Lucro da JBS cai 55% com crise nos EUA e Brasil salva resultado no 1T26

O lucro da JBS caiu 55% no primeiro trimestre de 2026 pressionado pela crise da carne bovina nos EUA. Brasil, exportações e consumo doméstico evitaram impacto maior no balanço.
Imagem do pórtico da JBS para ilustrar uma matéria jornalística sobre o Lucro da JBS no 1T26.
JBS tem queda de 55% no lucro com pressão nos EUA. (Imagem: divulgação/JBS)

O lucro da JBS caiu 55% no primeiro trimestre de 2026 (1T26), para US$ 221 milhões, em um resultado pressionado pela deterioração das operações bovinas nos Estados Unidos. O recuo expôs o peso crescente da crise do gado americano sobre as margens da companhia.

Apesar da queda no lucro, a receita líquida da JBS avançou 10,7%, para US$ 21,609 bilhões. Exportações brasileiras aquecidas, demanda doméstica forte e desempenho de outras proteínas impediram uma retração ainda maior no balanço da empresa.

O mercado começa a enxergar uma mudança estrutural dentro da companhia: os Estados Unidos deixaram de sustentar a geração de caixa da JBS, enquanto o Brasil voltou ao centro dos resultados.

Por que a operação da JBS nos EUA virou problema

A divisão bovina da companhia na América do Norte aprofundou perdas em um dos cenários mais difíceis para frigoríficos americanos nos últimos anos.

O prejuízo operacional ajustado da JBS Beef North America saltou de US$ 158 milhões para US$ 329 milhões no trimestre. O avanço do custo do boi vivo continuou acima da capacidade de repasse dos preços da carne ao consumidor.

Segundo a companhia, o spread entre matéria-prima e venda da carne segue negativo nos Estados Unidos.

A pressão sobre o setor ocorre por fatores estruturais:

  • rebanho bovino americano em níveis historicamente baixos
  • escassez de oferta de animais
  • custos elevados de produção
  • retenção de fêmeas no ciclo pecuário
  • dificuldade de repassar preços ao varejo

A deterioração da operação americana atinge justamente o mercado que historicamente sustentava parte relevante da rentabilidade global da empresa.

Pilgrim’s amplia pressão sobre o resultado da JBS

Além da carne bovina, a Pilgrim’s Pride também pressionou o lucro consolidado da JBS no 1T26.

Segundo a companhia, problemas climáticos e paralisações temporárias em plantas americanas reduziram margens operacionais. Algumas unidades passaram por adaptações para ampliar a produção de itens com demanda crescente no mercado doméstico dos Estados Unidos.

A JBS afirmou que as interrupções foram planejadas, mas os efeitos apareceram diretamente no Ebitda consolidado. O Ebitda ajustado caiu 26%, para US$ 1,133 bilhão.

A empresa informou que aproximadamente metade da redução de US$ 400 milhões no Ebitda veio da Pilgrim’s.

Mesmo sob pressão nos EUA, outras divisões sustentaram parte dos resultados:

  • exportações brasileiras
  • operação de suínos nos EUA
  • negócios na Austrália
  • mercado doméstico brasileiro

O balanço mostrou uma mudança relevante na estrutura operacional da companhia. Áreas antes complementares passaram a compensar o enfraquecimento da carne bovina americana.

Brasil sustenta lucro da JBS no 1T26 com exportações e consumo interno

Enquanto os Estados Unidos pressionaram margens, o Brasil se tornou o principal vetor positivo do resultado da companhia.

A divisão JBS Brasil elevou o Ebitda ajustado em 27,9%, para US$ 168 milhões. A receita líquida cresceu 19,5%, alcançando US$ 3,789 bilhões. O avanço ocorreu mesmo com a alta do boi gordo no período.

Segundo a companhia, o desempenho foi impulsionado por:

  • demanda internacional firme
  • exportações aquecidas
  • consumo doméstico resiliente
  • competitividade da carne bovina brasileira

O grupo destacou que a procura internacional pela proteína brasileira continua elevada em meio às restrições globais de oferta. O resultado reforçou uma inversão importante dentro da JBS: o Brasil voltou a assumir papel central na estabilidade operacional da companhia.

Seara perde margem com dólar fraco e frete mais caro

A Seara manteve crescimento de receita, mas perdeu rentabilidade no trimestre.

O Ebitda ajustado caiu 13,3%, para US$ 369 milhões, enquanto a receita líquida avançou 10,6%, para US$ 2,379 bilhões. A margem Ebitda recuou de 19,8% para 15,5%.

Para a empresa, o enfraquecimento do dólar frente ao real pressionou receitas de exportação.

Além disso, o grupo enfrentou aumento dos custos logísticos, incluindo mudanças em portos de desembarque no Oriente Médio por causa do conflito na região.

Os fatores que pressionaram a Seara incluem:

  • dólar mais fraco
  • frete internacional mais caro
  • mudanças logísticas no Oriente Médio
  • custos operacionais maiores

Mesmo com a pressão, a divisão continua entre os principais pilares de geração de caixa da companhia.

O que o mercado observa agora na JBS

Além do resultado trimestral, investidores acompanham a capacidade da empresa de atravessar o ciclo negativo da pecuária americana.

O mercado também monitora:

  • recuperação das margens nos EUA
  • dependência crescente do Brasil
  • evolução das exportações
  • desempenho da Pilgrim’s
  • entrada da JBS em índices da S&P

A companhia informou que começará a arquivar documentos na SEC como empresa americana a partir do segundo trimestre. O movimento é necessário para inclusão em índices passivos ligados à S&P e pode ampliar a entrada de investidores estrangeiros nas ações.

O resultado do trimestre deixou um sinal claro ao mercado: enquanto a operação bovina nos Estados Unidos perdeu força, o Brasil voltou a sustentar parte relevante da geração de caixa da JBS.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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