O lucro da JBS atingiu US$ 2,0 bilhões em 2025, com alta de 15%, conforme balanço divulgado na quarta-feira (25). Apesar do avanço anual, o desempenho do quarto trimestre ficou praticamente estável, em US$ 415 milhões, revelando um cenário de crescimento acompanhado por desafios operacionais relevantes.
Ao mesmo tempo, a receita líquida da companhia alcançou US$ 23,06 bilhões no trimestre, um novo recorde e acima das projeções de mercado. Esse resultado foi impulsionado principalmente pelas operações de carne bovina na América do Norte e no Brasil, que registraram volumes e preços elevados.
Lucro da JBS e a pressão nas margens
Mesmo com receita em expansão, a rentabilidade da JBS apresentou deterioração. O EBITDA ajustado caiu 7% no trimestre, para US$ 1,72 bilhão, enquanto a margem recuou para 7,4%. No acumulado do ano, o indicador também registrou retração de 5%.
Esse desempenho reflete, sobretudo, o encarecimento do gado nos Estados Unidos. A menor disponibilidade de animais elevou os custos da principal divisão da companhia, comprimindo as margens mesmo diante de uma demanda considerada consistente no mercado norte-americano.
Além disso, a operação de carne bovina nos EUA segue como a maior fonte de receita da JBS, o que amplia o peso desse fator sobre o resultado consolidado. Essa dinâmica expõe a dependência da companhia em relação ao ciclo pecuário norte-americano.
Desempenho global da companhia de alimentos
Por outro lado, a diversificação geográfica ajudou a equilibrar os resultados. No Brasil, a operação local registrou crescimento de 26% na receita no quarto trimestre e de 21% no acumulado do ano, sustentada por preços mais altos, aumento no volume de abates e forte demanda externa.
A Seara também apresentou expansão, com avanço nas vendas impulsionado tanto pelo mercado doméstico quanto pelas exportações. Mesmo com restrições pontuais em alguns países, a unidade manteve ritmo consistente ao longo do ano.
Na Austrália, a empresa conseguiu ampliar margens por meio de ganhos de eficiência operacional e preços mais elevados. Esse desempenho compensou parcialmente o aumento dos custos do gado, reforçando a importância da diversificação no modelo de negócios.
Lucro da JBS e a estratégia financeira
Além dos resultados operacionais, a estrutura financeira da companhia segue no radar. A geração de caixa livre atingiu US$ 990 milhões no quarto trimestre, enquanto o acumulado anual ficou em US$ 400 milhões.
A alavancagem encerrou o período em 2,39 vezes a relação entre dívida líquida e EBITDA ajustado, alinhada à meta de longo prazo. Paralelamente, o Conselho de Administração aprovou o pagamento de dividendos de US$ 1 por ação, com pagamento previsto para 17 de junho de 2026.
Segundo o CEO global, Gilberto Tomazoni, a companhia encerrou o ano com retorno sobre patrimônio de 25% e retorno sobre o capital investido de 17%, o que, na avaliação do executivo, reflete disciplina financeira e consistência operacional.
Diante desse cenário, o lucro da JBS revela uma empresa que amplia receitas e distribui dividendos relevantes, mas que ainda enfrenta desafios estruturais ligados ao custo de insumos. A capacidade de equilibrar essas variáveis deve definir o ritmo dos próximos resultados.





