O lucro da JBS caiu 55% no primeiro trimestre de 2026 (1T26), para US$ 221 milhões, em um resultado pressionado pela deterioração das operações bovinas nos Estados Unidos. O recuo expôs o peso crescente da crise do gado americano sobre as margens da companhia.
Apesar da queda no lucro, a receita líquida da JBS avançou 10,7%, para US$ 21,609 bilhões. Exportações brasileiras aquecidas, demanda doméstica forte e desempenho de outras proteínas impediram uma retração ainda maior no balanço da empresa.
O mercado começa a enxergar uma mudança estrutural dentro da companhia: os Estados Unidos deixaram de sustentar a geração de caixa da JBS, enquanto o Brasil voltou ao centro dos resultados.
Por que a operação da JBS nos EUA virou problema
A divisão bovina da companhia na América do Norte aprofundou perdas em um dos cenários mais difíceis para frigoríficos americanos nos últimos anos.
O prejuízo operacional ajustado da JBS Beef North America saltou de US$ 158 milhões para US$ 329 milhões no trimestre. O avanço do custo do boi vivo continuou acima da capacidade de repasse dos preços da carne ao consumidor.
Segundo a companhia, o spread entre matéria-prima e venda da carne segue negativo nos Estados Unidos.
A pressão sobre o setor ocorre por fatores estruturais:
- rebanho bovino americano em níveis historicamente baixos
- escassez de oferta de animais
- custos elevados de produção
- retenção de fêmeas no ciclo pecuário
- dificuldade de repassar preços ao varejo
A deterioração da operação americana atinge justamente o mercado que historicamente sustentava parte relevante da rentabilidade global da empresa.
Pilgrim’s amplia pressão sobre o resultado da JBS
Além da carne bovina, a Pilgrim’s Pride também pressionou o lucro consolidado da JBS no 1T26.
Segundo a companhia, problemas climáticos e paralisações temporárias em plantas americanas reduziram margens operacionais. Algumas unidades passaram por adaptações para ampliar a produção de itens com demanda crescente no mercado doméstico dos Estados Unidos.
A JBS afirmou que as interrupções foram planejadas, mas os efeitos apareceram diretamente no Ebitda consolidado. O Ebitda ajustado caiu 26%, para US$ 1,133 bilhão.
A empresa informou que aproximadamente metade da redução de US$ 400 milhões no Ebitda veio da Pilgrim’s.
Mesmo sob pressão nos EUA, outras divisões sustentaram parte dos resultados:
- exportações brasileiras
- operação de suínos nos EUA
- negócios na Austrália
- mercado doméstico brasileiro
O balanço mostrou uma mudança relevante na estrutura operacional da companhia. Áreas antes complementares passaram a compensar o enfraquecimento da carne bovina americana.
Brasil sustenta lucro da JBS no 1T26 com exportações e consumo interno
Enquanto os Estados Unidos pressionaram margens, o Brasil se tornou o principal vetor positivo do resultado da companhia.
A divisão JBS Brasil elevou o Ebitda ajustado em 27,9%, para US$ 168 milhões. A receita líquida cresceu 19,5%, alcançando US$ 3,789 bilhões. O avanço ocorreu mesmo com a alta do boi gordo no período.
Segundo a companhia, o desempenho foi impulsionado por:
- demanda internacional firme
- exportações aquecidas
- consumo doméstico resiliente
- competitividade da carne bovina brasileira
O grupo destacou que a procura internacional pela proteína brasileira continua elevada em meio às restrições globais de oferta. O resultado reforçou uma inversão importante dentro da JBS: o Brasil voltou a assumir papel central na estabilidade operacional da companhia.
Seara perde margem com dólar fraco e frete mais caro
A Seara manteve crescimento de receita, mas perdeu rentabilidade no trimestre.
O Ebitda ajustado caiu 13,3%, para US$ 369 milhões, enquanto a receita líquida avançou 10,6%, para US$ 2,379 bilhões. A margem Ebitda recuou de 19,8% para 15,5%.
Para a empresa, o enfraquecimento do dólar frente ao real pressionou receitas de exportação.
Além disso, o grupo enfrentou aumento dos custos logísticos, incluindo mudanças em portos de desembarque no Oriente Médio por causa do conflito na região.
Os fatores que pressionaram a Seara incluem:
- dólar mais fraco
- frete internacional mais caro
- mudanças logísticas no Oriente Médio
- custos operacionais maiores
Mesmo com a pressão, a divisão continua entre os principais pilares de geração de caixa da companhia.
O que o mercado observa agora na JBS
Além do resultado trimestral, investidores acompanham a capacidade da empresa de atravessar o ciclo negativo da pecuária americana.
O mercado também monitora:
- recuperação das margens nos EUA
- dependência crescente do Brasil
- evolução das exportações
- desempenho da Pilgrim’s
- entrada da JBS em índices da S&P
A companhia informou que começará a arquivar documentos na SEC como empresa americana a partir do segundo trimestre. O movimento é necessário para inclusão em índices passivos ligados à S&P e pode ampliar a entrada de investidores estrangeiros nas ações.
O resultado do trimestre deixou um sinal claro ao mercado: enquanto a operação bovina nos Estados Unidos perdeu força, o Brasil voltou a sustentar parte relevante da geração de caixa da JBS.



