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Tereos mantém produção mesmo com açúcar em queda e acende alerta no setor

Mesmo com o açúcar perto das mínimas em cinco anos, a Tereos projeta produção estável na safra 2026/27. A decisão revela como o setor sucroenergético se adapta a preços baixos com eficiência, tecnologia e foco em resultados.
Tereos mantém produção com açúcar em baixa e pressiona setor
Mesmo com o açúcar perto das mínimas em cinco anos, a Tereos projeta produção estável na safra 2026/27. Imagem: Canva

A produção de açúcar no Brasil entra na safra 2026/27 sob pressão de preços internacionais, mas a Tereos decidiu seguir na contramão do cenário adverso. A companhia projeta moagem de 18 milhões de toneladas de cana, volume estável em relação ao ciclo anterior, mesmo após a venda de uma unidade.

O movimento chama atenção porque ocorre em um momento em que o açúcar bruto opera próximo das mínimas em cinco anos na bolsa de Nova York, referência global para o setor. Ainda assim, a empresa aposta na manutenção da escala para preservar competitividade e resultados.

Na prática, a decisão revela uma estratégia clara: ganhar eficiência para compensar margens pressionadas.

A estabilidade na produção indica que grandes grupos do setor não estão reduzindo atividade diante da queda de preços. Pelo contrário, buscam diluir custos e melhorar produtividade para sustentar rentabilidade.

Estratégia mira eficiência para enfrentar preços baixos

Mesmo após a venda da unidade Andrade, em Ribeirão Preto, a Tereos reorganizou sua operação e passou a atuar com cinco unidades industriais ativas no noroeste paulista, além de uma hibernada.

A mudança não reduziu a capacidade produtiva. Ao contrário, a empresa afirma que a nova estrutura permite otimizar operações agrícolas, industriais e logísticas, reduzindo custos e aumentando eficiência.

Esse tipo de ajuste é comum em ciclos de baixa de preços. Com o açúcar menos valorizado, empresas precisam operar com maior precisão para evitar perda de margem. A lógica é direta: produzir o mesmo volume com menor custo unitário.

Setor sucroenergético enfrenta pressão global

O cenário internacional ajuda a explicar a estratégia. O mercado de açúcar vive um momento de oferta mais equilibrada e preços pressionados, o que reduz a rentabilidade da commodity.

Diante disso, muitas usinas tendem a ajustar o chamado “mix” de produção, direcionando mais cana para etanol quando o açúcar perde atratividade.

A Tereos, conhecida por ter um perfil mais açucareiro que a média do mercado, ainda não detalhou qual será sua divisão entre açúcar e etanol nesta safra. Mesmo assim, a manutenção da moagem indica confiança na capacidade de atravessar o ciclo negativo.

Segundo Pierre Santoul, CEO da Tereos Brasil, a empresa inicia a safra mesmo em um ambiente desafiador, com foco em entregar resultados sólidos.

Tecnologia e investimento viram diferencial competitivo

Para sustentar essa estratégia, a companhia reforçou investimentos operacionais. Foram adquiridos 23 tratores e 11 colhedoras, renovando parte relevante da frota agrícola.

O objetivo é claro: reduzir falhas, aumentar produtividade e garantir operação dentro da melhor janela econômica. Além disso, a Tereos incorporou novas ferramentas de monitoramento em tempo real. Dados captados diretamente dos equipamentos, como velocidade, aplicação e tempo ocioso, passam a alimentar análises estratégicas.

Esse tipo de tecnologia permite decisões mais rápidas e precisas no campo, o que se traduz em ganho direto de eficiência. Em um cenário de preços baixos, esse diferencial pode ser determinante para manter margens positivas.

Clima e produtividade entram no radar

Outro ponto central da estratégia é o planejamento agrícola voltado à variabilidade climática. A empresa afirma ter estruturado ações para reduzir impactos de estiagens e oscilações no regime de chuvas.

Esse fator ganha relevância porque a safra 2026/27 também carrega expectativa de recuperação de produtividade agrícola, após períodos recentes de maior instabilidade.

Se confirmado, esse aumento de produtividade pode ajudar a compensar parte da pressão de preços, elevando o volume de açúcar e etanol produzido por hectare.

O que a decisão da Tereos sinaliza para o mercado

A manutenção da produção de açúcar no Brasil pela Tereos funciona como um indicativo importante para o setor sucroenergético. Em vez de reduzir atividade diante de preços baixos, grandes empresas tendem a apostar em escala, eficiência e tecnologia.

Isso pode prolongar o ciclo de pressão sobre os preços, já que a oferta global não sofre cortes relevantes no curto prazo.

Para o mercado, o recado é direto: a disputa não está apenas no preço do açúcar, mas na capacidade de cada empresa de operar com menor custo e maior produtividade. Quem conseguir fazer isso melhor tende a atravessar o ciclo negativo com menos impacto nos resultados.

Foto de Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino é jornalista formada pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção jornalística e em conteúdos analíticos sobre negócios, investimentos e tecnologia aplicada às empresas, além de experiência em coberturas digitais e projetos editoriais.

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