A China acelerou a disputa global por minerais críticos e veículos elétricos dentro do Brasil. Com base nisso, os investimentos chineses no Brasil cresceram 45% em 2025 e passaram a integrar mineração, energia limpa e indústria automotiva em uma mesma cadeia produtiva, segundo levantamento recente do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC).
O avanço colocou o Brasil como principal destino global do investimento chinês e ampliou a presença de grupos ligados a baterias, transmissão elétrica, carros elétricos e exploração mineral. O movimento reposiciona o Brasil na estratégia industrial chinesa da transição energética.
Mineração muda perfil dos investimentos da China no Brasil
A mineração registrou a maior expansão entre todos os setores da economia brasileira em 2025. Os investimentos chineses para esse segmento chegaram a US$ 1,76 bilhão, mais que o triplo do volume para o Brasil em 2024, segundo o CEBC
O segmento passou a responder por 29% de todo o capital produtivo chinês direcionado ao país e praticamente empatou com o setor elétrico. O resultado alterou o perfil histórico dos investimentos da China no Brasil, tradicionalmente mais concentrados em energia e infraestrutura.
A corrida por minerais críticos impulsionou essa expansão. Empresas chinesas ampliaram interesse em ativos ligados à produção de:
- Cobre;
- Níquel;
- Grafite;
- Ouro;
- Terras raras;
- Nióbio.
Esses minerais são usados na fabricação de baterias, motores elétricos, semicondutores e sistemas de armazenamento energético. A demanda cresceu com o avanço global da mobilidade elétrica e da geração renovável.
Diferentemente de Chile e Argentina, onde os aportes chineses permanecem mais concentrados em lítio e cobre, o Brasil passou a atrair investimentos distribuídos em uma cesta mineral mais ampla. O país combina reservas diversificadas, energia renovável abundante e mercado consumidor relevante para a indústria automotiva.
O avanço chinês ocorre em meio à disputa global por cadeias estratégicas ligadas à transição energética. Estados Unidos e Europa tentam reduzir dependência industrial da China, enquanto grupos chineses ampliam presença justamente em países com acesso a minerais considerados críticos.
Carros elétricos ampliam presença industrial chinesa no país
O avanço dos investimentos chineses no Brasil também acelerou a expansão das montadoras chinesas em solo nacional. O setor automotivo recebeu US$ 965 milhões em aportes em 2025, alta de 66% sobre o ano anterior, impulsionada principalmente pela ampliação das operações de empresas como BYD e GWM.
Tais investimentos pontuais acompanham a estratégia chinesa de ampliar o domínio sobre toda a cadeia da mobilidade elétrica no Brasil. Conectando, além disso, mineração, fabricação de baterias, produção automotiva e geração de energia limpa dentro do mesmo ecossistema industrial.
O Brasil ganhou relevância nesse processo por reunir reservas minerais estratégicas, matriz elétrica renovável e mercado consumidor de grande escala. O efeito vai além da chegada de novas montadoras: o capital chinês passou a integrar a extração mineral, processamento industrial e produção de veículos no país.
A expansão das fabricantes chinesas também aumenta a pressão sobre montadoras tradicionais instaladas no Brasil e intensifica a disputa por fornecedores, baterias e infraestrutura de recarga.
Energia limpa sustenta avanço do capital chinês
O setor elétrico permaneceu como principal destino do capital chinês em valor investido. Os aportes chegaram a US$ 1,79 bilhão em projetos ligados à geração renovável e transmissão de energia.
Mais da metade dos 52 empreendimentos chineses anunciados no Brasil em 2025 ficou concentrada na área elétrica. Os projetos envolveram usinas solares, parques eólicos, hidrelétricas e ampliação da infraestrutura de transmissão.
A principal investidora foi a CPFL Energia, controlada pela estatal chinesa State Grid desde 2017. Também avançaram projetos conduzidos pela própria State Grid Brazil Holding, além de grupos como China Three Gorges, SPIC e China Energy, por meio da subsidiária brasileira CEEC.
Segundo o levantamento do CEBC, todos os projetos do setor elétrico registrados em 2025 estiveram ligados à energia limpa. O dado mostra uma mudança relevante no perfil dos investimentos chineses em infraestrutura no Brasil.
Norte ganha espaço na expansão dos investimentos da chineses no Brasil
O Sudeste seguiu na liderança da atração de capital chinês, mas o Norte registrou o maior avanço proporcional em 2025 e respondeu por 26,7% dos empreendimentos anunciados, a maior participação da série histórica do levantamento.
O crescimento foi puxado por mineração e petróleo, com Pará e Amapá ganhando espaço na nova estratégia chinesa para minerais críticos, energia limpa e veículos elétricos. Ao todo, o capital chinês alcançou 20 estados brasileiros em 2025, seis a mais do que no ano anterior.
Enquanto os investimentos externos chineses cresceram apenas 1,3% no mundo, os investimentos chineses no Brasil avançaram 45%. Mais do que um resultado econômico favorável, o levantamento do CEBC aponta uma relação de confiança acentuada entre o Brasil e um país conhecido pela reserva em termos de relações globais.



