Lucro da SoftBank dispara com OpenAI e expõe fragilidade do valuation da IA

O lucro da SoftBank disparou com a valorização da OpenAI, mas o avanço elevou a dependência financeira do grupo em IA e ampliou dúvidas sobre dívida e sustentabilidade do valuation.

O lucro da SoftBank ganhou força com a valorização da OpenAI e recolocou Masayoshi Son, fundador e CEO do conglomerado japonês, entre os principais nomes da corrida global por inteligência artificial. O grupo registrou lucro de 1,83 trilhão de ienes entre janeiro e março, equivalente a cerca de R$ 57 bilhões pela cotação atual.

O resultado elevou o lucro anual para 5 trilhões de ienes, cerca de R$ 156 bilhões, recorde para uma companhia japonesa. Son, conhecido por apostas bilionárias em tecnologia e startups, voltou ao centro do mercado após anos de perdas ligadas ao Vision Fund.

A valorização da OpenAI, empresa criadora do ChatGPT, passou a influenciar diretamente a percepção do mercado sobre a SoftBank. As ações da companhia começaram a acompanhar a euforia global com inteligência artificial e transformaram o grupo em uma das principais apostas indiretas do setor.

OpenAI virou principal motor financeiro para o lucro da SoftBank

O Vision Fund, fundo de investimentos em tecnologia criado pela SoftBank para apostar em startups globais de alto crescimento, registrou ganho de 3,1 trilhões de ienes no trimestre, cerca de R$ 97 bilhões, impulsionado pela valorização da OpenAI.

A SoftBank afirma que os ganhos acumulados com o investimento na dona do ChatGPT já atingem US$ 45 bilhões, equivalentes a aproximadamente R$ 255 bilhões. O valor transformou a OpenAI no principal ativo financeiro do conglomerado japonês e sustentou parte relevante do lucro da SoftBank.

A operação mudou a percepção sobre a companhia. Após anos marcados por perdas em startups financiadas pelo Vision Fund, a SoftBank voltou a ser tratada pelo mercado como uma das maiores apostas globais em inteligência artificial.

Parte relevante dessa recuperação depende da expectativa de valorização futura da OpenAI.

Entre os fatores que sustentam essa percepção:

  • avanço do ChatGPT entre empresas e grandes corporações
  • expectativa de abertura de capital da OpenAI
  • expansão global da IA generativa
  • entrada de investidores bilionários no setor
  • aumento da demanda por infraestrutura de IA

Dívida aumenta enquanto grupo amplia exposição em IA

A SoftBank ampliou a pressão financeira para sustentar a expansão da aposta em inteligência artificial. O A disparada do lucro da SoftBank veio acompanhada de uma pressão financeira bilionária. Para acelerar os aportes em inteligência artificial, o conglomerado japonês contratou em março um empréstimo-ponte de US$ 40 bilhões, cerca de R$ 227 bilhões.

Segundo a companhia:

  • cerca de R$ 113 bilhões já foram utilizados
  • parte relevante dos recursos foi destinada à OpenAI
  • aproximadamente R$ 14 bilhões foram quitados
  • novas estruturas de financiamento seguem em análise

A pressão aumentou após a S&P Global revisar para negativa a perspectiva de crédito da SoftBank. A agência citou o tamanho da exposição financeira à OpenAI e o avanço da concorrência no mercado de IA generativa, fatores que podem limitar o ritmo futuro do lucro da SoftBank.

Para levantar caixa, o grupo vendeu participações em empresas como Nvidia e T-Mobile. A companhia também utilizou ativos da Arm e da SoftBank Corp como garantia financeira, ampliando a dependência do conglomerado da valorização da inteligência artificial.

Competição em IA ameaça valorização acelerada

O avanço da OpenAI ocorre em um cenário mais competitivo. Empresas como Alphabet e Anthropic ampliaram participação no mercado de inteligência artificial, aumentando a pressão sobre a liderança tecnológica que sustenta parte do lucro da SoftBank.

Ao mesmo tempo, o custo para treinar modelos de IA segue crescendo. Infraestrutura computacional, chips avançados e consumo energético passaram a pressionar margem, retorno financeiro e expectativa de valorização das empresas do setor.

O mercado monitora riscos que podem desacelerar o crescimento do banco nos próximos anos, tal como:

  • aumento do custo operacional
  • perda de participação de mercado
  • dificuldade de monetização da IA
  • dependência de infraestrutura computacional
  • disputa mais intensa por clientes corporativos

A expectativa de um IPO da OpenAI continua no centro da estratégia da SoftBank. Uma abertura de capital reduziria pressão sobre liquidez e transformaria ganhos estimados em caixa efetivo para o conglomerado japonês.

Sem esse movimento, parte relevante do valor atribuído ao grupo continuará dependente da valorização futura da OpenAI e da capacidade da IA generativa de sustentar o crescimento do lucro da SoftBank.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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