Anúncio SST SESI

Smart Fit ajusta expansão internacional e separa homens e mulheres no Marrocos

A Smart Fit adaptou sua expansão internacional ao ajustar o modelo de operação no Marrocos, incluindo a separação de homens e mulheres em algumas unidades. A decisão marca uma virada estratégica: a rede passa a atuar como multinacional, priorizando cultura local para crescer fora do Brasil.
Imagem da fachada da Smart Fit para ilustrar uma matéria jornalística sobre a expansão internacional da Smart Fit.
Smart Fit adapta expansão internacional com separação no Marrocos. (Imagem: divulgação/Smart Fit)

A expansão internacional da Smart Fit entrou em uma nova fase ao exigir mudanças no próprio modelo de operação fora do Brasil. No Marrocos, a rede passou a adaptar suas academias à cultura local — incluindo a separação de homens e mulheres em algumas unidades. Sendo assim, sinalizando que crescer globalmente deixou de ser apenas replicar um formato e passou a exigir leitura social de cada mercado.

Essa mudança impacta diretamente a estratégia da empresa: o que antes era padronização para ganhar escala agora incorpora flexibilidade para garantir aceitação e crescimento sustentável em novos países.

De rede brasileira a operação global adaptável

A entrada no Marrocos, no fim de 2025, expôs um ponto crítico da expansão internacional da Smart Fit: o modelo que funcionou na América Latina não pode ser simplesmente replicado em mercados com dinâmicas culturais diferentes.

A Smart Fit adotou a separação entre homens e mulheres em bairros de menor renda para alinhar o uso do espaço às normas sociais locais. Já em regiões mais ricas, onde os costumes são mais flexíveis, a empresa não precisou aplicar essa divisão — o que evidencia que até dentro de um mesmo país o padrão precisa ser ajustado.

Esse tipo de decisão mostra que a empresa passou a operar com um novo critério: adaptar a experiência do cliente para garantir adesão, mesmo que isso implique mudanças estruturais no modelo original.

Marrocos como laboratório de estratégia

A escolha do Marrocos não foi aleatória. O país combina estabilidade econômica, juros baixos e baixa concorrência no setor fitness, criando um ambiente favorável à expansão.

Mas o potencial de crescimento veio acompanhado de um desafio: entender como fatores culturais influenciam o comportamento do consumidor — inclusive na forma como as pessoas utilizam academias.

Na prática, isso significa que a Smart Fit precisou equilibrar eficiência operacional com sensibilidade cultural. O ajuste não é apenas simbólico; ele afeta layout das unidades, operação e até a proposta de valor do serviço.

O limite da padronização no crescimento global

A trajetória da Smart Fit sempre foi baseada em escala e padronização, um modelo que permitiu crescimento acelerado no Brasil e na América Latina. No entanto, a experiência no Marrocos indica um limite claro dessa estratégia. Em mercados mais diversos, a padronização total pode se tornar uma barreira, e não uma vantagem.

Ao reconhecer isso, a empresa reposiciona sua lógica de expansão: em vez de exportar um modelo fechado, passa a operar com adaptações específicas que aumentam a aceitação local.

Essa mudança redefine o conceito de eficiência da companhia. Não se trata mais apenas de replicar unidades com baixo custo, mas de ajustar o formato para garantir ocupação e retenção de clientes.

Expansão internacional já domina a operação da Smart Fit

A transformação estratégica ocorre em paralelo ao avanço da presença global da Smart Fit. Hoje, a rede soma mais de 1.100 unidades fora do Brasil e está presente em 15 países.

Os maiores mercados incluem México, com 465 academias, Colômbia, com 224, e Chile, com 118 unidades. A operação também está consolidada em países como Peru, Panamá e República Dominicana.

A expectativa da empresa é clara: o mercado internacional deve representar 60% das unidades no futuro, superando a presença no Brasil.

O que muda na prática para o negócio

A adaptação local deixa de ser um ajuste pontual e passa a ser parte central da estratégia de crescimento. Isso altera como a empresa escolhe mercados, estrutura unidades e define sua oferta.

Mais do que uma rede brasileira no exterior, a Smart Fit passa a operar como uma multinacional de serviços, onde entender o comportamento local se torna tão importante quanto controlar custos.

O caso do Marrocos sintetiza essa virada: expandir não é mais apenas abrir novas academias, mas construir um modelo capaz de funcionar em diferentes realidades sociais, mesmo que isso signifique mudar regras que antes pareciam universais.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

Mais lidas

Últimas notícias

Entrar no canal Canal do Economic News Brasil no WhatsApp