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TCU cria gratificação que pode elevar salários de servidores em até 15%

O TCU criou uma gratificação que pode aumentar em até 15% a remuneração de servidores em cargos de chefia, direção e assessoramento. O tribunal afirma que o benefício será destinado a um grupo restrito, tem caráter indenizatório e segue modelo já adotado por órgãos superiores da Justiça.
Imagem do pórtico do TCU para ilustrar uma matéria jornalística sobre a Gratificação do TCU
TCU cria gratificação que pode elevar salários em até 15%. (Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil)

A nova gratificação criada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) poderá elevar em até 15% a remuneração de servidores que ocupam cargos de direção, chefia e assessoramento. A medida foi formalizada em ato publicado nesta semana e assinada pelo presidente da Corte, Vital do Rêgo, e pelo vice-presidente, Jorge Oliveira.

Embora o tribunal afirme que o benefício alcançará apenas um grupo restrito de servidores, a decisão chama atenção porque amplia os ganhos de funcionários que ocupam posições estratégicas em um dos órgãos mais importantes do sistema de controle das contas públicas do país.

O tema ganha relevância porque o TCU é responsável por fiscalizar os recursos públicos e suas decisões frequentemente influenciam políticas, contratos e gastos federais.

Gratificação do TCU: quem poderá receber o novo benefício

A Gratificação por Atuação de Alta Complexidade Técnica, de Fiscalização e de Gestão Institucional (GAAC) foi criada para servidores que exercem funções de direção, chefia e assessoramento associadas a atividades consideradas estratégicas pelo tribunal.

Segundo a norma, o benefício será destinado a profissionais envolvidos em atribuições de elevada complexidade técnica, fiscalização e gestão institucional, áreas consideradas essenciais para o funcionamento da Corte.

O TCU não informou quantos servidores poderão receber a gratificação nem detalhou quais unidades ou cargos terão prioridade na concessão do adicional.

Como o adicional pode aumentar a remuneração

A GAAC poderá representar um acréscimo de até 15% sobre a remuneração dos servidores enquadrados nos critérios definidos pelo tribunal.

Isso significa um aumento relevante para ocupantes de funções de confiança e cargos de liderança, justamente os postos responsáveis pela coordenação de auditorias, análises técnicas e atividades de gestão.

A portaria estabelece que a gratificação possui caráter indenizatório, o que significa que o valor:

  • Não será incorporado ao salário permanente;
  • Não integrará a base de cálculo da aposentadoria;
  • Não terá incidência previdenciária;
  • Não servirá de base para outras gratificações e adicionais.

Essa estrutura reduz os efeitos financeiros futuros da medida, mas garante aumento imediato na remuneração dos beneficiários.

Por que o TCU decidiu criar a gratificação

Na justificativa apresentada pelos ministros, o tribunal argumenta que a medida reflete a complexidade das atividades desempenhadas pela instituição.

Segundo os dados citados no ato, o TCU recebe em média 6 mil processos por ano e analisa aproximadamente 80 mil atos de pessoal para fins de registro a cada exercício.

A Corte também destaca a dimensão dos recursos sob acompanhamento. Atualmente, fiscaliza cerca de R$ 16,4 trilhões sob a ótica patrimonial, que considera bens, direitos e obrigações, além de aproximadamente R$ 7 trilhões na perspectiva orçamentária.

Para os ministros, esse volume de trabalho exige quadros especializados capazes de lidar com atividades técnicas de elevada responsabilidade.

Tribunal cita STJ, TST e CJF como referência

Em nota, o TCU afirmou que a gratificação segue modelo semelhante ao adotado recentemente por outros órgãos de cúpula do sistema de Justiça.

O tribunal mencionou o Superior Tribunal de Justiça (STJ), o Tribunal Superior do Trabalho (TST) e o Conselho da Justiça Federal (CJF), que criaram benefícios com características semelhantes para servidores em funções estratégicas. A comparação busca reforçar o argumento de que a iniciativa acompanha práticas já implementadas em outras instituições federais de alto escalão.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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