Alphabet ameaça domínio da Nvidia na tecnologia ao transformar IA em receita em massa

A Alphabet passou de ameaçada pela IA a candidata real ao posto de empresa mais valiosa do mundo. Wall Street agora vê risco estrutural para a Nvidia diante da expansão do Google em chips, nuvem e modelos próprios.
Logo do Google em prédio corporativo da Alphabet durante avanço da empresa na disputa com a Nvidia pela liderança da inteligência artificial
Alphabet reduz distância para a Nvidia após avanço do Google em chips próprios, nuvem e inteligência artificial integrada (Foto: Reprodução)

Alphabet, controladora do Google, ultrapassar a Nvidia deixou de ser apenas uma hipótese de mercado e passou a simbolizar uma mudança no centro econômico da inteligência artificial. E Wall Street começou a trocar a aposta em fabricantes de chips pela confiança em empresas que controlam toda a cadeia da IA.

A controladora do Google encerrou a semana (08/05) avaliada em US$ 4,8 trilhões, reduzindo rapidamente a distância para a Nvidia, avaliada em US$ 5,2 trilhões. O avanço acelerado das ações da Alphabet alterou a percepção sobre onde está o verdadeiro poder econômico da inteligência artificial.

O movimento vai além das bolsas. Investidores começaram a questionar quanto tempo a Nvidia conseguirá sustentar crescimento acelerado caso grandes empresas reduzam dependência dos chips de IA fabricados pela companhia.

E a Alphabet passou a oferecer exatamente essa alternativa.

TPUs colocam a Alphabet no centro da disputa da IA

Durante anos, a Nvidia concentrou boa parte da expansão da inteligência artificial porque grandes empresas dependiam diretamente dos seus chips para operar modelos avançados de IA. Esse domínio transformou a fabricante na empresa mais valiosa do mundo e parecia dificultar qualquer cenário da Alphabet ultrapassar a Nvidia.

A própria Alphabet, contudo, começou a alterar essa dinâmica ao expandir o uso das TPUs, chips próprios do Google que passaram a ganhar espaço entre companhias interessadas em reduzir custos e diminuir dependência da Nvidia. O CEO da Alphabet e do Google, Sundar Pichai, afirmou que clientes do Google Cloud poderão operar essas unidades em seus próprios data centers.

O avanço das TPUs fortalece um movimento que preocupa o mercado: gigantes de tecnologia começam a criar ecossistemas próprios de infraestrutura de IA. Analistas da Citizens estimam que a receita ligada às TPUs alcance US$ 3 bilhões em 2026 e salte para US$ 25 bilhões em 2027.

Gemini amplia pressão sobre o modelo de negócios da Nvidia

A Nvidia continua dominante em chips de inteligência artificial, mas Wall Street passou a valorizar empresas capazes de transformar IA em receita em várias frentes ao mesmo tempo. Essa mudança ajudou a acelerar as apostas em um cenário de Alphabet ultrapassar Nvidia nos próximos anos.

Nesse contexto, o Google é notável pois reúne ativos que poucas empresas conseguem combinar dentro do mesmo ecossistema:

  • Google Search (plataforma de buscas);
  • Google Cloud (plataforma de armazenamento);
  • YouTube (entretenimento, educação, e afins);
  • Gemini (IA generativa);
  • Android (um dos sistema operacionais de celulares mais utilizado no mundo);
  • Waymo (serviço de robotáxi integrado ao Google);
  • O serviço de publicidadade digital (Google ads) mais utilizado na internet;
  • Além de chips próprios.

Essa integração virou uma das principais vantagens da companhia. O Gemini, a IA generativa do Google, passou a operar dentro do mecanismo de buscas do site de buscas, reduzindo o temor de que a inteligência artificial ameaçasse o principal negócio da empresa.

O impacto apareceu nas projeções financeiras. Dados compilados mostram que as estimativas de lucro líquido da Alphabet para 2026 subiram 19% no último mês.

A Nvidia segue como líder da infraestrutura de IA, mas investidores começaram a questionar a dependência da empresa dos gastos globais com chips. A Alphabet, por outro lado, distribui receita entre busca, nuvem, publicidade, dispositivos e inteligência artificial, cenário que sustenta a percepção de Alphabet ultrapassar Nvidia em Wall Street.

Wall Street abandona a visão de que só chips definem a IA

A recuperação da Alphabet representa uma das reversões mais rápidas da história recente das big techs.

Há menos de um ano, investidores tratavam o Google como uma possível vítima da inteligência artificial. O receio era que chatbots substituíssem buscas tradicionais e enfraquecessem a principal fonte de receita da companhia.

O cenário mudou quando o Google passou a integrar IA ao mecanismo de busca e acelerou a expansão do Gemini.

Desde outubro:

  • Ações da Alphabet avançaram 43%
  • Nvidia subiu 6,3%
  • Alphabet disparou 34% apenas em abril

A diferença expôs uma mudança importante em Wall Street. O mercado começou a premiar empresas capazes de controlar infraestrutura, distribuição, modelos de IA e monetização simultaneamente.

Como Alphabet ultrapassar Nvidia muda percepção do mercado sobre a IA

A possibilidade de Alphabet ultrapassar Nvidia ganhou força porque investidores passaram a enxergar valor maior em empresas capazes de transformar inteligência artificial em receita distribuída em vários negócios ao mesmo tempo, e não apenas na venda de chips.

A mudança ajuda a explicar a entrada da Berkshire Hathaway, de Warren Buffett, no capital da Alphabet no ano passado, um movimento raro da gestora dentro do setor de tecnologia.

Mesmo negociada acima da média histórica, a Alphabet continua sendo vista por Wall Street como uma empresa capaz de ampliar valor de mercado ao integrar IA em busca, nuvem, publicidade, software e infraestrutura própria. Esse avanço aumentou a percepção de que o domínio da Nvidia em chips talvez não seja suficiente sozinho para sustentar a liderança absoluta da nova economia da IA.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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