A queda do açúcar ganhou força nesta sexta-feira (17/04), quando o contrato do açúcar bruto fechou a 13,31 centavos de dólar por libra-peso, após tocar 13,22 centavos, mínima em cinco anos. Na semana, o recuo acumulado foi de 3,2%, consolidando um movimento de baixa sustentado por excesso de oferta e queda do petróleo.
Esse cenário atinge diretamente o Brasil porque o país depende do mercado internacional para escoar grande parte da produção. Com preços mais baixos, o impacto é imediato no faturamento das usinas.
Queda do açúcar reduz receitas das usinas
A queda do açúcar diminui o valor recebido por tonelada exportada, comprimindo margens em toda a cadeia produtiva. O efeito é ampliado porque ocorre em um momento de produção elevada.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) elevou a estimativa da safra 2025/26 para 673 milhões de toneladas, alta de 1%. Isso significa maior volume disponível justamente quando os preços estão mais baixos.
Na prática, o setor enfrenta uma equação desfavorável: mais produção com menor preço, o que reduz a geração de caixa e exige maior eficiência operacional para sustentar resultados.
Petróleo barato acelera a queda do açúcar
Um dos principais motores da queda do açúcar é o recuo do petróleo. Com combustíveis fósseis mais baratos, o etanol perde competitividade, reduzindo sua demanda.
As usinas reagem direcionando mais cana para a produção de açúcar. Esse movimento aumenta a oferta global e reforça a pressão sobre os preços.
O efeito é direto e cumulativo:
- petróleo cai
- etanol perde espaço
- produção de açúcar cresce
- preços caem ainda mais
Esse ciclo amplia o impacto negativo para o setor sucroenergético e dificulta uma recuperação no curto prazo.
Exportações brasileiras perdem valor
A queda do açúcar também atinge as exportações brasileiras. Mesmo com volumes elevados, o valor total embarcado tende a cair, reduzindo a entrada de divisas no país.
O comportamento do mercado físico confirma essa pressão. O vencimento recente do contrato de açúcar branco registrou entrega de quase 500 mil toneladas, um recorde. Esse volume elevado indica dificuldade de negociação a preços mais altos fora do mercado futuro. Na prática, o Brasil continua exportando grandes volumes, mas recebe menos por isso.
Excesso de oferta mantém pressão no mercado
O cenário global reforça a queda do açúcar. A oferta elevada, especialmente em países produtores do hemisfério sul, mantém o mercado abastecido sem sinais de escassez.
Ao mesmo tempo, a demanda mostra sinais de enfraquecimento. Segundo a corretora StoneX, há uma “mudança nos padrões globais de consumo de alimentos”, o que contribui para a demanda mais fraca por açúcar.
Esse desequilíbrio entre oferta e demanda sustenta o viés de baixa e limita qualquer reação mais consistente nos preços.
Tendência de queda preocupa o setor
A sequência de três semanas consecutivas de perdas indica que a queda do açúcar não é um ajuste pontual, mas um movimento estruturado. Fundos de investimento ampliam posições vendidas, reforçando a pressão sobre os contratos futuros.
Além disso, o calendário agrícola não favorece uma reversão rápida. A safra ainda em andamento mantém volumes elevados no mercado internacional.
Especialistas do mercado avaliam que, sem uma reversão no preço do petróleo ou corte relevante na oferta global, o açúcar deve permanecer pressionado no curto prazo, com risco de novos testes de mínima.
O que muda para o Brasil?
Diante da queda do açúcar, o setor sucroenergético brasileiro entra em um período de maior pressão. As empresas precisarão ajustar estratégia, custos e mix de produção para preservar margens.
Os principais efeitos práticos incluem:
- queda na rentabilidade das exportações
- maior dependência de eficiência operacional
- aumento da volatilidade de receitas
- pressão nas decisões entre açúcar e etanol
Para o mercado, o movimento acende um alerta. A queda do açúcar reduz o potencial de ganhos no curto prazo e aumenta a sensibilidade do setor a fatores externos, como petróleo e demanda global.
Sem mudança relevante nesse cenário, a tendência é de continuidade da pressão sobre preços, mantendo o açúcar em um ciclo de baixa que afeta diretamente o desempenho do Brasil no mercado internacional.





