A partida entre Brasil e Marrocos pela Copa do Mundo neste sábado (13) coloca os dois países frente a frente dentro de campo. Fora dele, porém, existe uma relação econômica que movimenta bilhões de dólares e influencia diretamente a produção agrícola brasileira.
O elo mais importante dessa parceria está nos fertilizantes do Marrocos, insumos que ajudam a sustentar a produtividade de culturas como soja, milho, algodão e cana-de-açúcar. Enquanto o Brasil exporta alimentos, o país africano fornece produtos essenciais para manter o campo brasileiro competitivo.
Em um momento em que a segurança de abastecimento de fertilizantes ganhou relevância global, o avanço das importações vindas do Marrocos reforça a importância estratégica dessa relação comercial.
Fertilizantes do Marrocos se tornaram peça importante para o agro no Brasil
Os números mostram que a relação entre os dois países vai além do comércio tradicional de alimentos. Em 2025, os fertilizantes químicos responderam por 84,8% de todas as importações brasileiras provenientes do Marrocos.
O dado revela uma dependência relevante. Embora o Brasil seja uma potência agrícola global, continua dependente da importação de insumos para manter elevados níveis de produtividade no campo.
Em 2025, as compras brasileiras e as vendas ao mercado marroquino ficaram próximas de US$ 1,4 bilhão cada, gerando uma corrente de comércio de US$ 2,8 bilhões.
Exportações brasileiras ajudam a abastecer o mercado marroquino
Enquanto importa fertilizantes, o Brasil exporta produtos agrícolas que ocupam posição relevante no consumo do Marrocos.
Os açúcares e melaços responderam por 58,1% das exportações brasileiras ao país africano em 2025, consolidando o produto como principal item da pauta comercial.
Também se destacaram:
- Milho
- Café
- Animais vivos
- Frutas
- Especiarias
- Carne bovina
Essa complementaridade ajuda a explicar o equilíbrio histórico da relação comercial, mesmo com perfis econômicos bastante distintos.
Mato Grosso lidera o comércio agrícola com o país africano
O papel de Mato Grosso ajuda a dimensionar a importância do mercado marroquino para o agronegócio nacional.
Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA) mostram que o Marrocos importou 1,81 milhão de toneladas de milho brasileiro em 2025. Desse total, 1,37 milhão de toneladas saíram de Mato Grosso, equivalente a 75% dos embarques nacionais.
As vendas renderam aproximadamente US$ 280 milhões aos produtores mato-grossenses no período.
A carne bovina também participa dessa relação. Em 2025, Mato Grosso exportou 668 toneladas para o mercado marroquino, gerando receita próxima de US$ 3 milhões.
Déficit comercial aumenta com avanço das importações
Os números de 2026 indicam que a dependência brasileira dos insumos marroquinos está crescendo.
Entre janeiro e maio, as exportações brasileiras para o Marrocos somaram US$ 328,3 milhões, avanço de 9,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Já as importações alcançaram US$ 881,7 milhões, crescimento de 34,4%. O resultado foi uma corrente de comércio de US$ 1,2 bilhão e um déficit de US$ 553,4 milhões para o Brasil.
O desempenho foi impulsionado principalmente pelo aumento das compras de fertilizantes, que continuam liderando com ampla margem a pauta importadora brasileira.
Por que o Marrocos se tornou estratégico para o campo brasileiro
O caso do Marrocos ilustra um dos principais desafios do agronegócio nacional. O Brasil lidera a produção e exportação de diversos alimentos, mas ainda depende fortemente de fornecedores externos para garantir parte dos nutrientes utilizados nas lavouras.
Essa característica transforma países produtores de fertilizantes em parceiros estratégicos para a segurança produtiva brasileira.
A relação comercial entre Brasil e Marrocos mostra exatamente essa dinâmica. De um lado, o Brasil ajuda a abastecer o mercado africano com açúcar, milho e proteínas. Do outro, recebe insumos que sustentam parte relevante da produtividade agrícola nacional. Em um cenário global marcado por disputas geopolíticas e preocupação com cadeias de suprimento, essa parceria tende a ganhar importância crescente nos próximos anos.





