Café adulterado avança no Brasil após alta de irregularidades em 2026

O avanço do café adulterado em 2026 elevou apreensões e reforçou alertas sobre contaminação, qualidade industrial e fiscalização no mercado brasileiro.
Imagem de uma xícara com café para ilustrar uma matéria jornalística sobre o café adulterado no Brasil.
Alta de café adulterado amplia alerta sobre qualidade no Brasil. (Imagem: Mike Kenneally/Unsplash)

O número de casos de café adulterado identificados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) disparou em 2026 e ampliou o alerta sobre qualidade, contaminação e fraudes em um dos produtos mais consumidos pelos brasileiros.

Somente neste ano, o ministério confirmou 44 irregularidades em cafés torrados e moídos. O total já representa mais da metade dos 85 casos registrados em todo 2025.

O avanço das ocorrências pressiona a indústria em meio à alta do café nos supermercados e aumenta a preocupação sobre controle de qualidade, rastreabilidade e segurança alimentar.

O que o Mapa encontrou nos cafés apreendidos

As análises feitas pelo Mapa identificaram problemas que vão além do chamado “cafake”, termo usado para bebidas sabor café produzidas com resíduos e cascas.

As fiscalizações investigam:

  • resíduos de agrotóxicos;
  • contaminantes como ocratoxina;
  • falhas de composição;
  • irregularidades sanitárias;
  • problemas industriais na produção.

Em 2025, o ministério realizou:

  • 711 coletas de café torrado e moído;
  • 54 análises de café em grão cru;
  • 72 apreensões de café torrado;
  • 78,4 mil quilos recolhidos do mercado.

No café cru, 13 amostras apresentaram irregularidades, o que levou à apreensão de 41,5 mil quilos de produtos.

Entre 2023 e 2026, as operações retiraram:

  • 226 mil quilos de café torrado e moído;
  • 85 mil quilos de café em grão cru.

O volume apreendido ampliou a pressão sobre a cadeia produtiva justamente em um momento de maior sensibilidade do consumidor com preços e qualidade.

Denúncias revelam dimensão maior das irregularidades

O dado que mais preocupa o setor envolve a taxa de confirmação das denúncias recebidas pelo ministério.

Segundo Helena Pan Rugeri, coordenadora-geral de operações fiscais do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal, 75,9% das denúncias analisadas apresentaram irregularidades efetivas.

Na prática:

  • três em cada quatro denúncias resultaram em infrações confirmadas;
  • parte das fiscalizações foi motivada pelo próprio setor privado;
  • os indícios encontrados mostraram alta assertividade das denúncias.

O percentual indica que as irregularidades conseguem chegar ao mercado antes da ação das autoridades, mesmo com o aumento da fiscalização.

Em 2026, o Mapa informou ter realizado 943 coletas de produtos de origem vegetal. Desse total, 88 envolveram café torrado e moído.

O cenário amplia a pressão sobre fabricantes e torrefadoras porque desloca o problema do campo das fraudes isoladas para dúvidas mais amplas sobre controle industrial.

Café fake ganha repercussão, mas representa minoria dos casos

Apesar da repercussão recente nas redes sociais e nas operações de fiscalização, os chamados “cafés fake” representam parcela reduzida das ocorrências identificadas pelo ministério.

Segundo o Mapa, apenas três casos recentes envolveram produtos vendidos como bebida sabor café produzidos sem café efetivo na composição.

As empresas citadas foram:

  • Master Blends Indústria de Alimentos Ltda;
  • D M Alimentos Ltda, da marca Melissa;
  • Jurerê Caffe Comércio de Alimentos Ltda, da marca Pingo Preto.

O dado muda o eixo da discussão sobre café adulterado no Brasil. A maior parte das irregularidades está ligada a contaminação, composição inadequada e falhas produtivas, não apenas às versões conhecidas como “cafake”.

Essa mudança aumenta a pressão reputacional sobre a indústria tradicional porque amplia a percepção de risco além das marcas já expostas em operações recentes.

Indústria tenta conter desgaste sobre qualidade do café

O avanço das apreensões mobilizou entidades do setor em seminário realizado pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), em Belo Horizonte.

O encontro reuniu representantes da indústria e autoridades para discutir medidas contra fraudes e irregularidades na cadeia cafeeira.

A Abic afirmou que operações integradas já começaram a reduzir problemas em alguns estados.

Segundo a entidade:

  • uma operação no Rio de Janeiro apreendeu mais de 16 toneladas de café irregular;
  • houve queda nas fraudes em menos de seis meses;
  • o setor quer ampliar o modelo para outros estados.

Além disso, o Sindicato da Indústria de Café do Estado de Minas Gerais (Sindicafé-MG) afirmou que empresas associadas podem ser desfiliadas quando descumprem padrões produtivos.

A entidade reforçou que produtores afastados só retornam após comprovar adequações na fabricação.

Mesmo com o esforço das entidades, o avanço do café adulterado em 2026 amplia a tensão sobre fiscalização do Mapa e qualidade em um mercado que depende diretamente da confiança do consumidor.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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