Concentração de renda no Brasil volta a subir, mesmo com aumento da renda média

O IBGE mostrou que a concentração de renda no Brasil aumentou em 2025 porque os ganhos avançaram mais entre os mais ricos do que entre as faixas de menor renda.
Pilhas de moedas crescentes representam concentração de renda no Brasil em imagem sobre desigualdade econômica
Os 10% mais ricos passaram a concentrar 40,3% da massa de renda do país em 2025, segundo dados divulgados pelo IBGE. (Foto: Reprodução)

A concentração de renda no Brasil voltou a subir em 2025 mesmo com o avanço da renda média da população. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que os 10% mais ricos passaram a concentrar 40,3% da massa total de rendimentos do país, acima dos 39,6% registrados em 2024.

O resultado altera a leitura da recuperação econômica recente. A renda cresceu em todas as classes sociais, mas o avanço ocorreu em velocidade maior entre os grupos de renda mais alta, ampliando novamente a distância entre o topo e a base da distribuição.

A mudança reduz parte do efeito social da melhora econômica. Quando o crescimento da renda permanece mais concentrado entre os grupos de maior patrimônio e capacidade financeira, o impacto sobre consumo popular e redução da desigualdade perde força.

IBGE mostra avanço maior da renda entre os mais ricos

A pesquisa do IBGE aponta que a massa total de rendimento domiciliar per capita chegou a R$ 481,4 bilhões em 2025. Desse total, cerca de R$ 193,9 bilhões ficaram concentrados nas mãos dos 10% mais ricos.

A força da concentração de renda no Brasil aparece na comparação com os grupos de menor renda. Os 70% da população que recebem menos concentraram 32,8% da massa total, participação inferior à registrada pelo topo da pirâmide.

O rendimento médio mensal dos 10% mais ricos chegou a R$ 9.117 por pessoa. Entre os 40% mais pobres, a média foi de R$ 663 mensais. A diferença alcançou 13,8 vezes.

Os dados mostram crescimento disseminado, mas em ritmos diferentes:

  • Renda dos 10% mais ricos avançou 8,7%
  • Renda dos 40% mais pobres cresceu 4,7%
  • Renda média nacional subiu 6,9%

A diferença de velocidade interrompeu a trajetória de redução da desigualdade observada nos últimos anos.

Concentração de renda no Brasil muda dinâmica da recuperação econômica

O avanço da renda vinha sendo acompanhado por melhora gradual nos indicadores de distribuição desde o período pós-pandemia. Em 2024, a distância entre ricos e pobres havia atingido o menor nível da série histórica iniciada em 2012.

O cenário mudou em 2025 porque os ganhos passaram a crescer mais rapidamente entre os grupos de maior renda. O próprio IBGE afirmou que não houve perda entre os mais pobres. A piora, no entanto, ocorreu porque o topo avançou acima da média nacional.

Essa mudança altera a forma como a recuperação econômica se espalha pelo país. Famílias de baixa renda costumam direcionar parcela maior do orçamento para alimentação, transporte, serviços básicos e comércio local.

Nos grupos de renda mais alta, cresce o peso de patrimônio, aplicações financeiras e consumo menos disseminado na economia cotidiana. Isso reduz parte do efeito multiplicador da renda sobre setores dependentes do consumo popular.

O impacto da concentração de renda no Brasil tende a aparecer primeiro nos setores mais ligados ao orçamento das famílias de baixa renda. Pequeno varejo, serviços de bairro e segmentos de consumo cotidiano costumam reagir mais rapidamente quando a renda cresce na base da pirâmide.

Quando a expansão da renda fica mais concentrada no topo, parte maior desse avanço permanece ligada a patrimônio, aplicações financeiras e consumo menos distribuído pela economia. Isso reduz o efeito da melhora da renda sobre atividade econômica, circulação de dinheiro e consumo popular.

A renda domiciliar per capita nacional chegou a R$ 2.264 mensais em 2025, já descontada a inflação. Mesmo assim, a concentração de renda no Brasil continua elevada e mantém diferenças estruturais em crédito, capacidade de poupança e formação de patrimônio entre ricos e pobres.

Nos últimos anos, programas sociais, valorização do salário mínimo e melhora do mercado de trabalho ajudaram a reduzir parcialmente a desigualdade de renda. Em 2025, porém, conforme aponta o IBGE, o avanço mais forte da renda entre os mais ricos interrompeu parte desse movimento.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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