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JBS avança no Oriente Médio ao assumir controle de ativos em Omã

A JBS investiu US$ 150 milhões para assumir o controle de uma holding de alimentos em Omã, apostando na produção local de carnes e na expansão do atendimento ao mercado halal global.
Imagem do letreiro da JBS para ilustrar uma matéria jornalística sobre o investimento da JBS em Omã.
(Imagem: divulgação/JBS)

A JBS anunciou no domingo (8) um investimento de US$ 150 milhões para assumir o controle de 80% da Oman Food Capital, holding de alimentos recém-criada em Omã. A operação envolve duas unidades industriais já estruturadas e insere a companhia brasileira em uma nova etapa de atuação produtiva no Oriente Médio.

O acordo da JBS inclui uma planta integrada de aves da A’Namaa, localizada em Ibri, no norte do país, atualmente em fase final de conclusão, além de uma indústria de processamento de carnes bovina e ovina da Al Bashayer, em Thumrait, no sul de Omã. A Oman Investment Authority permanecerá com os 20% restantes da holding.

Produção em Omã muda lógica operacional da JBS

Com as duas unidades, a capacidade industrial estática estimada supera 300 mil toneladas por ano, considerando as três proteínas. Em plena operação em Omã, o abate diário pode alcançar cerca de mil bovinos, cinco mil cordeiros e até 600 mil aves, segundo números divulgados pela JBS.

A previsão é que a produção de carnes bovina e ovina tenha início em até seis meses. Já a operação com aves deve começar em até 12 meses, prazo necessário para a conclusão da planta integrada. O cronograma reduz o tempo de maturação do projeto, uma vez que as estruturas industriais já estavam em estágio avançado.

O CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni, afirmou que o retorno do investimento dependerá da competitividade da companhia na região de Omã. Segundo ele, a decisão envolve riscos e exige ganho de escala. “Precisamos conquistar a preferência do consumidor. Vai depender da nossa capacidade de acelerar o crescimento”, disse.

Estratégia voltada ao mercado halal

A iniciativa está diretamente associada ao atendimento do mercado halal, que reúne cerca de 2 bilhões de consumidores no mundo. Esse segmento segue critérios específicos de origem, abate e processamento, alinhados aos preceitos muçulmanos.

A escolha da JBS por Omã como base produtiva também considera fatores estruturais, como crescimento populacional e avanço da renda per capita na região. Gilberto Tomazoni destacou que a existência de plantas prontas foi determinante. “Esse projeto foi uma oportunidade, porque as plantas já estavam prontas, o que acelera o processo”, afirmou.

Consolidação regional e geração de empregos

O investimento em Omã se soma aos US$ 85 milhões aportados recentemente pela JBS na Arábia Saudita, incluindo a expansão de uma planta em Jeddah voltada à marca Seara. A empresa também mantém operações em Dammam e Ras Al Khaimah.

Atualmente, a JBS conta com cerca de 1.600 colaboradores em toda a região do Oriente Médio. As novas unidades em Omã devem gerar mais de três mil empregos ao longo dos próximos cinco anos, reforçando o peso econômico do projeto no país.

Ao optar pelo processamento local desde o abate, a empresa altera a lógica anterior, baseada na importação de matéria-prima. Segundo o CEO, estar presente desde o início da cadeia permite maior controle operacional e amplia a capacidade de atendimento a diferentes mercados de exportação.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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