Os preços dos presentes no Dia das Mães revelam um cenário incomum para o varejo em 2026. Enquanto joias, flores e cosméticos seguem pressionados por custos globais e inflação de itens afetivos, eletrodomésticos entraram em forte queda numa tentativa do comércio de sustentar vendas em meio ao consumo mais seletivo.
Levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) mostra que a cesta com produtos típicos da data, como joias, roupas e eletrodomésticos, subiu 2,89% em 12 meses. O percentual ficou abaixo do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado de 4,37% e também inferior ao registrado no mesmo período do ano passado.
Mesmo com desaceleração inflacionária, o comportamento dos preços expõe dois mercados distintos. Presentes ligados ao afeto seguem pressionados por custos internacionais, enquanto bens duráveis entram em promoção para destravar demanda numa das datas mais relevantes do semestre para o varejo.
Joias lideram alta dos preços dos presentes no Dia das Mães e refletem tensão no mercado internacional
As joias registraram a maior alta da cesta analisada pela FecomercioSP, com avanço de 26,81% em 12 meses. O movimento ocorre após outra elevação expressiva no ciclo anterior, quando os preços já haviam subido mais de 32%.
O avanço acompanha a oscilação no preço do ouro, impulsionado por tensões geopolíticas, compras de bancos centrais e aumento da procura global por ativos considerados mais seguros em períodos de instabilidade econômica.
A pressão também atingiu:
- Prata e bijuterias: 10,48%;
- Flores naturais: 12%;
- Produtos para cabelo: 9,74%;
- Livros não didáticos: 6,74%.
O comportamento desses itens mostra que o preço do presente emocional no Dia das Mães continua elevado mesmo num ambiente de inflação mais moderada. Isso altera a dinâmica de consumo da data e amplia a busca por alternativas promocionais.
Queda dos eletrodomésticos revela disputa agressiva por vendas
O movimento mais relevante da pesquisa aparece entre os bens duráveis. Diferentemente dos presentes afetivos, os eletrodomésticos e eletrônicos entraram em queda expressiva de preços.
Os maiores recuos foram:
- Ar-condicionado: -12,17%;
- Refrigeradores: -8,16%;
- Ventiladores: -7,24%;
- Fogões: -6,48%.
A redução indica uma tentativa do varejo de acelerar vendas de presentes no Dia das Mães num cenário em que o consumidor permanece mais cauteloso com compras de maior preço. Especialmente em operações parceladas e dependentes de crédito.
Além disso, dados recentes da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apontam recuperação gradual da intenção de compra de bens duráveis, puxada principalmente por promoções e melhora das condições de financiamento.
Ainda assim, o comportamento do setor mostra pressão sobre margens. Em vez de repassar custos, parte do comércio optou por reduzir preços para evitar desaceleração mais intensa nas vendas do Dia das Mães.
Inflação menor não significou alívio uniforme nos presentes
Embora a cesta analisada tenha avançado abaixo da inflação oficial do país, o levantamento mostra que o alívio nos preços dos presentes não ocorreu de maneira homogênea entre os segmentos mais procurados no Dia das Mães.
No vestuário, por exemplo:
- Sandálias subiram 6,25%;
- Blusas avançaram 3,47%;
- Vestidos tiveram alta de 2,22%;
- Saias ficaram em 1,7%.
O comportamento reforça uma mudança importante no consumo. Produtos de compra emocional ou ligados a itens premium continuam pressionados, enquanto setores mais dependentes de volume e financiamento operam sob maior competição.
O cenário também mostra como fatores externos passaram a afetar diretamente datas sazonais do varejo brasileiro. A valorização internacional do ouro, por exemplo, saiu do mercado financeiro e chegou ao preço final de presentes tradicionalmente associados ao Dia das Mães.
Consumo mais seletivo redefine estratégia de preço dos presentes para o varejo no Dia das Mães
A própria FecomercioSP afirma que a cesta representa uma média e não um comportamento uniforme de preços. A entidade recomenda pesquisa prévia e atenção às condições de pagamento para evitar desequilíbrios no orçamento doméstico.
No fim, os preços dos presentes no Dia das Mães expõem mais do que uma simples variação sazonal. O comportamento da cesta revela um varejo dividido entre a pressão global sobre itens afetivos e a necessidade urgente de estimular consumo em produtos de maior valor.



