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IPCA: Inflação dos alimentos supera efeito da gasolina e mantém pressão sobre o custo de vida

Alimentos e energia elétrica passaram a liderar a inflação brasileira em maio, enquanto os combustíveis deixaram de ser o principal foco de pressão. Entenda por que o custo de vida continua avançando mesmo com a queda da gasolina.
Inflação dos alimentos: mesa com frutas, legumes, massas, laticínios e outros produtos alimentícios usados para ilustrar a alta dos preços da alimentação.
Batata, tomate, cebola e carnes lideraram as pressões da inflação dos alimentos em maio, segundo o IBGE. (Foto: Reprodução)

A desaceleração do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (12/06), em maio não significou alívio relevante para o orçamento das famílias. Embora a inflação oficial tenha recuado de 0,67% para 0,58%, os preços dos alimentos e da energia elétrica assumiram o protagonismo que até recentemente estava concentrado nos combustíveis.

A mudança ajuda a explicar por que a inflação acumulada em 12 meses avançou para 4,72%, acima dos 4,39% registrados anteriormente. A queda da gasolina reduziu parte da pressão, mas foi insuficiente para compensar aumentos em categorias essenciais do consumo cotidiano.

O resultado mostra uma troca de liderança dentro da inflação brasileira. Se nos últimos meses os combustíveis ajudavam a impulsionar o índice, agora a pressão se concentra em despesas mais difíceis de evitar, como alimentação e conta de luz.

Inflação dos alimentos respondeu por metade do IPCA de maio

O grupo Alimentação e bebidas registrou alta de 1,33% e sozinho respondeu por 0,29 ponto percentual do IPCA de maio, exatamente metade do resultado total do mês.

Dentro de casa, a alta foi ainda mais intensa. A alimentação no domicílio avançou 1,65%, impulsionada principalmente por produtos presentes na rotina das famílias.

Os maiores aumentos foram:

  • Batata-inglesa: +44,69%
  • Tomate: +20,62%
  • Cebola: +16,80%
  • Carnes: +1,39%

O movimento reforça uma característica importante da atual inflação da comida: a pressão está concentrada em itens básicos da cesta alimentar, aumentando a percepção de encarecimento no dia a dia. Essa dinâmica também apareceu nas análises da prévia do IPCA divulgadas nas últimas semanas.

Conta de luz se tornou a segunda grande fonte de pressão

Enquanto os alimentos lideraram o índice de inflação, a habitação apresentou uma aceleração expressiva.

O grupo subiu 1,22% em maio, quase o dobro da variação observada em abril, puxado principalmente pela energia elétrica residencial, que avançou 3,67%.

A energia elétrica foi o principal impacto individual do mês. O aumento ocorreu após a entrada em vigor da bandeira tarifária amarela e pela incorporação de reajustes em diferentes capitais brasileiras.

O efeito é relevante porque a conta de luz influencia não apenas as despesas domésticas. Custos maiores de energia também afetam empresas, comércio e serviços, ampliando a disseminação das pressões inflacionárias pela economia.

Com alta dos alimentos, queda dos combustíveis evitou uma inflação ainda maior

O principal fator de alívio veio do grupo Transportes, único a registrar queda em maio. Isso, pois a variação negativa foi de 0,46%, consequência direta do recuo de 1,95% nos combustíveis.

Entre os destaques apareceram:

  • Etanol: -6,20%
  • Gasolina: -1,46%
  • Óleo diesel: -2,34%

A gasolina gerou o maior impacto negativo individual do IPCA, ajudando a conter o avanço do índice geral.

Mesmo assim, o efeito foi neutralizado pela força dos alimentos e da energia. A cobertura predominante dos principais veículos destacou justamente essa combinação: combustíveis em queda convivendo com novas pressões em despesas essenciais.

O que muda na composição do custo de vida

A mudança na inflação dos alimentos observada em maio altera a qualidade da inflação enfrentada pelas famílias.

Quando a pressão se concentra em combustíveis, parte do impacto pode ser amenizada por oscilações internacionais do petróleo ou por ajustes tributários. Quando alimentos e energia assumem a liderança, o efeito tende a atingir gastos considerados menos adiáveis.

Isso significa que a desaceleração do IPCA não necessariamente representa sensação de alívio no orçamento. Produtos consumidos diariamente continuam registrando aumentos acima da média da inflação oficial.

Por que a inflação da comida continua sendo o principal risco

O dado de maio mostra que a inflação dos alimentos voltou a ocupar o centro da discussão sobre custo de vida no Brasil.

A queda dos combustíveis impediu um resultado mais elevado para o IPCA, mas não foi suficiente para compensar a alta de itens básicos e da energia elétrica. O resultado é uma inflação menos dependente dos postos de combustíveis e mais concentrada em despesas presentes na rotina diária das famílias.

Se essa composição permanecer nos próximos meses, a pressão sobre o orçamento tende a continuar elevada mesmo em um cenário de desaceleração do índice geral de preços.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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