O lucro do Itaú no 1 trimestre de 2026 alcançou R$ 12,28 bilhões, alta de 10,4% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado do Itaú manteve o banco entre os mais rentáveis do sistema financeiro brasileiro.
Apesar do avanço do lucro e da inadimplência controlada, o Itaú adotou um discurso mais cauteloso sobre crédito, risco econômico e capacidade de pagamento das famílias. O posicionamento ocorre em meio ao aumento do endividamento e ao lançamento do Novo Desenrola pelo governo federal.
As ações ITUB4 seguem no radar do mercado porque o balanço mostra um banco ainda altamente lucrativo, mas mais seletivo na concessão de crédito em um cenário econômico considerado mais pressionado.
Resultado do Itaú mostra banco mais cauteloso com risco
O resultado do Itaú veio próximo das projeções do mercado. Analistas consultados pela LSEG estimavam lucro recorrente de R$ 12,5 bilhões e ROE de 24,29%.
O retorno sobre patrimônio líquido médio consolidado, indicador central para investidores, ficou em 24,8%, acima dos 22,5% registrados um ano antes. No Brasil, o ROE atingiu 26,4%.
Milton Maluhy afirmou que 2026 começou em um ambiente que exige “disciplina no crédito”, sinalizando postura mais conservadora na expansão da carteira.
Os principais indicadores do trimestre foram:
- margem financeira de R$ 32,3 bilhões
- carteira de crédito de R$ 1,48 trilhão
- custo do crédito de R$ 9,95 bilhões
- inadimplência acima de 90 dias em 1,9%
- índice de Basileia de 14,8%
O banco manteve o guidance divulgado em fevereiro e reiterou expectativa de crescimento da carteira total entre 5,5% e 9,5% em 2026.
Endividamento das famílias pressiona cenário do crédito
O discurso mais cauteloso do Itaú coincide com um ambiente de endividamento elevado no país.
Na véspera da divulgação do balanço, o governo lançou o Novo Desenrola, programa de renegociação de dívidas voltado para famílias, pequenos negócios e agricultores familiares.
Embora o índice de inadimplência acima de 90 dias tenha permanecido estável em 1,9%, o banco ampliou em 4,5% o custo do crédito na comparação anual. O indicador mede o valor reservado para cobrir possíveis perdas com calotes.
O Itaú também informou que o NPL Creation, indicador que acompanha novas operações que entraram em inadimplência severa, somou R$ 9,69 bilhões no trimestre. Assim, o banco indica que vê deterioração potencial no ambiente de crédito, mesmo mantendo crescimento da carteira.
A carteira de pessoas físicas avançou 6,8% em um ano. O segmento de micro, pequenas e médias empresas cresceu 10,9%. O movimento mostra que os bancos continuam expandindo crédito, mas com critérios mais rígidos de risco e rentabilidade.
Itaú fecha 428 agências e acelera transformação digital
Outro dado relevante do balanço foi a continuidade da redução da estrutura física do banco.
O Itaú encerrou março com 2.367 agências e pontos de atendimento bancário. No mesmo período de 2025, eram 2.795 unidades.
Na prática, o banco fechou 428 agências em 12 meses.
O movimento reflete a digitalização acelerada do sistema financeiro e a migração dos clientes para aplicativos e canais digitais.
Ao mesmo tempo, o Itaú preservou eficiência operacional elevada. O índice de eficiência ficou em 37,1%, próximo do registrado um ano antes.
A redução da estrutura física ajuda o banco a controlar despesas administrativas e elevar rentabilidade mesmo em um ambiente de crédito mais desafiador.
O fechamento de agências também expõe uma transformação estrutural do setor bancário brasileiro:
- menos presença física
- maior automação
- redução de custos operacionais
- concentração do atendimento digital
O efeito é mais visível em cidades menores e regiões onde agências tradicionais ainda funcionavam como principal canal de relacionamento bancário.
Nesse cenário, o lucro do Itaú no 1 trimestre de 2026 revela mais do que um balanço forte. O resultado mostra um banco que segue altamente rentável, mas que já se prepara para um ambiente de crédito mais pressionado pelo avanço do endividamento das famílias brasileiras.



