A campanha das figurinhas da Copa do Mundo de 2026 da Coca-Cola produziu um efeito inesperado nos pontos de venda. O interesse dos consumidores pelos cromos exclusivos distribuídos no interior dos rótulos das garrafas de refrigerante levou ao furto dentro de supermercados, mercadinhos e quitandas, gerando perdas para comerciantes.
A situação obrigou a Coca-Cola a anunciar, nessa quinta-feira (11/06), o recolhimento das embalagens danificadas, a substituição dos produtos afetados e o ressarcimento dos varejistas prejudicados. A medida foi adotada após relatos de estabelecimentos que passaram a encontrar garrafas violadas nas prateleiras.
O episódio expõe um risco pouco discutido em grandes ações promocionais: quando o item colecionável passa a despertar mais interesse do que o próprio produto vendido.
Promoção transformou embalagens em alvo dentro dos supermercados
A Coca-Cola lançou a ação em parceria com a Panini, editora do álbum oficial da Copa do Mundo de 2026. Ao todo, a campanha distribuiu 14 figurinhas exclusivas nos rótulos de garrafas de 600 ml e 2,5 litros.
A estratégia buscava estimular compras e aumentar o engajamento dos consumidores com a competição. O resultado inicial foi positivo, segundo a própria Coca-Cola, que relatou forte adesão do público.
O problema, no entanto, surgiu quando parte dos consumidores passou a retirar as figurinhas diretamente das embalagens Coca-Cola expostas nos pontos de venda. Em vez de levar o produto ao caixa, os cromos eram removidos ainda nas gôndolas, deixando para trás garrafas danificadas.
Furto dos rótulos da Coca-Cola criou um problema que vai além da promoção de figurinhas da Copa
O impacto da campanha não ficou restrito à perda das figurinhas. Ao retirar os rótulos das garrafas para obter os cromos exclusivos, consumidores também removiam informações obrigatórias utilizadas para identificar e comercializar o produto.
Isso porque são nos rótulos que aparecem dados como nome da bebida, ingredientes, lote, prazo de validade e tabela nutricional. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) exige em regulamentação que essas informações sejam disponibilizadas ao consumidor por meio da rotulagem da embalagem.
Por isso, o problema para os comerciantes não estava no conteúdo das garrafas, que permanecia próprio para consumo. A dificuldade surgia porque os produtos deixavam de apresentar integralmente as informações exigidas para sua comercialização regular.
Esse efeito ampliou os prejuízos nos pontos de venda. Em vez de perder apenas um item promocional, supermercados, mercadinhos e quitandas precisaram retirar essas embalagens das prateleiras e solicitar sua substituição, transferindo à Coca-Cola os custos gerados pela campanha.
Coca-Cola assumirá os custos dos produtos danificados por conta de figurinhas da Copa
Diante da situação, a operação nacional da Coca-Cola informou que comerciantes podem acionar as equipes comerciais responsáveis pelo atendimento para solicitar o recolhimento das embalagens afetadas.
A companhia também confirmou que fará a reposição dos produtos danificados e compensará os varejistas pelos prejuízos decorrentes da ação dos consumidores.
A resposta busca evitar que os custos da campanha recaiam sobre supermercados e negócios locais. Como a promoção partiu da fabricante, a Coca-Cola mobilizou sua rede de distribuição para recolher produtos danificados e atender os comerciantes afetados.
Caso mostra os limites das promoções baseadas em itens colecionáveis
Campanhas que associam produtos de consumo a itens colecionáveis costumam aumentar vendas e fortalecer o vínculo emocional com grandes eventos esportivos. A própria Coca-Cola já havia utilizado estratégia semelhante durante a Copa do Mundo de 2022.
O episódio atual, porém, mostra que esse modelo também pode gerar efeitos colaterais quando o item promocional passa a ter valor próprio para parte dos consumidores.
No caso das figurinhas da Copa do Mundo 2026 da Coca-Cola, o sucesso da campanha acabou criando um custo inesperado para o varejo. O que começou como uma ação para impulsionar vendas terminou exigindo recolhimento de produtos, reposição de estoques e ressarcimento de comerciantes afetados nos pontos de venda.





