A taxa das blusinhas chegou ao fim após arrecadar R$ 2,13 bilhões apenas entre janeiro e meados de maio deste ano. A revogação reduz o custo das compras internacionais feitas em plataformas como Shein, Shopee e AliExpress, mas não elimina totalmente os tributos cobrados sobre essas encomendas.
A mudança representa um alívio imediato para consumidores que passaram a pagar imposto de importação sobre compras de até US$ 50 desde 2024. Mesmo assim, os preços não retornam ao patamar anterior porque os estados continuam cobrando ICMS sobre produtos importados.
O resultado é uma queda nos preços, mas não o desaparecimento da tributação sobre as compras internacionais.
Taxa das blusinhas acaba e reduz o preço das compras internacionais
A taxa das blusinhas foi criada em agosto de 2024 após aprovação do Congresso Nacional. A medida passou a cobrar 20% de imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50 realizadas por empresas participantes do programa Remessa Conforme.
A justificativa era reduzir a diferença tributária entre produtos fabricados no Brasil e mercadorias vendidas por plataformas estrangeiras. O setor produtivo defendia a medida como forma de equilibrar a concorrência.
Com a revogação do imposto federal, produtos vendidos por Shein, Shopee e AliExpress voltam a chegar ao consumidor com uma carga tributária menor, tornando muitas compras novamente mais atrativas.
Quanto o consumidor pode economizar após o fim da cobrança
O principal efeito ocorre na composição do preço final das encomendas internacionais.
Uma compra de pequeno valor que antes recebia a incidência do imposto federal passa agora a pagar apenas os tributos estaduais. Isso reduz o custo total da operação e aumenta a competitividade das plataformas estrangeiras.
A economia pode ser percebida principalmente em categorias como:
- Vestuário
- Calçados
- Acessórios
- Produtos para casa
- Itens de baixo valor agregado
Quanto menor o valor da compra, maior tende a ser a percepção da redução do preço final.
Por que o imposto não desapareceu completamente
Embora o imposto federal tenha sido eliminado, as compras internacionais continuam sujeitas ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
A alíquota varia entre 17% e 20%, dependendo do estado de destino da mercadoria. Isso significa que os consumidores ainda pagam tributos ao importar produtos de baixo valor.
Esse detalhe é o ponto menos compreendido após o anúncio da revogação. Muitos consumidores interpretaram o fim da taxa das blusinhas como o retorno da isenção total, algo que não ocorreu.
Houve redução da carga tributária, mas não sua eliminação.
O governo abre mão de uma arrecadação bilionária
Os números da Receita Federal mostram a dimensão fiscal da medida.
Entre janeiro e meados de maio deste ano, a arrecadação com o imposto somou R$ 2,13 bilhões, crescimento de 15,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando foram recolhidos R$ 1,84 bilhão.
O desempenho reforça a importância da tributação para os cofres públicos. Em 2025, a arrecadação alcançou R$ 5 bilhões, o maior valor já registrado.
A revogação encerra uma fonte relevante de receita que vinha apresentando crescimento consistente desde a implementação da cobrança.
Consumidores e indústria continuam em lados opostos
A taxa das blusinhas sempre dividiu opiniões.
Consumidores criticavam o aumento dos preços e afirmavam que a medida reduzia o principal atrativo das plataformas internacionais: o acesso a produtos mais baratos.
Do outro lado, representantes da indústria, do comércio e do varejo defendiam a cobrança. O argumento era que empresas brasileiras enfrentavam uma carga tributária superior à aplicada aos produtos importados vendidos por marketplaces estrangeiros.
Entidades do setor produtivo chegaram a afirmar que a redução da diferença tributária ajudou a preservar empregos e estimulou a produção nacional em segmentos como têxteis, vestuário e calçados.
O fim da taxa das blusinhas encerra uma das discussões mais controversas do comércio eletrônico brasileiro nos últimos anos. Para os consumidores, o impacto é imediato: os preços tendem a cair. Para a indústria nacional, porém, a mudança reacende a preocupação com a concorrência das plataformas internacionais. Enquanto isso, o ICMS garante que as compras importadas continuem tributadas, mesmo após o fim do imposto federal.





