Nesses últimos dias, clientes da fintech Naskar Gestão de Ativos ficaram sem acesso ao aplicativo, sem pagamento de rendimentos e sem resposta dos sócios após a empresa interromper operações ligadas a cerca de R$ 900 milhões captados em todo o país.
O caso ganhou dimensão nacional porque investidores passaram a perder acesso ao próprio patrimônio enquanto cresce a pressão sobre a empresa para liberar resgates, explicar os atrasos e comprovar a situação financeira da operação.
A crise saiu do campo operacional e entrou no patrimonial. Sem aplicativo, pagamento ou retorno direto dos responsáveis, clientes relatam dificuldade para confirmar saldo. Além da impossibilidade de solicitar retirada de recursos e entender o tamanho real da exposição financeira.
O que se sabe sobre a crise da Naskar Gestão de Ativos
A empresa informou na manhã desta sexta-feira (08/05) ter sofrido uma “perda na base de dados”. Além disso, afirmou que realiza auditoria interna antes de iniciar contato individual com investidores.
A justificativa veio depois de dias de silêncio, relatos de bloqueio de acesso ao aplicativo e interrupção de pagamentos previstos para a última segunda-feira (04/05). O caso é investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).
Os sócios da Naskar Gestão de Ativos, Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato, conhecido como Maurício Jahu, não responderam a contatos feitos por investidores, segundo relatos publicados nas primeiras reportagens sobre o caso.
O ambiente de insegurança aumentou porque o aplicativo era o principal canal usado pelos clientes para operações como:
- Acompanhar patrimônio;
- Verificar rendimentos;
- Solicitar resgates;
- Controlar movimentações.
Sem acesso ao sistema, investidores passaram a depender apenas da nota oficial divulgada pela empresa.
Como a Naskar operava antes do caso
A Naskar construiu a operação em torno da promessa de rendimento de 2% ao mês, percentual acima do praticado por aplicações tradicionais. A empresa se apresentava como ecossistema financeiro com aplicativo próprio e serviços como Naskar Prime, Naskar Exchange e Naskar Mundi, criando imagem de estrutura consolidada e gestão patrimonial digital via captação de ativos.
O modelo ganhou força ao longo de cerca de 13 anos de operação sem grandes ruídos públicos. Clientes aumentavam aportes após sucessivos pagamentos mensais e passavam a indicar familiares, empresários e aposentados.
App fora do ar amplia pressão sobre patrimônio de clientes
O impacto da crise atual apareceu quando os pagamentos pararam e o aplicativo saiu do ar. Há relatos de um empresário com R$ 3,9 mi investidos, um bancário com R$ 2,3 mi e um aposentado com R$ 1 mi aplicado na empresa. Em muitos casos, o dinheiro representava reserva de vida inteira e renda usada para manter despesas familiares e fluxo de caixa.
O empresário Wesley Albuquerque afirma ter levado 135 clientes para a Naskar, somando cerca de R$ 47 milhões em aplicações. Segundo ele, a confiança cresceu ao longo de seis anos de pagamentos regulares, fazendo com que clientes antigos indicassem familiares e amigos para a operação.
Diferença entre capital registrado e volume captado aumenta tensão
Dados públicos mostram que a Naskar Instituição de Pagamento Ltda., ligada à marca Naskar Holding, da qual a empresa Naskar Gestão de Ativos faz parte, possui capital social registrado de aproximadamente R$ 1,5 milhão.
O número contrasta com a estimativa de R$ 900 milhões atribuída ao volume de recursos captados pela operação.
A diferença, no entanto, não comprova irregularidade sozinha, mas aumenta a pressão sobre a empresa para demonstrar:
- origem dos recursos;
- estrutura patrimonial;
- garantias financeiras;
- modelo operacional utilizado.
Consultas públicas também indicam que a atividade principal registrada da empresa aparece como “outras atividades auxiliares dos serviços financeiros”.
A companhia mantinha presença digital voltada à gestão patrimonial e divulgava serviços como Naskar Prime, Naskar Exchange, Naskar Mundi e soluções financeiras próprias.
Crise de confiança cresce entre investidores da Naskar Gestão de Ativos
A combinação entre aplicativo fora do ar, atraso nos pagamentos e falta de comunicação direta elevou o temor de investidores sobre possível dificuldade de recuperação dos recursos.
O caso também começou a se espalhar em plataformas de reclamação, com clientes relatando bloqueio de acesso, ausência de resposta e impossibilidade de movimentar dinheiro aplicado.
A crise atinge um ponto sensível porque envolve operações privadas sustentadas por promessa de renda mensal elevada e forte relação de confiança entre clientes e captadores.
Agora, a principal pressão sobre a Naskar Gestão de Ativos é demonstrar se os recursos seguem disponíveis, quando os acessos serão restabelecidos e de que forma os investidores conseguirão recuperar controle sobre o próprio patrimônio.



