A Naskar Gestão de Ativos está no foco de uma crise que envolve mais de R$ 900 milhões aplicados por aproximadamente 3 mil clientes. Em meio a atrasos nos rendimentos, app fora do ar e sócios sem resposta, vieram à tona mudanças anteriores na estrutura da empresa.
A fintech deixou o endereço registrado na Vila Olímpia, em São Paulo, há cerca de 10 meses. Registros da Junta Comercial também mostram o encerramento de filiais em Brasília, Curitiba e Rio de Janeiro em 1º de abril de 2025.
A informação sobre o endereço, contudo, não prova irregularidade. O ponto relevante é outro: em uma crise marcada por falta de acesso, falta de pagamento e falta de comunicação, qualquer lacuna sobre estrutura física, operação e atendimento ganha peso econômico.
O que se sabe sobre a estrutura da Naskar Gestão de Ativos
Funcionários do prédio comercial na Vila Olímpia, em São Paulo, afirmaram que a Naskar Gestão de Ativos deixou o local há cerca de 10 meses. Segundo relatos, aproximadamente 20 pessoas trabalhavam no endereço antes da mudança.
Informações obtidas durante a apuração indicam que a empresa teria transferido a operação para Alphaville. A Naskar não confirmou oficialmente a mudança nem informou se houve comunicação formal aos clientes.
Após a repercussão do caso, o Grupo Nexco informou que imagens que mostram os nomes Nexco e Naskar lado a lado no edifício são antigas e “não refletem a realidade atual”. Segundo a empresa, a Naskar deixou a sede do grupo em 2024 e as companhias não compartilham mais escritório desde então.
A Nexco também pediu correção de informações que associavam as duas empresas atualmente no mesmo espaço físico, afirmando que os registros visuais em circulação estão desatualizados.
Dados da Junta Comercial mostram ainda que a Naskar encerrou filiais em Brasília, Curitiba e Rio de Janeiro no dia 1º de abril de 2025.
As mudanças ocorreram antes dos relatos de atraso em pagamentos, dificuldades de acesso ao aplicativo e falta de resposta a clientes da fintech. Até o momento, a empresa afirma apenas que enfrenta inconsistências na base de dados e conduz uma auditoria interna.
Crise começou com pagamento não realizado
A Naskar Gestão de Ativos operava oferecendo retorno mensal de 2% sobre os valores aplicados pelos clientes. No modelo apresentado pela empresa, um investimento de R$ 1 milhão poderia gerar R$ 20 mil mensais em rendimentos.
O ponto de ruptura ocorreu na última segunda-feira (04/05), quando investidores afirmaram que os pagamentos previstos para o mês não foram realizados. A partir daí, clientes passaram a procurar os sócios da fintech em busca de esclarecimentos.
Sem respostas diretas, a preocupação aumentou nos dias seguintes. Na quinta-feira (07/05), investidores começaram a relatar bloqueio de acesso ao aplicativo da Naskar Holding e dificuldade para visualizar informações sobre as aplicações.
O aplicativo concentra a operação entre clientes e empresa. Com pagamentos atrasados, acesso limitado ao sistema e falta de retorno da fintech, investidores passaram a enfrentar dificuldade para acompanhar a situação dos recursos mantidos sob gestão da empresa.
Aplicações milionárias aumentam dimensão do caso
Os relatos envolvendo a Naskar Gestão de Ativos incluem clientes com aplicações milionárias mantidas na plataforma no momento em que os pagamentos deixaram de ser processados e o aplicativo passou a apresentar falhas.
A Naskar Holding estima administrar quase R$ 900 milhões de aproximadamente 3 mil clientes. Com pagamentos atrasados e acesso limitado ao sistema, investidores passaram a enfrentar dificuldade para acompanhar a situação dos recursos mantidos sob gestão da empresa.
Empresa fala em inconsistência na base de dados
A Naskar afirma que identificou inconsistências na base de dados na gestão de ativos e iniciou uma auditoria interna. Segundo a fintech, equipes técnicas trabalham na revisão e validação das informações.
Além disso, a empresa também informou que faria circularização junto aos clientes. Esse procedimento serve para confirmar informações diretamente com a carteira de investidores.
A explicação, porém, ainda deixa perguntas abertas. A empresa não informou prazo definitivo para normalização, não detalhou a extensão da falha e não explicou como os pagamentos pendentes serão tratados.
Em uma instituição que administra recursos de terceiros, base de dados não é detalhe técnico. É o registro que sustenta saldos, contratos, pagamentos e comunicação com clientes.
Sendo uma fintech de gestão de ativos sem cobertura FGC, risco para Naskar fica mais sensível
A Naskar Gestão de Ativos não tem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O FGC protege determinados depósitos e aplicações em instituições associadas, com limite de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ.
Isso não significa que o dinheiro dos clientes esteja perdido. Também não significa, por si só, fraude. Mas muda a camada de proteção disponível em caso de problema financeiro na empresa.
A combinação entre retorno de 2% ao mês, atraso nos pagamentos, app bloqueado, sócios sem resposta e ausência de FGC forma o núcleo econômico da crise.
O caso da Naskar Gestão de Ativos agora depende menos de promessa e mais de comprovação: onde estão os recursos, quando os clientes terão acesso às contas e qual estrutura real sustenta a operação da fintech.



