar partidas e deve beneficiar diferentes setores da economia.
A mudança de comportamento dos torcedores indica que os principais impactos do torneio ocorrerão dentro das casas. Empresas ligadas à alimentação, entretenimento e conveniência aparecem entre as mais expostas ao aumento da demanda durante os jogos.
A chamada economia da torcida em casa ajuda a explicar por que grandes eventos esportivos continuam gerando efeitos relevantes sobre o consumo mesmo longe dos estádios. O fenômeno amplia oportunidades para varejistas, plataformas digitais e serviços de entrega.
Consumo na Copa do Mundo 2026 cresce com encontros dentro de casa
Pesquisa encomendada pelo PayPal e realizada pela Morning Consult mostra que 67% dos brasileiros pretendem gastar com comida e petiscos durante a competição. Além disso, 57% afirmam que devem recorrer ao delivery para abastecer reuniões organizadas nos dias de jogo.
O hábito de assistir às partidas em casa sustenta esse comportamento. Segundo o levantamento, 41% dos brasileiros pretendem acompanhar os jogos em pequenos grupos dentro da própria residência, enquanto 35% devem se reunir na casa de amigos ou familiares.
Entre os produtos mais associados aos encontros estão:
- Pizza (49%)
- Churrasco (46%)
- Snacks e aperitivos
- Bebidas e cervejas
- Itens de conveniência para consumo imediato
A combinação entre praticidade e socialização favorece compras de última hora e aumenta a procura por canais capazes de entregar produtos rapidamente.
Quem ganha dinheiro quando o torcedor fica em casa
O avanço do consumo doméstico cria uma cadeia de beneficiados que vai muito além dos aplicativos de entrega. O aumento da circulação de pedidos e compras relacionadas aos jogos alcança diferentes segmentos da economia.
Dados da gmpromo indicam que grandes eventos de mobilização emocional podem elevar as vendas do varejo em até 4,7%. Em algumas categorias ligadas diretamente ao consumo durante as partidas, o crescimento pode ser ainda mais expressivo.
Entre os setores com potencial de ganho estão:
- aplicativos de delivery;
- supermercados e atacarejos;
- fabricantes de snacks e alimentos prontos;
- empresas de bebidas;
- plataformas de streaming;
- fintechs e aplicativos de pagamento.
Segundo a gmpromo, categorias como proteínas para churrasco, cervejas e snacks podem registrar aumento de até 69% no ticket médio nos dias de jogo. O resultado é uma transferência de parte do consumo tradicional de bares e restaurantes para o ambiente doméstico.
Streaming e pagamentos digitais ampliam a economia da torcida em casa
O impacto econômico da Copa também alcança o setor de tecnologia. A pesquisa mostra que 46% dos brasileiros pretendem gastar com tecnologia ou entretenimento para o lar, enquanto 42% planejam contratar ou renovar serviços de streaming para acompanhar o torneio.
Os meios digitais ganham relevância não apenas para assistir aos jogos, mas também para organizar os encontros. Cerca de 34% dos brasileiros afirmam que pretendem dividir despesas em tempo real por aplicativos de pagamento, percentual superior ao registrado nos Estados Unidos e no Canadá.
O levantamento revela ainda que 25% pretendem organizar vaquinhas antes das compras relacionadas aos jogos. Além disso, 82% consideram importante contar com opções de parcelamento, mostrando que flexibilidade financeira continua sendo um fator decisivo para o consumo.
O conjunto desses indicadores mostra que a Copa do Mundo 2026 deve consolidar uma tendência observada nos últimos grandes eventos esportivos, a transformação da residência em um polo temporário de consumo. Nesse cenário, alimentação, entretenimento digital, conveniência e pagamentos eletrônicos passam a integrar uma mesma jornada de gastos, ampliando as oportunidades para empresas que atendem o torcedor dentro de casa.





