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Loxam compra Mills e amplia disputa bilionária no aluguel de máquinas

A Loxam compra Mills por R$ 3,8 bilhões e acelera a consolidação do aluguel de máquinas no Brasil, setor impulsionado por juros altos e busca das empresas por redução de custos.
Fachada da Loxam Degraus com plataformas elevatórias e equipamentos de locação expostos em unidade da empresa no Brasil.
Loxam amplia presença no Brasil após acordo para comprar o controle da Mills, líder latino-americana em aluguel de máquinas. (Foto: Divulgação/Loxam)

A Loxam confirmou nesta segunda-feira (25/05) a compra da Mills numa operação que transforma o mercado brasileiro de aluguel de máquinas numa nova frente de consolidação internacional da infraestrutura. O grupo francês assumirá o controle da líder latino-americana do setor após acordo avaliado em R$ 3,8 bilhões.

O avanço ocorre num momento em que empresas brasileiras passaram a reduzir compra direta de equipamentos para preservar caixa, diminuir endividamento e evitar financiamento caro em meio aos juros ainda elevados no país.

O movimento mudou a lógica financeira da construção civil, indústria e infraestrutura. Em vez de imobilizar capital em máquinas próprias, companhias passaram a terceirizar equipamentos para manter flexibilidade operacional e reduzir pressão sobre custos.

Juros altos aceleraram aluguel de máquinas no Brasil

A Loxam compra Mills justamente quando construtoras, indústrias e operadores logísticos passaram a evitar compra direta de equipamentos pesados no Brasil. Com a Selic elevada há mais de dois anos, financiar máquinas ficou mais caro e pressionou caixa, dívida e custo operacional das empresas.

O aluguel começou a funcionar como alternativa operacional mais eficiente para empresas que precisam ajustar rapidamente frota, demanda e capacidade de execução.

Hoje, a locação atende setores como:

  • construção civil;
  • logística;
  • energia;
  • mineração;
  • indústria;
  • eventos corporativos.

Além de reduzir investimento inicial, locadoras também passaram a oferecer manutenção, renovação de frota e contratos contínuos de operação.

Esse cenário aumentou o interesse dos investidores no setor. A própria Mills (MILS3) registrou receita bruta de R$ 502 milhões no primeiro trimestre, alta anual de 10,7%, enquanto o lucro líquido quase triplicou, para R$ 197 milhões. A alavancagem caiu para 1,1 vezes, resultado que ajudou a explicar o prêmio de 22% pago pela Loxam aos controladores da companhia.

Loxam compra Mills e aumenta pressão sobre concorrentes

A aquisição também amplia a pressão competitiva dentro do mercado brasileiro de locação, que já atravessava uma onda acelerada de consolidação.

Nos últimos anos, a própria Mills vinha expandindo a operação por meio da compra de concorrentes como JM Empilhadeiras e Next Rental. O setor passou a exigir escala cada vez maior para sustentar renovação de frota, cobertura nacional e contratos com grandes grupos industriais e de infraestrutura.

Empresas maiores conseguem negociar equipamentos com custo menor, ampliar ocupação das máquinas e atravessar períodos de juros elevados com mais eficiência financeira. Com a compra da Mills, a entrada da Loxam tende a aumentar essa disputa.

O grupo francês faturou € 2,5 bilhões no ano passado e já operava no Brasil desde 2015. Antes da Mills, os franceses compraram empresas como A Geradora e Motormac Rental para ampliar presença nacional. Agora, passam a controlar a principal empresa de plataformas elevatórias da América Latina, segmento diretamente ligado ao avanço de obras industriais, centros logísticos e infraestrutura urbana.

O movimento também aumenta a pressão sobre companhias como Vamos e Armac, que disputam espaço num mercado ainda fragmentado e cada vez mais dependente de escala operacional.

Estrangeiros avançam sobre infraestrutura operacional brasileira

A compra da Mills pela Loxam mostra que investidores internacionais passaram a enxergar o Brasil como mercado estratégico para serviços ligados à infraestrutura operacional.

Diferentemente de segmentos mais dependentes do consumo das famílias, locadoras conseguem distribuir receitas entre múltiplos setores econômicos, reduzindo volatilidade e dependência de um único ciclo.

O avanço da terceirização de equipamentos também reduziu a necessidade de grandes investimentos próprios por parte das empresas clientes. Isso ampliou a demanda por locação justamente num momento em que o custo do capital permaneceu pressionado no país.

A Loxam compra Mills dentro dessa transformação estrutural do mercado brasileiro. A operação ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), mas já sinaliza que o setor de aluguel de máquinas entrou definitivamente na rota global de consolidação e disputa por escala.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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